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Ministério do Trabalho investiga acidente com ônibus de trabalhadores rurais que matou duas mulheres entre SP e MG

Atualizado em 23/07/2026

Auditores apuram responsabilidade pelo transporte, forma de contratação, condições do veículo e assistência às vítimas; relatos indicam que trabalhadores não sabiam para qual propriedade rural estavam sendo levados

Foto: João Daniel Alves/EPTV

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) instaurou uma investigação para apurar as circunstâncias do acidente envolvendo um ônibus que transportava trabalhadores rurais na Rodovia Deputado Januário Mantelli Neto (SP-215), entre o distrito de São Roque da Fartura, em Águas da Prata (SP), e Poços de Caldas (MG). A tragédia, registrada na terça-feira (21), deixou duas pessoas mortas e 24 feridas. Doze vítimas permanecem internadas.

As vítimas fatais foram identificadas como Maria Eduarda Corrêa Ferreira, de 19 anos, moradora de Itobi (SP), e Josefa Alexandre da Silva, de 59 anos, residente em Santa Cruz das Palmeiras (SP). Maria Eduarda foi sepultada em Itobi, enquanto Josefa foi enterrada no cemitério de Santa Cruz das Palmeiras.

Vítima Maria Eduarda Corrêa Ferreira, de 19 anos.
Vítima Josefa Alexandre da Silva, de 59 anos – Fotos montagem: G1

Os feridos foram encaminhados para unidades de saúde de Águas da Prata, São João da Boa Vista e Poços de Caldas. Somente a Santa Casa de Poços de Caldas recebeu 13 vítimas.

Trabalhadores não sabiam o destino da viagem

Durante as primeiras diligências, auditores fiscais do trabalho iniciaram a coleta de informações junto aos trabalhadores hospitalizados. Segundo o superintendente regional do Ministério do Trabalho, Carlos Alberto Calazans, os relatos revelaram que muitos dos passageiros desconheciam o destino exato da viagem e sequer sabiam em qual propriedade rural realizariam a colheita de cebolas.

De acordo com Calazans, os trabalhadores informaram apenas de onde haviam partido e a qual condomínio estavam vinculados, informação que passou a orientar as investigações.

“Tive contato com os trabalhadores, conversando com eles, e o relato me deixou impressionado. Eles não sabiam onde iriam, qual seria a propriedade em que iriam fazer a colheita para catar as cebolas. Eles não sabiam o local, mas me informaram de onde eles vieram e qual o condomínio. Isso já dá um bom início de toda a nossa investigação, de toda a nossa apuração”, afirmou.

Recrutamento por “turmeiro”

Segundo as informações levantadas pelo MTE, o grupo havia sido recrutado para prestar serviços temporários em uma lavoura localizada em Minas Gerais, após intermediação de um arregimentador de mão de obra, conhecido como “turmeiro”.

Os trabalhadores estariam vinculados a um condomínio localizado em São José do Rio Pardo (SP), de onde partiram para atender à demanda agrícola.

Conforme explicou o superintendente, a previsão era de que o grupo trabalhasse um ou dois dias na colheita de cebolas e retornasse ao condomínio. A investigação busca identificar quem é o “turmeiro” responsável pelo recrutamento e qual seria a fazenda de destino.

“Esse condomínio recebeu uma demanda de um turmeiro, ou seja, aquela pessoa que arregimenta os trabalhadores. Eles não sabem o nome dessa pessoa e não sabem a fazenda que seria”, disse Calazans.

Trabalhadores vieram até do Ceará

A investigação também revelou que parte dos trabalhadores é oriunda de outros estados, como o Ceará, evidenciando um deslocamento interestadual para atividades sazonais no campo.

Segundo Calazans, a situação chamou a atenção da equipe de fiscalização.

“Alguns com quem eu conversei no hospital são do Ceará. Olha para você ver, a pessoa sai do Ceará, vai trabalhar em São Paulo e vai fazer uma demanda em Minas Gerais. É uma situação inusitada e que requer uma apuração rigorosa.”

O que será investigado

Além das circunstâncias do acidente, o Ministério do Trabalho pretende verificar:

  • a regularidade das contratações dos trabalhadores;
  • a responsabilidade pelo transporte;
  • as condições de manutenção do ônibus;
  • a forma de recrutamento da mão de obra;
  • a identificação da propriedade rural que receberia a equipe;
  • o registro dos trabalhadores;
  • quem contratou e alugou o veículo utilizado na viagem.

Outro ponto que será analisado é se os trabalhadores feridos e os familiares das vítimas estão recebendo toda a assistência prevista pela legislação trabalhista e previdenciária.

Investigação deve ser concluída em 30 dias

A expectativa do Ministério do Trabalho é concluir a apuração em aproximadamente 30 dias. Ao final da investigação, poderão ser adotadas medidas administrativas e legais para responsabilização dos envolvidos, caso sejam constatadas irregularidades relacionadas ao transporte, à contratação dos trabalhadores ou ao cumprimento das normas de segurança e proteção ao trabalho.

Segundo Calazans, o objetivo é garantir que os direitos das vítimas sejam preservados e identificar todos os responsáveis.

“Nós vamos apurar esse condomínio, o registro desses trabalhadores, o aluguel desse ônibus, quem foi o responsável por esse ônibus, a manutenção do ônibus, quem contratou, como contratou e também saber a ponta, qual é essa fazenda que eles iam colher essas cebolas em condições que estavam.”

O superintendente afirmou ainda que, caso sejam identificadas irregularidades, os responsáveis serão punidos.

“A gente vai fazer isso o mais rapidamente possível para que as vítimas tenham seus direitos preservados. A gente vai apurar para saber as responsabilidades e punir, principalmente, porque envolveu mortes.”

Ônibus operava em situação irregular

O ônibus tombou em uma curva da Rodovia Deputado Januário Mantelli Neto (SP-215), no distrito de São Roque da Fartura, em Águas da Prata (SP), quando seguia para uma lavoura de cebolas em Poços de Caldas. Segundo as informações disponíveis, o veículo operava em situação irregular, fato que também integra as investigações conduzidas pelos órgãos competentes.

 

Fontes: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), G1 e Jornal da Mantiqueira.

 

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