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Caldense rebaixada novamente – uma tragédia anunciada

Atualizado em 12/07/2026

 

Por Ailton Fonseca

O torcedor parece não acreditar. A imprensa parece buscar os vocabulários para expressar o espanto por ver a outrora campeã mineira da principal divisão, acordar na última prateleira das competições do futebol estadual. Os últimos quatro anos foram absolutamente sem expressão para a dignidade de quem conheceu o patamar mais alto das disputas da Federação Mineira de Futebol.

Afinal, a Caldense houvera sido campeã em 2002 e, só não repetiu no feito em 2015 porque um erro do assistente Guilherme Dias Camilo não assinalou um impedimento do atacante Jô, que faria o gol da vitória por 2 x 1 sobre uma Caldense ainda invicta naquele campeonato. Se o VAR já tivesse sido inventado, Poços de Caldas teria um time bicampeão mineiro.

Os últimos quatro anos estão no “calendário da bola” para o torcedor esmeraldino esquecer. Em 2023 a Caldense caiu para o Módulo II, que na expressão popular é conhecida como Segunda Divisão. A partir de 2024 a Veterana passou a “flertar” com a Segundona, que na verdade é a terceira e última divisão do calendário mineiro.

Em 24 e 25 o time chegou à última rodada da fase classificatória, precisando, desesperadamente, de uma vitória e uma combinação de resultados para não cair. E, não caiu. Mas desta feita a Caldense chegou à última rodada, carregando na bagagem um tema de filme: “A Espera de Um Milagre”. E ele não veio.

Era, portanto, uma tragédia anunciada. E que aconteceu no caminho inverso dos últimos acontecimentos que envolvem os clubes que têm calendário cheio, ou seja, competições durante o ano todo. Afinal, as cotas da Copa do Brasil e do próprio Brasileiro da Série D estão cada vez mais “polpudas”. Mas só participam da Copa do Brasil e da Série D os times que bucam vaga nas disputas do Módulo I do Campeonato Mineiro. E esse caminho está cada vez mais distante dos propósitos da Caldense.

Para que tenhamos uma ideia do prejuízo, a Veterana – se não perder nenhuma passada – terá que disputar a Segunda Divisão em 2027; o Módulo II em 2028; e o Módulo I em 2029, para tentar conquistar vagas para a Copa do Brasil e a Série D em 2030. Muitos dos torcedores nem verão mais essa realidade acontecer.

O lamentável dessa história é que o clube surgiu do futebol. Foram os primeiros campos elaborados no antigo “Cristiano Osório”, que propiciaram o surgimento do futebol profissional e, como consequência o clube espetacular que foi sendo moldado nesses anos todos.

A Caldense vai precisar, agora, de muita luta para o recomeço. A elaboração de um plano de trabalho que, necessariamente, passe pela formação de categorias de base. E para isso o próprio Governo Federal propicia ideias. O clube vai precisar de parceiros comerciais e investidores (tarefa muito mais difícil numa divisão sem apelo comercial, como a “Terceira Mineira”).

O caminho do futebol da Caldense tem que ser exatamente o inverso do que aconteceu nos últimos quatro anos, ou seja: “do fundo do poço para a glória”, que um dia fez nascer um dos clubes mais respeitados de Minas Gerais.

 

 

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