Minas Gerais tem 21 barragens com risco de acidentes; Caldas concentra duas estruturas sem estabilidade declarada
Atualizado em 09/07/2026
Relatório da ANA aponta que o Estado reúne 10% das barragens prioritárias para gestão de segurança no país; estruturas da INB em Caldas seguem sem declaração de estabilidade

Minas Gerais possui 21 barragens classificadas como prioritárias para gestão de segurança, o equivalente a cerca de 10% das 213 estruturas com risco identificadas em todo o país. Os dados constam no Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
No Sul de Minas, o município de Caldas aparece no relatório com duas estruturas da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) que permanecem sem declaração de estabilidade: a Bacia Nestor Figueiredo e a barragem D4.

Segundo a ANA, o Brasil possui cerca de 14 mil barragens cadastradas, das quais 1.502 estão em Minas Gerais. Entre as 213 estruturas consideradas prioritárias por apresentarem problemas de conservação ou por não atenderem integralmente aos requisitos da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), 21 estão em território mineiro.
Apesar da classificação como prioritárias para gestão de segurança, todas as 21 barragens mineiras constam no relatório com a avaliação “atende” nos critérios de segurança.
Das estruturas mineiras listadas, apenas três não são destinadas à mineração. As demais 18 são utilizadas para armazenamento de rejeitos de minério ou sedimentos.
Acidentes em 2025
O relatório também mostra que, em 2025, foram registrados 18 acidentes e 23 incidentes envolvendo barragens no Brasil, sem vítimas fatais.
Minas Gerais respondeu por sete dos 18 acidentes ocorridos no país, representando 38% do total. As ocorrências provocaram evacuação de áreas urbanizadas e danos em estradas e pontes.
Nos acidentes, houve colapso das estruturas das barragens. Já os incidentes envolveram danos que elevaram o risco de rompimento, mas sem colapso.
Fiscalização continua intensa, mas número de profissionais diminui
Mesmo com a redução do efetivo de fiscalização, Minas Gerais foi um dos estados que mais realizou inspeções presenciais em 2025.
Foram 403 fiscalizações em campo, o equivalente a 14% das 2.924 realizadas no país, ficando atrás apenas do estado de São Paulo.
A ANA, no entanto, alerta para a redução do número de profissionais responsáveis pela fiscalização.
Segundo a agência, pela primeira vez desde o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, houve queda no efetivo nacional.
Atualmente, as 33 instituições fiscalizadoras contam com 333 profissionais atuando na área, sendo 161 dedicados exclusivamente à segurança de barragens e 172 que acumulam essa atividade com outras funções.
Em relação ao ano anterior, houve redução de 23 profissionais. O relatório estima que os órgãos fiscalizadores tenham um déficit mínimo de 221 servidores exclusivos para atender às equipes consideradas ideais.
Estruturas sem estabilidade declarada
Além das estruturas prioritárias, o relatório destaca barragens que permanecem sem declaração de condição de estabilidade (DCE).
A Vale voltou a não atestar a estabilidade de seis barragens no primeiro semestre de 2026:
- Sul Superior, em Barão de Cocais;
- Xingu, em Mariana;
- 7A, em Nova Lima;
- Forquilha I, Forquilha II e Forquilha III, em Ouro Preto.
A ArcelorMittal Brasil também deixou novamente de atestar a estabilidade da barragem Serra Azul, em Itatiaiuçu.
Em Caldas, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) não apresentou declaração de estabilidade para a Bacia Nestor Figueiredo e para a barragem D4.
Outras empresas que haviam apresentado declaração de estabilidade na campanha anterior deixaram de fazê-lo neste semestre. É o caso da Topázio Imperial Mineração, com a barragem Água Fria, em Ouro Preto, e da Extrativa Metalurgia, com a barragem Rejeitos, em Fortaleza de Minas.
Também não enviaram a Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) à Agência Nacional de Mineração (ANM) a Mineração Germinal, responsável pela barragem Água Limpa, em São Tiago, e a Morro Agudo Minerais, pelas barragens 1, 2 e 3, em Paracatu.
Já a Green Metals voltou a não encaminhar a declaração referente à barragem Mãe D’Água, em Nova Era. A Emicon Mineração e Terraplenagem também deixou de enviar as declarações das barragens B1A e Quéias e dos diques B3 e B4, todos localizados em Brumadinho.
Concentração das barragens prioritárias
A maior parte das barragens prioritárias em Minas Gerais está concentrada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nos municípios de Brumadinho, Nova Lima e Itabirito, além da região Central do Estado, especialmente em Ouro Preto, Mariana e Barão de Cocais.
Segundo a ANA, uma barragem é considerada prioritária para gestão de segurança quando apresenta problemas de conservação ou quando o empreendedor responsável não cumpre integralmente os requisitos previstos na Política Nacional de Segurança de Barragens. Entre as atividades econômicas, a mineração concentra o maior número dessas estruturas em todo o país, com 55 barragens classificadas nessa condição.
Fontes: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), por meio do Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), e Diário do Comércio

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