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Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado em todo o país

Atualizado em 12/09/2026

 

Paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na quinta-feira (10)

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado em todo o país. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10), após as negociações entre a categoria e a empresa terminarem sem acordo.

A decisão foi divulgada pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), que informou a adesão de sindicatos de diferentes estados e regiões do país.

Segundo a federação, a paralisação representa uma nova etapa da campanha salarial, depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Um dos principais pontos de divergência é o plano de saúde dos empregados. De acordo com a Findect, a direção dos Correios pretende promover mudanças no benefício, questão considerada fundamental pela categoria.

Ainda segundo a entidade, os trabalhadores buscaram uma solução negociada, mas não houve avanço suficiente para evitar a greve.

Correios adotam plano para reduzir impactos

Em nota, os Correios informaram que colocaram em execução um Plano de Continuidade de Negócios diante da paralisação anunciada pelas entidades sindicais.

Entre as medidas previstas estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de ações logísticas específicas para tentar preservar a regularidade das entregas em todo o país.

A empresa afirmou que esteve empenhada na construção de uma solução negociada e apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente.

A proposta incluía reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.

Os Correios também reafirmaram o compromisso com a valorização dos trabalhadores e com a continuidade dos serviços postais.

Funcionamento dos serviços

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), Tony Sérgio, durante a paralisação estão funcionando apenas os serviços administrativos internos.

Até o momento, não há informações sobre o funcionamento desses serviços nas demais regiões.

Greve ocorre em meio à crise financeira dos Correios

A paralisação ocorre em um momento de grave dificuldade financeira enfrentado pelos Correios. A estatal acumula 15 trimestres consecutivos com resultados negativos.

No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões. Apesar do resultado, o prejuízo do segundo trimestre foi menor do que o registrado nos dois períodos anteriores: o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025.

O resultado representa um movimento de recuperação em relação aos períodos anteriores, embora a situação financeira da empresa continue sendo considerada crítica. No primeiro trimestre deste ano, os Correios registraram prejuízo recorde.

A empresa também aguarda um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, com expectativa de recebimento até 15 de setembro. O financiamento deverá ser contratado com garantia do Tesouro Nacional e envolver um consórcio formado por instituições financeiras, entre elas o Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul.

No fim de 2025, os Correios haviam recebido R$ 12 bilhões em empréstimos.

Greve pode afetar plano de recuperação

A greve também ocorre enquanto os Correios buscam colocar em prática um plano de recuperação financeira que prevê, entre outras medidas, uma economia de R$ 700 milhões por ano a partir de 2027.

Uma das ações relacionadas a essa previsão envolve a assistência à saúde dos empregados. Na proposta apresentada aos trabalhadores, a empresa prevê a criação de um grupo para estudar alternativas ao modelo atual do plano de saúde.

O grupo teria até 120 dias para apresentar uma conclusão, mas esse prazo começaria a contar somente após a assinatura do acordo coletivo.

A alteração no modelo de assistência à saúde é apontada como uma das medidas que poderiam contribuir para a redução de despesas a partir de 2027.

O plano de recuperação é acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A Corte já havia feito ressalvas em relação à projeção de economia, indicando que o valor estimado não estava amparado por estudos atuariais no momento da análise.

O TCU também alertou para os riscos fiscais relacionados a um eventual descumprimento significativo do plano de recuperação e determinou o acompanhamento de sua execução.

Entidades que aderiram à greve

Entre os sindicatos e entidades que informaram adesão à paralisação estão:

  • SINTECT-AC (Acre) — assembleia prevista para sexta-feira (12)
  • SINTECT-AL (Alagoas)
  • SINTECT-AM (Amazonas)
  • SINTECT-AP (Amapá)
  • SINTECT-BA (Bahia)
  • SINTECT-CAS (Campinas)
  • SINTECT-CE (Ceará)
  • SINTECT-DF (Distrito Federal)
  • SINTECT-ES (Espírito Santo)
  • SINTECT-GO (Goiás)
  • SINTECT-JFA (Juiz de Fora)
  • SINTECT-MG (Minas Gerais)
  • SINTECT-MT (Mato Grosso)
  • SINTECT-RO (Rondônia)
  • SINCORT-PA (Pará)
  • SINTECT-PB (Paraíba)
  • SINTECT-PE (Pernambuco)
  • SINTECT-PI (Piauí)
  • SINTCOM-PR (Paraná)
  • SINTECT-RN (Rio Grande do Norte)
  • SINTECT-RR (Roraima)
  • SINTECT-RPO (Ribeirão Preto)
  • SINTECT-RS (Rio Grande do Sul)
  • SINTECT-SC (Santa Catarina)
  • SINTECT-SE (Sergipe)
  • SINTECT-SJO (São José do Rio Preto)
  • SINTECT-SMA (Santa Maria)
  • SINTECT-TO (Tocantins)
  • SINTECT-URA (Uberaba)
  • SINTECT-VP (Vale do Paraíba)
  • SINDECTEB (Bauru e região)
  • SINTECT-MA (Maranhão)
  • SINTECT-MS (Mato Grosso do Sul)
  • SINTECT-RJ (Rio de Janeiro)
  • SINTECT-Santos (Santos e região)
  • SINTECT-SP (São Paulo)

O que dizem os Correios

Em posicionamento sobre a greve, os Correios afirmaram que executam o Plano de Continuidade de Negócios para garantir a manutenção dos serviços e minimizar eventuais impactos aos clientes.

A empresa informou que as medidas incluem o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e ações logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país.

Os Correios também destacaram que apresentaram uma proposta com 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos previstos estão o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, a partir de 1º de agosto, e a manutenção da assistência à saúde dos empregados.

A estatal afirmou ainda que mantém o compromisso com a valorização dos empregados e com a continuidade da prestação dos serviços postais à população brasileira.

 

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