Gerente é preso após operação identificar suspeita de fraude em posto de combustíveis na divisa entre Poços de Caldas e Águas da Prata
Atualizado em 10/06/2026

Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (IPEM-SP) identificou indícios de fraude em um posto de combustíveis localizado na Rodovia Deputado Januário Mantelli Neto (SP-215), na região do Marco Divisório, entre Poços de Caldas (MG) e Águas da Prata (SP). A ação, realizada na terça-feira (9), resultou na prisão em flagrante de um gerente de 27 anos e na interdição parcial do estabelecimento.
A fiscalização foi desencadeada após diversas denúncias relacionadas à quantidade e à qualidade dos combustíveis comercializados no local. Policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de São João da Boa Vista e fiscais do IPEM-SP foram até o posto para apurar as suspeitas.
Ao chegarem ao estabelecimento, os policiais localizaram o gerente no escritório administrativo. Durante a abordagem, nenhum material ilícito foi encontrado com ele, mas seu telefone celular foi apreendido para auxiliar nas investigações.
Diferenças nos volumes entregues aos consumidores
Durante os testes realizados pelos fiscais do IPEM-SP, foram constatadas irregularidades na quantidade de combustível efetivamente fornecida aos consumidores em comparação com o volume registrado nas bombas.
Segundo a fiscalização, em uma das ilhas de abastecimento foi identificada uma diferença de 1.447 mililitros a cada 20 litros de gasolina comercializados. Em outra ilha, a divergência chegou a 1.428 mililitros para cada 20 litros de gasolina comum abastecidos, gerando prejuízo aos consumidores.
De acordo com a Polícia Civil, enquanto a fiscalização ocorria, o gerente que estava em outro ponto do empreendimento atravessou a rodovia e dirigiu-se ao local onde os testes estavam sendo realizados.

Durante novas verificações, os fiscais observaram uma mudança inesperada nos resultados: as bombas passaram a registrar volume superior ao devido, favorecendo os consumidores. A alteração repentina levantou suspeitas sobre a existência de dispositivos eletrônicos capazes de interferir no funcionamento dos equipamentos.
Componentes eletrônicos apreendidos
Diante da suspeita, a Perícia Científica foi acionada para acompanhar os trabalhos. Técnicos coletaram amostras dos combustíveis para análise laboratorial, com o objetivo de verificar se os produtos atendem às especificações exigidas pelos órgãos reguladores.
Além disso, os fiscais do IPEM-SP apreenderam componentes eletrônicos encontrados nas bombas. Os equipamentos serão submetidos a exames no laboratório antifraude do instituto, em São Paulo.
Ao todo, cinco ilhas de abastecimento foram interditadas, totalizando 26 bicos bloqueados para uso. Apesar da interdição parcial, o posto continua funcionando com os equipamentos que não foram alvo da medida.
Prisão em flagrante
Após a conclusão dos trabalhos periciais, o gerente foi encaminhado para atendimento médico de praxe e, posteriormente, levado à delegacia, onde foi autuado em flagrante por crime contra as relações de consumo.
Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos durante a operação apontam para a prática de fraude por alteração do volume de combustível fornecido, em prejuízo direto aos consumidores.
O homem foi transferido para a Cadeia Pública de São João da Boa Vista, onde permaneceu à disposição da Justiça aguardando audiência de custódia.
Pedido de suspensão das atividades
Além da prisão, a Polícia Civil solicitou ao Poder Judiciário a aplicação de medida cautelar para suspender as atividades do posto até que seja comprovada a regularização dos equipamentos e a conformidade dos combustíveis junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e ao IPEM-SP.
As investigações prosseguem para apurar a extensão da suposta fraude, identificar possíveis envolvidos e verificar eventuais responsabilidades administrativas e criminais relacionadas ao caso.

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