Mais de 6 mil pacientes aguardam por cirurgias eletivas no Sul de Minas e relatam agravamento de problemas de saúde
Atualizado em 29/07/2026
Filas passam de 1,5 mil pessoas em Poços de Caldas; demora para realização dos procedimentos compromete a qualidade de vida de pacientes

Mais de 6 mil pacientes aguardam na fila por cirurgias eletivas em cidades do Sul de Minas. A longa espera tem provocado o agravamento de problemas de saúde e, em alguns casos, levado pacientes a recorrerem ao atendimento particular para conseguir realizar os procedimentos.
Em Poços de Caldas, a maior demanda é por cirurgias vasculares, especialmente para o tratamento de varizes. Atualmente, 437 pacientes aguardam pelo procedimento.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, José Gabriel Pontes Baeta da Costa, a interrupção das cirurgias em anos anteriores contribuiu para o aumento da fila.
Segundo ele, houve um período significativo em que as cirurgias de varizes deixaram de ser realizadas, principalmente entre o fim de 2023, durante 2024 e o início de 2025. O secretário atribui a situação à falta de profissionais e a mudanças em políticas públicas, mas afirma que, atualmente, o município vem retomando os procedimentos com apoio de programas estaduais e federais, como o Valora Minas e o Aqui Tem Especialistas, realizando cirurgias semanalmente para reduzir a demanda.
Espera pode agravar os casos
O cirurgião vascular Alberto Brasil Barbosa Duarte explica que as cirurgias eletivas são procedimentos programados, sem caráter de urgência ou emergência, permitindo planejamento para garantir maior segurança ao paciente.
Apesar disso, o especialista alerta que o adiamento excessivo pode transformar um procedimento inicialmente eletivo em uma situação de urgência, principalmente nos casos de doenças arteriais. No caso das varizes, ele ressalta que se trata de uma doença progressiva, que tende a se agravar com o passar do tempo, aumentando o sofrimento e comprometendo a qualidade de vida dos pacientes.
Pacientes relatam sofrimento
A auxiliar de termalismo Cristiane Aparecida de Moraes Cândido aguarda por uma cirurgia vascular na perna e, recentemente, descobriu que também precisa passar por um procedimento para tratar a síndrome do túnel do carpo.
Ela conta que, após consultas com ortopedistas, foi submetida a exames que confirmaram o diagnóstico. Segundo Cristiane, a eletromiografia necessária para o diagnóstico não é coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem custo elevado e a cirurgia é necessária para evitar o agravamento da lesão, já que o nervo pode sofrer atrofia. Ela afirma que já realizou todos os exames pré-operatórios e aguarda o agendamento pela Secretaria Municipal de Saúde.
Outro relato é o da supervisora de recepção Mariana Ananias. Diagnosticada com endometriose em 2019, ela passou por anos de consultas e exames até receber indicação para cirurgia em junho de 2025. Desde então, espera pela realização do procedimento.
Mariana afirma que não recebe informações sobre o andamento da fila. Segundo ela, ao procurar a Secretaria de Saúde, é orientada a buscar o Programa de Saúde da Família (PSF), que informa já ter encaminhado toda a documentação necessária. A paciente relata que a cirurgia representa uma oportunidade de aliviar dores intensas na região lombar, pélvica e abdominal, além do inchaço constante, melhorando significativamente sua qualidade de vida.
Filas na região
Além de Poços de Caldas, outras cidades da região também enfrentam grande demanda por cirurgias eletivas. Em Varginha, a fila ultrapassa 2,7 mil pacientes. Em Passos, são mais de 1,7 mil pessoas aguardando pelos procedimentos. Em Poços de Caldas, o total de pacientes na fila supera 1,5 mil.
A demora na realização das cirurgias tem preocupado pacientes e profissionais de saúde, que alertam para o risco de agravamento das doenças e para os impactos na qualidade de vida daqueles que aguardam atendimento.
Fonte: Com informações do G1.

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