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Vacina contra HPV elimina mortes por câncer de colo do útero entre jovens imunizadas na Inglaterra, aponta estudo

Atualizado em 19/06/2026

Foto: Prevcenter.

Pela primeira vez, nenhuma mulher entre 20 e 24 anos morreu de câncer de colo do útero no período analisado; pesquisadores afirmam que vacinação salva vidas

Um estudo publicado nesta quinta-feira (18) na revista científica The Lancet revelou um resultado considerado histórico no combate ao câncer de colo do útero. Entre os anos de 2020 e 2024, nenhuma mulher com idade entre 20 e 24 anos morreu da doença na Inglaterra, faixa etária que recebeu ampla cobertura da vacina contra o HPV durante a adolescência.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores do Cancer Research UK e da Queen Mary University of London, é a primeira a demonstrar de forma direta o impacto da vacinação na redução da mortalidade causada pelo câncer de colo do útero.

Segundo os cientistas, a vacina contra o HPV reduziu a praticamente zero o risco de morte pela doença antes dos 30 anos entre as mulheres que foram imunizadas aos 12 e 13 anos de idade.

Cerca de 200 mortes foram evitadas

Os pesquisadores estimam que aproximadamente 200 mortes foram evitadas desde a introdução do programa de vacinação contra o HPV na Inglaterra.

O estudo aponta que, sem a vacinação, seriam esperadas 23 mortes por câncer de colo do útero entre mulheres de 20 a 24 anos no período de 2020 a 2024. Como cerca de 90% das jovens dessa faixa etária receberam a vacina na adolescência, nenhum óbito foi registrado.

Os dados também mostram que, entre 2015 e 2019, já havia sido observada uma redução de 80% nas mortes pela doença entre mulheres jovens.

Para Michelle Mitchell, diretora-geral do Cancer Research UK, os resultados reforçam a importância da imunização.

“Sabemos que a vacina contra o HPV é extremamente eficaz para prevenir o câncer de colo do útero antes que ele se desenvolva e, pela primeira vez, esses resultados mostram que ela salva vidas”, afirmou.

Vacinação começou em 2008

Na Inglaterra, a vacinação contra o HPV foi implantada para meninas em 2008. Já os meninos passaram a ser incluídos no programa nacional em 2019.

Os resultados fortalecem a expectativa das autoridades de saúde britânicas de eliminar gradualmente o câncer de colo do útero como problema de saúde pública nas próximas décadas.

O que é o HPV?

O HPV (papilomavírus humano) é uma infecção viral transmitida principalmente por contato sexual. Na maioria dos casos, o vírus não apresenta sintomas, mas algumas cepas podem provocar verrugas e diversos tipos de câncer.

O câncer de colo do útero é a doença mais associada ao HPV, mas o vírus também está relacionado a tumores de ânus, pênis, vulva, vagina, boca e garganta.

Especialistas destacam que a vacinação é a principal forma de prevenção, mas reforçam que exames de rastreamento continuam fundamentais, já que a vacina previne cerca de 90% das infecções causadoras de câncer.

Situação no Brasil

No Brasil, os cânceres associados ao HPV provocam cerca de 7,5 mil mortes e aproximadamente 29 mil internações por ano, segundo estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, com base em dados oficiais do Ministério da Saúde. Cerca de 85% das vítimas são mulheres.

O levantamento aponta que o câncer de colo do útero responde por mais de 77% das mortes relacionadas ao HPV no país, reforçando a importância da vacinação e dos exames preventivos para reduzir a incidência da doença.

Atualmente, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes dentro das faixas etárias estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Além da imunização, a realização periódica dos exames preventivos continua sendo uma das principais estratégias para detectar lesões precocemente e evitar a evolução para o câncer.

 

Fontes:

  • Estudo publicado na revista científica The Lancet: “Impact of HPV Vaccination on Cervical Cancer Mortality in England”.
  • Cancer Research UK.
  • Queen Mary University of London.
  • NHS (National Health Service), serviço público de saúde da Inglaterra.
  • Ministério da Saúde do Brasil.
  • O Tempo.
  • Agência Brasil.
  • Estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics sobre o impacto do HPV no Brasil.

 

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