Voltar para Notícias

Fim do Elo7 surpreende artesãos e ameaça renda de pequenos empreendedores

Atualizado em 14/05/2026

Usuários relatam falta de aviso prévio e dificuldades para encontrar alternativas viáveis de venda on-line após encerramento da plataforma

O encerramento das atividades do Elo7, marketplace voltado à venda de produtos artesanais, pegou de surpresa milhares de artesãos e pequenos empreendedores em todo o país. O descontinuamento da plataforma foi anunciado nesta segunda-feira (11) pela Enjoei, empresa que adquiriu o canal em 2023.

Entre os usuários afetados está a artesã mineira Mileide Gomes, de 44 anos, que trabalha há duas décadas produzindo bonecas e bichos de pano. Segundo ela, o fechamento ocorreu sem qualquer aviso prévio por e-mail aos vendedores.

“Fiquei sabendo pelo Instagram e por posts de outras companheiras de trabalho que vendiam por lá”, relatou a empreendedora, que utilizava o Elo7 desde a criação da plataforma, em 2008.

Mileide lembra que, nos primeiros anos, o marketplace era considerado referência para os artesãos brasileiros.

“Antigamente, a gente pagava para expor e era muito bom, bem organizado. O site era bastante intuitivo”, afirmou.

Além das vendas on-line, a artesã também comercializa seus produtos presencialmente na Feira Hippie, no Centro de Belo Horizonte, e mantém um ateliê no bairro Alípio de Melo, na região da Pampulha.

Taxas elevadas e dificuldades de acesso

A artesã conta que precisou interromper temporariamente suas atividades na plataforma e, ao retornar em 2023 — justamente após a aquisição do Elo7 pela Enjoei — encontrou um cenário diferente.

“Depois que eu voltei não consegui fazer nenhuma venda apesar de sempre direcionar os clientes para o canal”, afirmou.

Segundo ela, as taxas cobradas passaram a ser mais altas e, nos últimos meses, surgiram também problemas técnicos que dificultaram o acesso à plataforma.

Mileide relata que chegou a receber mensagens de clientes interessados em seus produtos, mas não conseguia acessar o sistema para responder os consumidores ou concluir as vendas.

“Cerca de 80% da renda de muitas pessoas que eu acompanhava pelas redes sociais vinha do Elo7. São muitos artesãos que vendiam com carteira de clientes consolidada. Sem falar das recomendações e das avaliações do site, que davam credibilidade para o trabalho dos profissionais. Sem isso, muitos terão que começar do zero”, destacou.

Artesãos temem dificuldades em grandes plataformas

Para muitos pequenos produtores, a principal preocupação agora é encontrar alternativas viáveis para continuar vendendo pela internet.

De acordo com Mileide, migrar para marketplaces maiores, como Shopee e Shein, representa um desafio significativo para quem trabalha com produção artesanal personalizada.

“Para um artesão migrar para gigantes como Shopee e Shein é mais complicado. O prazo para as entregas, muito imediatos, não são compatíveis com o nosso formato de produção artesanal. Os preços para hospedar os produtos nesses grandes canais também são mais caros”, explicou.

O que diz a Enjoei

Procurada pela reportagem do Diário do Comércio, a Enjoei informou que o encerramento do marketplace dedicado ao artesanato ocorreu “em resposta a um cenário de mercado em constante evolução e crescentes desafios”.

Segundo a empresa, a decisão foi tomada após “análises aprofundadas sobre a dinâmica do setor e os obstáculos enfrentados na construção e engajamento de audiência em um ambiente cada vez mais competitivo”.

A companhia afirmou ainda que mantém suporte para vendedores e consumidores que realizaram transações até a data de encerramento da plataforma e agradeceu à comunidade formada por artesãos, vendedores e compradores ao longo dos anos.

 

Fonte: Com informações do Diário do Comércio.

 

Nossos canais de comunicação:

https://linktr.ee/sulminastv

  

 

Share this post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar para Notícias