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Programa Amigo Promotor expõe riscos da exploração de Terras Raras em Poços de Caldas

Atualizado em 14/05/2026

 

A edição da última quinta-feira do programa Amigo Promotor, transmitida ao vivo no dia 7 de maio, debateu o projeto de mineração e exploração de Terras Raras em Poços de Caldas. Conduzida pelo jornalista Felipe Popó, a entrevista abordou os possíveis impactos ambientais e sociais do empreendimento, especialmente para moradores da Zona Sul da cidade.

Participaram do debate Dani Vilas Boas, apontada como uma das lideranças da mobilização popular na região; Breno Brum, psicólogo; e Leonardo Figueiredo.

Mobilização popular cobra estudos independentes

Durante a entrevista, Dani Vilas Boas destacou a atuação dos moradores da Zona Sul, especialmente aposentados, trabalhadores e antigos moradores da região, que vêm se mobilizando contra o avanço do projeto de mineração.

Segundo ela, há preocupação com a ausência de estudos técnicos e ambientais independentes. Dani afirmou que, até o momento, a população tem acesso apenas a informações produzidas pela mineradora australiana Viridis ou documentos validados pelo poder público municipal.

“A prefeitura tem dito em notas oficiais à imprensa que não tem capacidade técnica para fazer a fiscalização. Então, que garantias a gente tem de que o que a empresa está fazendo com seus estudos está sendo de fato aplicado? É tarefa do poder público resguardar por nós”, afirmou.

Ela também mencionou impactos já percebidos na região, como o aumento do trânsito de caminhonetes, poeira nas vias e o temor de surgimento de trincas e rachaduras em imóveis próximos às áreas de intervenção.

Consumo de água e risco de contaminação

Breno Brum alertou para o elevado consumo de água previsto no processo de mineração e para os riscos ambientais associados à extração classificada, segundo ele, como de grau máximo de periculosidade.

De acordo com o entrevistado, o método de lixiviação química com amônia, utilizado para separar os minérios da argila, pode representar risco de contaminação dos lençóis freáticos. Ele afirmou ainda que a estimativa é de consumo de cerca de 90 milhões de litros de água por mês em cavas que podem atingir até 45 metros de profundidade.

Breno também criticou a postura da Prefeitura de Poços de Caldas diante das manifestações contrárias ao projeto. Segundo ele, a Unidade Popular e outros coletivos reuniram mais de 4 mil assinaturas contra a mineração, mas o documento não teria recebido resposta do Executivo municipal.

O psicólogo também apontou interesses geopolíticos ligados à exploração das terras raras.

“Nada do que vai ser extraído daqui vai ficar aqui. Vai ser enviado direto para o porto de Santos para a indústria bélica dos Estados Unidos, para produzir mais armas”, declarou.

“Zona Sul não é zona de sacrifício”

Leonardo Figueiredo afirmou que a história de Poços de Caldas está diretamente ligada às águas do município e defendeu que não há compensação financeira ou geração de empregos que justifique riscos às nascentes e à segurança hídrica da cidade.

Segundo os convidados, o modelo de mineração apresentado pode provocar desvalorização imobiliária, impactos ambientais, riscos à saúde pública e perda da qualidade de vida da população local.

Ao final do programa, os participantes reforçaram a necessidade de mobilização popular e defenderam que “a Zona Sul não é zona de sacrifício”.

Assista ao programa completo

A entrevista foi transmitida ao vivo no dia 7 de maio, às 10h30, pela Sulminas TV e pela Rádio Estúdio FM 87.9.

O programa completo está disponível no YouTube:

Assista à entrevista na íntegra

 

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