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Análises do Ministério da Agricultura apontam irregularidades em azeites vendidos como extravirgem no Brasil

Atualizado em 12/08/2026

Laudos produzidos em laboratório oficial identificaram produtos classificados como azeite virgem e, em alguns casos, como lampante

Foto: Freepik.

Análises sensoriais realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em azeites comercializados no Brasil colocaram em evidência a qualidade de produtos vendidos aos consumidores com a classificação de extravirgem.

Os exames foram realizados em cumprimento a uma determinação judicial no âmbito de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), em São Paulo, contra o Ministério da Agricultura e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A ação investiga possíveis fraudes no mercado de azeites extravirgens comercializados no país e busca medidas para ampliar o controle sobre produtos importados, tanto a granel quanto já envasados.

Segundo os laudos mencionados no processo, produtos comercializados como extravirgem de marcas como Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour apresentaram características compatíveis com a classificação de azeite virgem.

Já produtos das marcas Costa D’Oro e Terras de Camões teriam sido classificados pelo laboratório oficial como azeite lampante. Essa categoria corresponde a um óleo que não atende aos padrões para consumo direto e necessita passar por processos adequados antes de ser destinado à alimentação.

Questionamentos sobre qualidade

Na avaliação apresentada pela Procuradoria, os resultados levantam questões que vão além da rotulagem e da composição dos produtos. O órgão aponta preocupação com a possibilidade de produtos classificados como lampantes serem comercializados ao consumidor como azeite.

A análise também reacendeu o debate sobre a fiscalização e o controle de qualidade dos azeites importados vendidos no mercado brasileiro.

O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) defende o reforço da fiscalização sobre os produtos comercializados como extravirgem, especialmente os importados. Para a entidade, a classificação indicada no rótulo deve corresponder às características efetivamente apresentadas pelo produto.

Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, os resultados estariam de acordo com denúncias anteriormente apresentadas pela instituição, que representa produtores brasileiros.

“Os laudos técnicos confirmam denúncias feitas reiteradamente pela instituição”, afirmou Obino.

Segundo ele, parte dos produtos comercializados no Brasil apresentaria características de azeites antigos ou com defeitos, que não poderiam ser comparados aos extravirgens de maior qualidade produzidos no país.

O presidente do instituto também relacionou a diferença de preços entre determinados produtos importados e azeites brasileiros à qualidade dos produtos. Ele mencionou características como ranço, mofo e ausência de atributos frutados, além da possibilidade de longos períodos de armazenamento.

Ministério afirma que resultados ainda são preliminares

O Ministério da Agricultura e Pecuária divulgou, no fim da tarde de quinta-feira (6), um comunicado para esclarecer informações que começaram a circular após a divulgação de notícias relacionadas à ação civil pública.

De acordo com a pasta, os resultados citados são preliminares e ainda não têm caráter conclusivo. Os exames foram realizados em cumprimento à determinação judicial e fazem parte do processo de investigação conduzido no âmbito da ação movida pelo Ministério Público Federal.

O Mapa ressaltou que as empresas responsáveis pelos produtos têm direito à realização de análises periciais e contraprovas, conforme estabelecido pela legislação.

Por essa razão, o ministério informou que não divulgou oficialmente os resultados das análises nem a identificação de eventuais marcas envolvidas, uma vez que os dados ainda passam por etapas de validação técnica e administrativa.

Segundo a pasta, as informações disponíveis até o momento dizem respeito à classificação dos produtos em relação aos padrões de identidade e qualidade. O ministério afirmou que essa classificação, isoladamente, não indica risco à saúde pública.

Ainda conforme o comunicado, caso seja identificada qualquer situação que represente risco aos consumidores, as medidas de fiscalização e comunicação previstas na legislação serão adotadas imediatamente.

O Mapa afirmou, por fim, que mantém o compromisso com a transparência, a segurança dos alimentos e a proteção dos consumidores e que informações oficiais serão divulgadas somente após a conclusão de todas as etapas previstas na legislação e a validação definitiva dos resultados.

 

Fonte: Com informações de CNN.

 

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