DMAE descarta desassoreamento da Represa Saturnino de Brito e prioriza integração do sistema de abastecimento
Atualizado em 26/05/2026
Autarquia afirma que intervenção teria custo elevado e impacto limitado; obras previstas no Plano Diretor são apontadas como solução mais eficiente para reforçar a segurança hídrica do município

O Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) informou que não há planejamento nem previsão orçamentária para a realização de um desassoreamento integral da Represa Saturnino de Brito, em Poços de Caldas. A informação consta em resposta ao Requerimento de autoria do vereador Ricardo Sabino dos Santos.
No documento encaminhado à Câmara Municipal, o diretor-presidente do DMAE, Paulo César Silva, afirma que estudos técnicos apontam que a alternativa mais eficiente para ampliar a segurança hídrica do município é a integração operacional do sistema de abastecimento, por meio de obras estruturantes previstas no Plano Diretor de Água.
Represa tem função de amortecimento de cheias
Segundo o DMAE, a Represa Saturnino de Brito é monitorada periodicamente e possui como principal função o amortecimento de cheias.
A autarquia utiliza como referência os estudos do Plano Diretor de Água e Esgoto, elaborado pela empresa Hidros, além de levantamentos técnicos complementares realizados nos últimos anos.
O documento informa que a capacidade máxima estimada da represa é de aproximadamente 235 milhões de litros, na cota 1256,21.
Apesar disso, o DMAE avalia que um eventual desassoreamento teria impacto limitado na capacidade hídrica efetiva da microbacia contribuinte, especialmente em períodos prolongados de estiagem.
Sistema da Represa do Cipó é apontado como mais eficiente
Na resposta enviada ao Legislativo, o DMAE destaca que a Represa Saturnino de Brito possui vazão regularizada aproximada de 107 litros por segundo.
Já o Sistema ETA V, abastecido pela Represa do Cipó, opera com vazão regularizada de aproximadamente 2,3 metros cúbicos por segundo, considerada significativamente superior para garantir a segurança hídrica do município.
Segundo a autarquia, o Plano Diretor de Água aponta como principal solução estrutural a implantação da Estação Elevatória e da Linha de Recalque da Zona Leste, interligando a ETA V à ETA III e ao Reservatório Morro do Chapéu.
O objetivo, conforme o documento, é ampliar a integração operacional do sistema de abastecimento, utilizando a maior capacidade hídrica da Represa do Cipó em períodos críticos de estiagem, reforçando o abastecimento da cidade.
Desassoreamento não está previsto
O DMAE informou ainda que não há previsão de execução de um desassoreamento integral da represa.
Segundo a autarquia, estudos anteriores estimaram que a intervenção demandaria investimentos na ordem de R$ 8 milhões, com ganho considerado limitado diante do alto custo de implantação e manutenção periódica.
O documento também esclarece que o último desassoreamento realizado no local ocorreu sob responsabilidade do DME, proprietário da estrutura.
Recentemente, o DMAE executou serviços de limpeza e manutenção dos canais do Ribeirão Ponte Alta, com o objetivo de melhorar o escoamento e a contribuição hídrica ao reservatório.
Obras e ações para segurança hídrica
Entre as medidas adotadas para fortalecer a segurança hídrica municipal, o DMAE cita:
- monitoramento contínuo dos mananciais e reservatórios;
- limpeza e manutenção dos canais do Ribeirão Ponte Alta;
- ações ambientais e recuperação do entorno da Represa Saturnino de Brito por meio do PACUERA;
- início da duplicação parcial da adutora de água bruta, com investimento estimado em R$ 5,2 milhões com recursos próprios;
- busca de recursos para implantação da Estação Elevatória e Linha de Recalque da Zona Leste.
Segundo o DMAE, atualmente não há risco iminente de comprometimento do abastecimento devido exclusivamente às condições da Represa Saturnino de Brito, e o sistema segue sendo monitorado continuamente pelas equipes técnicas da autarquia.

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