Ex-escrivão da Polícia Civil é condenado a 15 anos de prisão por morte de músico em Poços de Caldas
Atualizado em 13/08/2026
Thiago Galvão Bernardes foi considerado culpado pelo homicídio qualificado de Yuri Antônio Gonçalves Vilas Boas em novo júri popular realizado dez anos após o crime

O ex-escrivão da Polícia Civil Thiago Galvão Bernardes foi condenado nesta quinta-feira (13) a 15 anos de prisão, em regime fechado, pelo homicídio qualificado do músico Yuri Antônio Gonçalves Vilas Boas, em Poços de Caldas.
Thiago respondeu por homicídio qualificado, sob a acusação de ter utilizado recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual, por supostamente ter alterado a cena do crime após o disparo.
O júri popular começou por volta das 8h30. O conselho de sentença foi formado por cinco homens e duas mulheres. Durante a manhã, foram ouvidas testemunhas e o réu. Na sequência, tiveram início os debates, começando pela acusação.
Mãe da vítima acompanhou julgamento
A mãe do músico, Elisa Helena Vilas Boas, acompanhou o julgamento e afirmou que esperava que a longa espera da família pudesse se transformar em justiça.
“A cicatriz que já estava feita sangra novamente. Qualquer sentença que sair hoje não vai trazer meu filho de volta, não vai apagar a dor que a gente está vivendo nesses dez anos. Nada do que sair daqui vai alterar essa parte da gente, mas eu espero que esse momento de hoje seja feito com muita responsabilidade, com muita sabedoria, serenidade, que mostre o respeito que uma vida humana tem. É isso que a gente busca: a valorização da vida humana”, afirmou.
Crime aconteceu em 2016

Segundo a denúncia, o crime ocorreu em maio de 2016. Na época, Thiago Galvão era escrivão da Polícia Civil e estava em um apartamento com Yuri Antônio Gonçalves Vilas Boas e outra pessoa, onde os envolvidos consumiam bebidas alcoólicas.
Ainda conforme a denúncia, Thiago efetuou um disparo que atingiu o músico, que morreu no local.
Uma testemunha relatou à polícia que o então escrivão sacou a arma e atirou aparentemente sem motivo. Após o disparo, o proprietário do apartamento deixou o local e acionou o socorro.
Quando os policiais chegaram, Yuri já estava morto. Thiago foi encontrado ao lado do corpo, confuso e com sinais de embriaguez.
Primeiro julgamento foi anulado
Dois anos após a morte do músico, Thiago foi submetido a júri popular pela primeira vez. Na ocasião, a defesa sustentou que o disparo havia sido acidental.
Os jurados desclassificaram a acusação de homicídio doloso. Com a decisão, Thiago foi condenado a dois anos, um mês e 12 dias de prisão.
Como já estava preso desde 2016, ele foi colocado em liberdade após o julgamento.
O Ministério Público recorreu da decisão, alegando que ela era contrária às provas reunidas no processo. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais anulou o primeiro julgamento e determinou a realização de um novo júri.
A realização do segundo julgamento ocorreu oito anos depois, após uma série de recursos apresentados pela defesa.
Ex-policial foi exonerado
Thiago Galvão trabalhava na Delegacia de Cabo Verde, no Sul de Minas, quando foi preso em flagrante após o crime.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que ele foi exonerado da instituição em agosto de 2021.
No novo julgamento, realizado nesta quinta-feira (13), dez anos após a morte de Yuri, o conselho de sentença considerou Thiago Galvão Bernardes culpado pelo homicídio qualificado. A pena estabelecida foi de 15 anos de prisão em regime fechado.
Fonte: Com informações de G1.

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