Voltar para Notícias

Ministério aprova criação de Centro de Inteligência em Terras Raras em Poços de Caldas

Atualizado em 14/08/2026

 

Centro deverá ser coordenado pelo IFSULDEMINAS e pela Unifal-MG, com pesquisas voltadas ao monitoramento ambiental e ao desenvolvimento da cadeia produtiva dos minerais estratégicos

Carbonato misto de terras raras — Foto: Meteoric/Divulgação

Os impactos da exploração de terras raras no Sul de Minas foram discutidos na manhã desta quinta-feira (13), em Poços de Caldas, durante uma reunião que marcou a etapa final de elaboração de um relatório do governo federal sobre a atividade na região. O documento deve ser divulgado na próxima semana e reúne avaliações técnicas e recomendações, entre elas a criação do Centro de Inteligência em Terras Raras (Citar).

🔎 Terras raras são um conjunto de elementos químicos considerados minerais estratégicos e utilizados na fabricação de tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa.

O relatório é resultado de visitas realizadas em junho por uma comitiva formada por representantes de nove ministérios e outros sete órgãos federais, entre eles o Ibama. Durante dois dias, o grupo percorreu Poços de Caldas, Caldas e Andradas, onde ouviu moradores, representantes do poder público, pesquisadores e empresas interessadas na exploração de terras raras.

Centro será instalado em Poços de Caldas

Um dos desdobramentos anunciados após a reunião foi a aprovação técnica, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da proposta de criação do Centro de Inteligência em Terras Raras (Citar), em Poços de Caldas.

A estrutura deverá ficar sob responsabilidade do Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS) e da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG).

Segundo o diretor do campus de Poços de Caldas do IFSULDEMINAS, Rafael Felipe Coelho Neves, o projeto prevê dois principais eixos de atuação: o monitoramento ambiental e o desenvolvimento da cadeia produtiva das terras raras, com foco na soberania nacional.

“É importante destacar que a ideia geral é que esse centro seja independente, que possa produzir material e pesquisa para subsidiar a tomada de decisão do poder público”, afirmou.

Estudos ambientais

Outro reflexo das visitas da comitiva federal, segundo os participantes da reunião, foi a nota técnica divulgada pelo Ibama nesta semana. O documento recomenda estudos mais completos e integrados sobre os impactos dos projetos de mineração de terras raras previstos para o Planalto de Poços de Caldas.

Para o diretor do campus Poços de Caldas da Unifal-MG, Leonardo Damasceno, o novo centro poderá colaborar na realização desses estudos e contribuir para o desenvolvimento de uma mineração mais sustentável.

“O Citar pode ser um agente de transformação de estudos para a gente ter uma mineração diferente. Não é não minerar, é minerar com mais sustentabilidade, com maior cuidado e com maior também eficiência, mas pensando sempre nos impactos, locais de impacto, no território de impacto e no meio ambiente”, afirmou.

Leonardo também destacou a participação conjunta da Unifal-MG e do IFSULDEMINAS nas discussões. Segundo ele, as duas instituições reúnem cerca de 180 doutores, além de um amplo corpo técnico e acadêmico, o que fortalece a produção de conhecimento para subsidiar o planejamento e a tomada de decisões relacionadas à mineração na região.

Prefeitura pede restrições à mineração próxima de áreas urbanas

Nesta semana, a Prefeitura de Poços de Caldas também anunciou medidas relacionadas à mineração de terras raras no município.

O Executivo encaminhou ofícios à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), solicitando restrições à exploração de terras raras no município.

Entre os principais pedidos está a não autorização de futuras áreas de mineração próximas a bairros da cidade, especialmente na Zona Sul, onde vivem cerca de 60 mil pessoas.

Além do afastamento das cavas das áreas urbanas, o município solicita garantias de preservação da qualidade da água, maior participação dos órgãos técnicos municipais nos processos de licenciamento e que medidas de compensação e contrapartidas dos empreendimentos beneficiem diretamente Poços de Caldas.

O prefeito Paulo Ney (PSD) também informou que encaminhou um documento à Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais solicitando um regime especial de tributação para novas empresas de mineração de terras raras que venham a se instalar no município.

Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Stefano Zincone, a intenção é conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção da população.

“Nós encaminhamos algumas solicitações claras à Feam e à Semad, que são os órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental desses empreendimentos minerários no nosso território, solicitando que as futuras cavas não estejam próximas da zona urbana, que tenha garantias claras de que a qualidade da água não seja afetada e não afete a população, e que as medidas de compensação e contrapartida desse empreendimento fiquem restritas ao nosso município”, afirmou.

Projeto Colossus

Atualmente, a mineradora australiana Viridis está em fase de licenciamento para instalar uma mina de terras raras em uma área de 373 hectares em Poços de Caldas.

O empreendimento fica ao lado de 14 bairros da Zona Sul e, segundo informações do projeto, em alguns pontos as escavações previstas poderão estar a cerca de 300 metros de casas, escolas e hospitais.

Em nota, a Viridis afirmou apoiar a iniciativa da Prefeitura de Poços de Caldas de buscar um regime especial de tributação para ampliar os benefícios econômicos ao município.

A empresa também informou que, por meio da joint venture Viridion, criou um projeto para implantação de um Centro de Refino, Reciclagem e Inovação de Terras Raras em Poços de Caldas, iniciativa que conta com apoio do município, inclusive por meio da disponibilização de área no Distrito Industrial. A companhia também declarou apoiar a estruturação de uma Agência de Promoção de Investimentos.

Segundo a empresa, o desenvolvimento do Projeto Colossus é considerado fundamental para a formação de uma cadeia produtiva de terras raras na região. O projeto já recebeu Licença Prévia, que, de acordo com a Viridis, reconhece sua viabilidade ambiental, e segue avançando nas etapas necessárias para uma futura implantação.

Proximidade com a Zona Sul

Sobre a área prevista para lavra próxima à Zona Sul, a Viridis afirmou que esse trecho está programado para uma etapa posterior do desenvolvimento da mina.

Segundo a empresa, esse planejamento permitirá que, antes do avanço da lavra para essa região, a operação e os sistemas de controle e monitoramento ambiental já estejam estabelecidos e sejam acompanhados ao longo do tempo.

A Viridis também afirmou manter equipes e profissionais que vivem e trabalham em Poços de Caldas e reforçou que segurança, proteção ambiental e respeito às comunidades são premissas para o desenvolvimento do Projeto Colossus.

A empresa declarou ainda manter as portas abertas à comunidade e convidou associações, instituições de ensino, lideranças, moradores e potenciais fornecedores a conhecerem a planta-piloto e o processo de tratamento do minério de terras raras previsto para o projeto.

A companhia reafirmou, por fim, o compromisso com o desenvolvimento do Projeto Colossus, buscando conciliar desenvolvimento econômico, proteção ambiental, segurança das comunidades e uma relação transparente com Poços de Caldas.

 

Fontes: G1, Com informações apresentadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, IFSULDEMINAS, Unifal-MG, Prefeitura de Poços de Caldas e Viridis.

 

Nossos canais de comunicação:

https://linktr.ee/sulminastv

  

 

Share this post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar para Notícias