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Retirada dos Caiapós do Mato ressalta a importância da memória e tradição dentro da programação da Festa de São Benedito

Atualizado em 12/05/2026

 

Encenação e cortejo da Fonte dos Amores até a Capela de São Benedito marcaram o Dia Municipal do Caiapó na cidade

(Foto: Bruna Ramos)

Uma jornada de fé, alegria e gratidão marcou a tarde da última segunda-feira, 11 de maio, com a tradicional retirada dos Caiapós do Mato dentro da programação cultural da Festa de São Benedito. Marcada pela união entre negros e indígenas, a encenação reuniu grande público, que celebrou, também, o Dia Municipal do Caiapó.

A cerimônia se iniciou com a encenação do Rei Congo, representado pelo embaixador do Terno de Congo de São Benedito, Ailton Santana, o Mestre Bucha, indo ao encontro de um grupo de crianças caiapós. Ele leva o fogo que assusta os pequenos e, então, surge o cacique caiapó, Eduardo Ramos, filho do saudoso Pedro Caiapó. Após o embate, o estranhamento se transforma em congraçamento e o chefe caiapó troca seu cocar pelo chapéu do congadeiro, simbolizando a igualdade e a irmandade entre os indígenas brasileiros e os africanos escravizados.

Depois da troca, ainda camuflados no meio da mata, escondidos entre as árvores e silenciosos, os caiapós são avisados através do som da buzina de chifre do cacique que é hora de celebrar. Assim, as batidas das espadas, arcos e flechas preenchem a mata de festa. Os caiapós finalmente se unem aos Ternos de Congos para saudar São Benedito em cortejo até a capela.

“Eu tenho uma tia que dança congo, que está sentada aqui do meu lado, que já tem 97 anos. Ela começou com seis anos. A minha mãe também começou com 5, 6 anos de idade. A minha família toda sempre pertenceu ao Congado, principalmente ao Terno de Congo de São Benedito. Foi, é e sempre será uma cerimônia de gratidão”, celebrou Mestre Bucha, ao lado da tia Jocastha Brito da Silva Constâncio que, aos 97 anos de idade, também marcou presença na festa.

História, preservação e religiosidade

“Na época, os escravizados saíam da senzala, fugiam para a mata e os indígenas os acolhiam, os protegiam, davam abrigo, tudo que precisavam. E, quando os escravos foram libertados, eles foram à mata resgatar os indígenas a irem para a comunidade”, relatou Eduardo Ramos, sobre o significado por trás da celebração que ele realiza há anos.

O secretário municipal de Cultura, Nando Gonçalves, ressalta a riqueza da tradição e a importância de que a celebração permaneça viva na memória da cultura de Poços de Caldas.

“É uma tradição cultural e temos a obrigação de salvaguarda, já que é reconhecida como patrimônio imaterial. É de responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura a viabilização para que essa manifestação se mantenha”, afirma.

Após a retirada, os Ternos de Congos foram guiados pelo Grupo de Caiapós do Bairro São José e Grupo de Caiapós do Bairro Vila Cruz rumo à Capela de São Benedito. Os Ternos de Congo de São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia, Nossa Senhora do Carmo, São Jerônimo e Santa Bárbara e Nossa Senhora da Saúde seguem em cortejo, cruzando as ruas da cidade com seus hinos, instrumentos e devoção.

Chegando à Capela de São Benedito, os Ternos de Congos e Caiapós passaram por debaixo da espada de ferro, saudada por Lilia Clementino, capitã do Terno de Congo São Jerônimo e Santa Bárbara, representando a união definitiva entre os grupos. O dia terminou com fé e celebração, com a troca simbólica do cocar pelo chapéu do congadeiro, a bênção do Padre Reginaldo, o acolhimento dos fiéis e os cânticos no interior da igreja.

(Foto: Bruna Ramos)

Tradição e memória
Celebrado pela primeira vez em 2022, 11 de maio foi escolhido como o “Dia Municipal do Caiapó”. A data foi instituída por meio da Lei 9.490, de 6 de outubro de 2021, substituída pela Lei n.º 9.620, de 24 de agosto de 2022, que dispõe sobre o calendário comemorativo e de eventos do município de Poços de Caldas, como forma de valorização da cultura popular e da memória de um de seus maiores expoentes, Seu Pedro Caiapó.

Seus filhos mantêm a tradição, passando a riqueza da celebração também para as crianças. Eduardo Ramos se emociona ao lembrar do pai, seu Pedro Caiapó.

“Eu comecei com os meus cinco anos, já tenho 61. Quem fazia a apresentação que eu faço hoje era o meu pai, que faleceu há 12 anos. Ele dançava desde pequeno também. Minha irmã se juntou ao grupo. É uma tradição familiar e de herança”, celebra.

Pedro Antônio Ramos – Pedro Caiapó – nasceu em 28 de dezembro de 1931 e faleceu em Poços de Caldas, no dia 15 de dezembro de 2013. Foi Tuxaua ou Morubichaba (chefe temporal) do Grupo de Caiapós por 40 anos, e a tradição vem sendo lindamente mantida por sua família desde então, sob a organização de sua filha Maria Lúcia Ramos.

Programação

A programação cultural da Festa de São Benedito se encerra nesta quarta-feira, 13 de maio, feriado municipal em Poços de Caldas. Confira:

Data: 13 de maio – quarta-feira – Feriado do Dia da Festa de São Benedito
Horários:
10h – Missa Conga
16h – Procissão Solene pelas ruas da região central
Local: Capela de São Benedito (Praça Cel. Agostinho Junqueira)
Com a participação dos Ternos de Congos e Grupos de Caiapós.

 

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