SUS começa a oferecer nove medicamentos contra o câncer; veja quais são e quem pode receber
Atualizado em 21/10/2026
Tratamentos atendem a pacientes com diferentes tipos de tumores, como câncer de mama, próstata, pulmão e rim; distribuição começa em 20 centros de saúde e será ampliada até dezembro

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer nove medicamentos para o tratamento de diferentes tipos de câncer. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (20). Os tratamentos contemplam 13 indicações terapêuticas e têm potencial para beneficiar mais de 116 mil pacientes.
Os medicamentos são destinados a casos específicos de câncer de mama, próstata, pulmão, rim e estômago, além de leucemia, linfomas e outros tumores. Segundo o governo federal, o investimento anual na aquisição dos nove medicamentos será de R$ 155,4 milhões.
A distribuição começa em 20 centros de tratamento de 17 estados e do Distrito Federal, com previsão de expansão para os demais serviços oncológicos do país até dezembro. O Ministério da Saúde não detalhou quais hospitais receberão os medicamentos nesta primeira etapa.
Parte dos tratamentos já havia sido incorporada ao SUS há mais de dez anos, mas ainda não era efetivamente disponibilizada aos pacientes. A ampliação também inclui medicamentos que já eram utilizados na rede pública, mas passam a atender a novas indicações terapêuticas.
É o caso do trastuzumabe, empregado no tratamento do câncer de mama e que agora terá o uso ampliado para determinados pacientes com câncer de estômago.
Quais são os nove medicamentos oferecidos pelo SUS?
Os medicamentos têm indicações específicas, definidas conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as características clínicas de cada paciente. Confira a lista divulgada pelo Ministério da Saúde:
- Trastuzumabe: indicado para determinados casos de câncer de estômago ou da junção esofagogástrica, região que liga o esôfago ao estômago.
- Abemaciclibe: utilizado no tratamento do câncer de mama em estágio inicial, com receptores hormonais positivos (RH+), HER2 negativo e comprometimento de linfonodos.
- Acetato de lanreotida: indicado para determinados tumores neuroendócrinos, que se desenvolvem a partir de células produtoras de hormônios.
- Pazopanibe: destinado a pacientes com câncer de rim do tipo células claras em estágio metastático, quando a doença já se espalhou para outras partes do organismo.
- Rituximabe: indicado para leucemia linfocítica crônica em primeira linha de tratamento, linfoma folicular e linfoma difuso.
- Abiraterona: utilizada em determinados casos de câncer de próstata metastático ou resistente à hormonioterapia.
- Gefitinibe: indicado como tratamento inicial para pacientes com determinados tipos de câncer de pulmão de não pequenas células.
- TSH recombinante (alfatirotropina): utilizado no tratamento do câncer diferenciado da tireoide em pacientes com indicação de iodo radioativo.
- Sunitinibe: indicado para câncer de rim de células claras metastático e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados ou metastáticos após falha do tratamento com imatinibe.
A inclusão dos medicamentos não significa que todos os pacientes diagnosticados com esses tipos de câncer poderão utilizá-los. A indicação depende de critérios clínicos específicos e da avaliação da equipe responsável pelo tratamento.
Os tratamentos atuam de diferentes maneiras: alguns bloqueiam mecanismos envolvidos na multiplicação das células cancerígenas, enquanto outros interferem em sinais hormonais ou atuam sobre células do sistema imunológico. Conforme a indicação, podem ajudar a controlar a progressão da doença, aumentar a sobrevida ou reduzir o risco de recidiva, quando o câncer retorna após o tratamento.
Em quais estados os medicamentos começam a ser distribuídos?
Nesta primeira etapa, a distribuição contempla centros oncológicos localizados nas cinco regiões do país:
- Norte: Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins;
- Nordeste: Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe;
- Centro-Oeste: Distrito Federal e Goiás;
- Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo;
- Sul: Paraná e Rio Grande do Sul.
Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia pretende atender integralmente à demanda pelos medicamentos. A expansão para os demais serviços oncológicos está prevista até dezembro, mas ainda não foi divulgado um cronograma detalhado por unidade de saúde.
A oferta dos nove medicamentos integra um plano mais amplo de ampliação da assistência farmacêutica oncológica. Até dezembro, a previsão é disponibilizar 23 novos tratamentos ou indicações terapêuticas, o que, segundo a pasta, representará um aumento de 35% nas alternativas oferecidas pela rede pública.
Para viabilizar as medidas, o governo federal assumiu a negociação e a compra direta de dez medicamentos, organizou mecanismos de aquisição por preços negociados para outros nove e ampliou os repasses destinados ao custeio de quatro produtos.
O impacto financeiro estimado para o conjunto das medidas é de R$ 4 bilhões por ano.
SUS vai distribuir testes para rastreamento do câncer de intestino
Além da ampliação dos tratamentos oncológicos, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para iniciar uma estratégia de rastreamento do câncer colorretal na rede pública.
O exame identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem estar associadas à presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores.
A proposta é oferecer o teste a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas da doença. A implementação será gradual, a partir de novembro, começando por capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.
O FIT funciona como um exame de triagem e não confirma, sozinho, o diagnóstico de câncer. Quando o resultado é positivo, o paciente precisa passar por avaliação e, conforme a indicação, realizar uma colonoscopia para investigar a origem do sangramento.
A presença de sangue nas fezes também pode estar relacionada a outras condições. Segundo o ministério, o exame apresenta precisão de até 92%, embora o comunicado não detalhe a medida de desempenho utilizada para esse percentual.
Governo anuncia mudanças no diagnóstico e no tratamento
O pacote de medidas também prevê ações para ampliar a capacidade de diagnóstico e tratamento oncológico no SUS.
Uma delas é o financiamento de cirurgias videotorácicas, utilizadas principalmente em pacientes com câncer de pulmão. A técnica minimamente invasiva é realizada por pequenas incisões, com auxílio de uma câmera e instrumentos cirúrgicos.
O investimento previsto é de R$ 46 milhões por ano. De acordo com o Ministério da Saúde, o procedimento pode reduzir o tempo de internação e o risco de complicações pós-operatórias em pacientes selecionados.
Outra medida envolve o reajuste dos valores pagos pelo SUS por procedimentos oncológicos. No caso da iodoterapia, empregada no tratamento de determinados tipos de câncer de tireoide, o financiamento anual passará de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões, um aumento de aproximadamente 246%.
Os repasses para procedimentos com medicamentos intravenosos serão quadruplicados, enquanto os valores destinados aos medicamentos orais serão duplicados, segundo a pasta.
Também estão previstas atualizações na remuneração de exames anatomopatológicos, como análises de biópsias, além da inclusão e ampliação do financiamento de exames de biologia molecular e sequenciamento genético.
O governo informou ainda que criará um grupo de trabalho para elaborar a primeira linha nacional de cuidado para o retinoblastoma, tipo de câncer que atinge a retina e ocorre principalmente em crianças pequenas.
A iniciativa pretende padronizar os fluxos de diagnóstico, encaminhamento e tratamento no SUS, com foco na identificação precoce da doença.

Nossos canais de comunicação:

Deixe um comentário