Viridis inaugura centro de pesquisa e processamento de terras raras em Poços de Caldas
Atualizado em 29/05/2026

A mineradora australiana Viridis Mining & Minerals, por meio de sua subsidiária brasileira, inaugurou nesta quinta-feira (28) o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), em Poços de Caldas. Instalada no Distrito Industrial da cidade, a unidade é considerada uma das maiores plantas-piloto do gênero no mundo fora da China e representa um novo avanço do Projeto Colossus, iniciativa voltada à extração e ao processamento de terras raras no Brasil.
Com investimento aproximado de R$ 25 milhões, o centro ocupa uma área de 5 mil m² e tem capacidade para processar 100 quilos de minério por hora, além de produzir até 2.920 quilos de carbonato misto de terras raras por ano. A operação comercial da companhia está prevista para começar em 2028.
Estrutura vai validar tecnologia e reduzir riscos do projeto

Segundo a empresa, o CPTR funcionará como uma planta de demonstração tecnológica, permitindo testar, validar e aperfeiçoar os processos que serão utilizados futuramente na operação comercial do Projeto Colossus. A estrutura também auxiliará no desenvolvimento de protocolos ambientais, processos de segurança operacional e ações junto às comunidades e órgãos reguladores, contribuindo para a redução de riscos técnicos e operacionais e para o avanço do licenciamento ambiental.
“O centro representa a validação, em nível de demonstração, da tecnologia que vai definir o processamento de terras raras do Projeto Colossus. Mais do que uma planta-piloto, trata-se de uma prova concreta de que a Viridis consegue operar e processar argilas iônicas, reduzindo riscos técnicos e operacionais”, afirmou o diretor-executivo da Viridis, José Marques Braga Junior.
Ainda de acordo com Braga Junior, o principal objetivo da planta é tecnológico e científico.
“O cunho principal dessa planta é tecnológico e científico, para demonstrar que a gente tem capacidade de produzir um produto de alto valor agregado, para aperfeiçoar o nosso processo e para formar mão de obra”, destacou.
Produção de material estratégico para a transição energética
O CPTR permitirá à Viridis produzir carbonato misto de terras raras (MREC, na sigla em inglês), produto considerado estratégico para cadeias globais ligadas à transição energética e à fabricação de tecnologias avançadas, como superímãs utilizados em veículos elétricos e equipamentos eletrônicos.
Segundo o CEO da Viridis, Rafael Moreno, a produção do primeiro lote de MREC comprova a eficiência do fluxograma desenvolvido para o Projeto Colossus.
“A produção do primeiro lote de MREC no Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras comprova a eficiência e a simplicidade do fluxograma de processamento desenvolvido para o Projeto Colossus. Essa estrutura fortalece a competitividade global da Viridis em termos de custos operacionais e reforça seu potencial para redefinir a curva de custos do mercado de terras raras”, afirmou.
Moreno ressaltou ainda que o projeto reforça a posição da empresa na nova cadeia global de suprimento de minerais críticos.
“Mais do que um marco operacional, a Viridis passa agora a produzir, em sua própria planta-piloto, um produto de alta qualidade, rico em terras raras usadas na produção de superímãs. Este resultado reforça a relevância estratégica do Projeto Colossus na nova cadeia global de suprimento de minerais críticos e evidencia a solidez da plataforma técnica, operacional e de inovação construída pela Viridis”, completou.
Geração de empregos e formação de mão de obra
Além do impacto industrial e tecnológico, o centro deverá gerar mais de 100 empregos diretos e indiretos, incluindo vagas para técnicos, pesquisadores, profissionais de laboratório, operadores e equipes de gestão.
A empresa também prevê parcerias com universidades e instituições de ensino, com foco na formação de mão de obra especializada e no desenvolvimento de pesquisas aplicadas voltadas ao setor de minerais estratégicos.
A expectativa é que Poços de Caldas se consolide como um polo nacional de capacitação e desenvolvimento tecnológico ligado à cadeia de terras raras, considerada essencial para o avanço da transição energética global.
Minas Gerais e o mercado de minerais críticos
Durante a inauguração, o diretor da Invest Minas, Ronaldo Barquette, destacou o papel estratégico do Estado no mercado global de minerais críticos.
“Consolida Minas Gerais como protagonista dessa transformação do cenário global de processamento de minerais estratégicos. Nós não temos minerais portadores de futuro, nós temos minerais portadores de presente. A revolução está aí acontecendo com os minerais críticos, com as terras raras, e nós precisamos estar junto com o desenvolvimento mundial”, afirmou.

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