Viridis assina contrato de R$ 3,97 milhões com a DME para garantir fornecimento de energia ao Projeto Colossus em Poços de Caldas
Atualizado em 06/06/2026

A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals anunciou a assinatura de seu primeiro grande contrato de execução para o Projeto Colossus, empreendimento de terras raras localizado em Poços de Caldas. O acordo, firmado com a DME, prevê investimentos de aproximadamente R$ 3,97 milhões na implantação da infraestrutura elétrica necessária para conectar o complexo minerador diretamente à rede elétrica brasileira.
O contrato representa um dos principais marcos da fase de desenvolvimento do projeto e, segundo a companhia, reduz significativamente os riscos para o início das operações, previsto para o primeiro semestre de 2028.
Infraestrutura elétrica dedicada
O acordo garante toda a infraestrutura necessária para o fornecimento de energia ao empreendimento e inclui o licenciamento, engenharia, aquisição de equipamentos e construção de uma linha de transmissão exclusiva de alta tensão.
A conexão será feita por meio de uma linha de 138 kV com aproximadamente 3,2 quilômetros de extensão, ligando a Subestação Saturnino ao Projeto Colossus. A estrutura permitirá que a operação tenha fornecimento de energia dedicado, considerado essencial para o funcionamento da futura mina e da planta de processamento.
Além da construção da linha, a Viridis assegurou uma reserva inicial de 27 megawatts (MW) de potência elétrica para abastecer a primeira fase da operação.
O que significa o modelo “chave na mão”
A implantação da infraestrutura será realizada pela DME no modelo turnkey, também conhecido como “chave na mão”.
Nesse formato de contratação, uma única empresa assume integralmente todas as etapas do empreendimento, desde os processos de licenciamento e elaboração dos projetos de engenharia até a aquisição dos equipamentos, construção, testes e energização do sistema.
Ao final do processo, a infraestrutura é entregue pronta para operar, restando ao cliente apenas iniciar sua utilização. O modelo é amplamente empregado em grandes projetos industriais e de infraestrutura por reduzir a complexidade da gestão e concentrar a responsabilidade técnica em um único executor.
Segundo a Viridis, essa estrutura contratual reduz riscos de execução e de integração entre diferentes fornecedores, contribuindo para maior previsibilidade de custos e prazos.
Energia garantida a partir de 2027
De acordo com o cronograma divulgado pela empresa, a capacidade de energia reservada estará disponível a partir de dezembro de 2027, atendendo ao planejamento de implantação do Projeto Colossus.
Outro destaque do contrato é o valor fixo de aproximadamente R$ 3,97 milhões para a execução das obras. Segundo a mineradora, o modelo protege o empreendimento contra oscilações nos custos de engenharia, materiais e construção ao longo da execução.
A DME também já iniciou os processos de aquisição dos chamados equipamentos de longo prazo de entrega, componentes que normalmente exigem meses para fabricação e fornecimento. A medida busca minimizar riscos relacionados à cadeia global de suprimentos e garantir o cumprimento do cronograma.
Estrutura preparada para expansão
Embora a reserva inicial seja de 27 MW, a infraestrutura está sendo projetada para suportar até 90 MVA de capacidade.
Na prática, isso significa que o sistema poderá atender futuras ampliações da operação sem a necessidade de investimentos significativos em novas estruturas de transmissão e subestações.
A empresa considera esse planejamento estratégico para acompanhar o crescimento do projeto nos próximos anos.
Projeto avança em várias frentes
O anúncio ocorre em um momento de avanço das atividades relacionadas ao Projeto Colossus.
Recentemente, a Viridis protocolou o pedido de Licença de Instalação (LI), colocou em operação uma planta de demonstração avaliada em cerca de R$ 25 milhões em Poços de Caldas e anunciou uma parceria estratégica com a multinacional química francesa Solvay.
A companhia também informou que já recebeu propostas para outros pacotes importantes de infraestrutura, incluindo transformadores de potência, salas elétricas e instalações ligadas à futura planta de processamento.
As negociações com a Solvay seguem em andamento e a expectativa da empresa é avançar para um acordo definitivo de fornecimento e cooperação técnica nos próximos meses.
Produção prevista para 2028
Em comunicado aos investidores, o diretor-presidente da Viridis, Rafael Moreno, afirmou que a assinatura do contrato representa a transição do projeto da fase de desenvolvimento para a fase de execução.
Segundo ele, a garantia de fornecimento de energia é um requisito fundamental para a implantação de um empreendimento de mineração desse porte e fortalece o cronograma que prevê a Decisão Final de Investimento (FID) no segundo semestre de 2026.
“A execução deste acordo marca um importante marco para a Viridis. Ao assegurar infraestrutura elétrica dedicada e a capacidade necessária para a primeira fase do Colossus, reduzimos significativamente os riscos de implantação e criamos uma base sólida para futuras expansões”, destacou o executivo.
Terras raras para a transição energética
Considerado um dos mais importantes projetos de terras raras em desenvolvimento no Brasil, o Colossus pretende produzir minerais estratégicos utilizados em setores de alta tecnologia e energia limpa.
Entre os elementos presentes nas argilas iônicas do depósito estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, matérias-primas fundamentais para a fabricação de motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias ligadas à transição energética global.
Com a assinatura do contrato de conexão elétrica, a Viridis dá mais um passo rumo à implantação do empreendimento em Poços de Caldas, reforçando a meta de iniciar a produção comercial no primeiro semestre de 2028.

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