Violência contra a mulher faz quase 10 mil vítimas no Sul de Minas em cinco meses
Atualizado em 07/07/2026
Levantamento da Sejusp aponta mais de 22 mil ocorrências de violência contra a mulher na região entre janeiro e maio e reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção e acolhimento às vítimas

Quase 10 mil mulheres foram vítimas de agressão no Sul de Minas entre janeiro e maio deste ano, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). No mesmo período, a região registrou 22.551 ocorrências de violência contra a mulher, o equivalente a 13,9% de todos os casos contabilizados em Minas Gerais.
Em todo o estado, foram registrados 161.912 casos de violência contra a mulher no período analisado, número superior ao registrado no ano anterior. Os dados evidenciam que a violência doméstica e familiar continua sendo um dos principais desafios da segurança pública e reforçam a necessidade de ações integradas de prevenção, acolhimento às vítimas e responsabilização dos agressores.
Histórias por trás das estatísticas
Os números refletem a realidade enfrentada por milhares de mulheres. Entre elas está a empresária Elen Oliveira, que afirma ter sido vítima de uma sequência de agressões praticadas pelo ex-companheiro no dia 14 de junho.
Segundo o relato, ela foi mantida em cárcere privado e agredida durante cerca de 12 horas dentro da própria residência.
“Foi no chão da minha sala a parte da agressão, mas ele me carregou por toda a casa, me fez subir escadas várias vezes. Eu me tranquei dentro do quarto, ele tentou arrombar a porta. Logo em seguida, tomou o celular que ainda estava nas minhas mãos. Eu fui mantida em cárcere privado por seis horas e meia”, relembrou.
O caso evidencia uma realidade vivida por muitas mulheres que sofrem violência justamente no ambiente onde deveriam se sentir protegidas.
Especialistas alertam para sinais de relações abusivas
Especialistas apontam que discursos misóginos e comportamentos abusivos, muitas vezes disseminados nas redes sociais, contribuem para a manutenção da violência contra a mulher.
Para o psicólogo e psicanalista Janilton Gabriel de Souza, o ciúme excessivo pode desencadear relações marcadas pelo controle, pela possessividade e por diferentes formas de violência.
Segundo ele, o ciúme rompe a relação de igualdade entre o casal e pode levar o agressor a tentar controlar ou anular a outra pessoa, criando um ambiente propício para agressões físicas e psicológicas.
Rede de proteção
Minas Gerais conta atualmente com 70 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, além das Patrulhas de Prevenção à Violência Doméstica da Polícia Militar, responsáveis pelo acompanhamento de vítimas em situação de risco.
A rede de proteção também envolve o Poder Judiciário, que pode conceder medidas protetivas de urgência para interromper o ciclo da violência.
A advogada Lorraine Portugal orienta que mulheres vítimas de agressão ou ameaça procurem ajuda imediatamente.
Segundo ela, o descumprimento de uma medida protetiva configura crime e permite a atuação da Justiça e da Polícia Militar para responsabilizar o agressor.
A especialista também destaca a importância da rede de apoio, formada por programas de acolhimento e por outras mulheres que já enfrentaram situações semelhantes.
“É importante que a vítima compreenda que a violência tem fim e que existe uma rede preparada para ajudá-la. Buscar apoio é um passo fundamental para romper esse ciclo”, ressalta.
Mesmo após sobreviver às agressões, Elen afirma que as marcas da violência permanecem, mas decidiu compartilhar sua história para incentivar outras mulheres a denunciarem e buscarem proteção.
Se você é vítima de violência ou conhece alguém nessa situação, denuncie. Em casos de emergência, acione a Polícia Militar pelo telefone 190. Também é possível registrar denúncias por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo Ligue 180.
Fontes: G1 e Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

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