Gasolina com 32% de etanol entra em vigor; veja quais peças do carro podem sofrer desgaste
Atualizado em 01/08/2026
Nova composição começa a valer neste sábado (1º) e, segundo especialistas, pode aumentar o consumo de combustível e exigir maior atenção com a manutenção, principalmente em veículos mais antigos

A gasolina comum comercializada no Brasil passa a conter 32% de etanol a partir deste sábado (1º). A mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho, tem gerado dúvidas entre motoristas sobre os possíveis impactos no desempenho e na durabilidade dos veículos.
De acordo com mecânicos ouvidos pelo g1, os carros mais antigos são os que devem sentir os maiores efeitos da nova composição, especialmente aqueles equipados com carburador e tanque metálico. Os modelos mais modernos também podem apresentar alterações, mas tendem a se adaptar melhor graças aos sistemas eletrônicos de gerenciamento do motor.
Entre os principais efeitos esperados estão um leve aumento no consumo de combustível e a redução da autonomia dos veículos movidos exclusivamente a gasolina.
Segundo o mecânico Alexandre Dias, proprietário das oficinas Guia Norte, o consumo pode aumentar em até 5% devido ao maior teor de etanol na mistura.
Por que a mudança afeta o funcionamento do motor?
O técnico e professor de mecânica automotiva Tenório Júnior explica que a diferença está na taxa de compressão necessária para a combustão dos combustíveis.
Enquanto motores desenvolvidos para etanol trabalham com taxas de compressão mais elevadas, os motores a gasolina operam com índices menores. Com mais etanol na mistura, parte do combustível pode não ser queimada de forma totalmente eficiente, provocando perda de potência, falhas de funcionamento e dificuldades na partida a frio.
Componentes que merecem atenção
Os especialistas destacam que alguns componentes podem sofrer maior desgaste com a nova composição da gasolina, principalmente em veículos mais antigos.
Carburador
Presente em veículos fabricados antes da popularização da injeção eletrônica, o carburador é considerado o componente mais sensível à mudança.
Segundo Tenório Júnior, o sistema trabalha com regulagens fixas e não consegue se adaptar automaticamente à nova mistura de combustível. Além da perda de desempenho, o mecânico Bruno Bandeira alerta que o aumento da concentração de etanol pode acelerar a corrosão da peça.
Tanque de combustível
O problema também pode atingir carros antigos equipados com tanques metálicos, que estão mais sujeitos à corrosão. Já os tanques plásticos, utilizados na maioria dos veículos produzidos desde o início dos anos 2000, não apresentam a mesma preocupação.
Bomba de combustível
O etanol presente na gasolina pode conter até 0,7% de água. Quando o veículo permanece parado por longos períodos, o combustível tende a absorver ainda mais umidade do ar.
Essa condição pode acelerar a corrosão da bomba de combustível e também comprometer a boia responsável por indicar o nível de combustível no tanque.
Bicos injetores
Nos veículos sem turbocompressor, a central eletrônica aumenta o tempo de injeção para compensar o menor poder energético da gasolina com maior teor de etanol.
Se os bicos injetores já estiverem parcialmente obstruídos, essa demanda maior pode provocar falhas de funcionamento e marcha lenta irregular.
Velas de ignição
Quando apresentam desgaste, as velas podem dificultar a queima correta da mistura, favorecendo falhas na combustão.
Catalisador
A vida útil do catalisador também pode ser reduzida caso ele receba combustível queimado de forma incompleta, consequência de falhas na combustão.
Mangueiras, retentores e itens de vedação
Em veículos mais antigos, esses componentes podem ressecar e sofrer desgaste mais rapidamente devido à maior concentração de etanol.
Há formas de adaptação
Segundo Alexandre Dias, veículos equipados com injeção eletrônica podem receber atualização da ECU (módulo de injeção eletrônica), permitindo que o motor se adapte melhor à nova proporção de etanol na gasolina.
Além disso, uma manutenção preventiva dos sistemas de alimentação e ignição ajuda a preservar o desempenho e aumentar a vida útil do veículo.
Nos carros carburados, a adaptação é possível, mas mais complexa. Conforme explica Tenório Júnior, é necessário substituir e ajustar os giclês do carburador por meio de testes, já que não existe uma tabela específica para regulagem voltada à nova composição do combustível.
Especialistas recomendam que os motoristas mantenham as revisões em dia e fiquem atentos ao surgimento de falhas de funcionamento, aumento excessivo do consumo ou dificuldades na partida, principalmente nos veículos mais antigos.
Fonte: Com informações do g1.

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