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Poços de Caldas empenhou R$ 2,45 milhões em shows artísticos entre 2020 e fevereiro de 2026, aponta TCE-MG

Atualizado em 29/05/2026

Alexandre Pires e Padre Fábio de Melo aparecem entre os maiores valores contratados

O evento “Cantando a Vida”, que integrou a programação do Festival de Inverno 2025, com show especial do Padre Fábio de Melo – Foto: Secom.

Dados do painel “Shows Artísticos Municipais”, do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), mostram que a Prefeitura de Poços de Caldas empenhou R$ 2.459.197,87 para contratação de shows artísticos entre 1º de janeiro de 2020 e 2 de fevereiro de 2026.

Os números fazem parte de uma ampla fiscalização realizada pelo TCEMG sobre gastos públicos com eventos artísticos em cidades mineiras. O Tribunal informou que vem monitorando possíveis irregularidades, incluindo indícios de sobrepreço, falhas fiscais e incompatibilidade entre os gastos com festas e a realidade financeira de alguns municípios.

Segundo os dados do painel, o maior volume de empenhos em Poços de Caldas ocorreu em 2022, quando foram destinados R$ 1.349.000,00 para shows artísticos. Em 2023, o valor caiu para R$ 730.197,87. Já em 2025, os empenhos somaram R$ 380 mil.

Ao todo, o município registrou R$ 2.459.197,87 em empenhos no período analisado pelo Tribunal.

Artistas com maiores valores empenhados

O levantamento do TCEMG também detalha os artistas com maiores valores empenhados pela administração municipal.

No topo da lista aparecem Alexandre Pires e Padre Fábio de Melo, ambos com R$ 270 mil em empenhos. Na sequência estão:

  • Ara Ketu — R$ 245.197,87
  • Jota Quest — R$ 195 mil
  • Guilherme & Santiago — R$ 180 mil
  • Rio Negro & Solimões — R$ 175 mil
  • Paralamas do Sucesso — R$ 168 mil
  • Diogo Nogueira — R$ 160 mil
  • Clayton & Romário — R$ 145 mil
  • Teodoro & Sampaio — R$ 145 mil
  • Douglas & Vinícius — R$ 120 mil
  • Eliana Ribeiro — R$ 110 mil
  • Gian & Giovani — R$ 98 mil
  • Thiago Brado — R$ 70 mil
  • Régis Danese — R$ 60 mil
  • Renato Teixeira — R$ 48 mil

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Fiscalização estadual

De acordo com o TCEMG, municípios mineiros empenharam cerca de R$ 940 milhões com shows e eventos festivos entre 2020 e 2024. O órgão afirma que a fiscalização busca garantir maior transparência, economicidade e controle no uso de recursos públicos destinados à contratação de artistas.

O presidente do Tribunal, conselheiro Durval Ângelo, destacou que o órgão pretende ampliar as regras de fiscalização em parceria com a Associação Mineira de Municípios (AMM), por meio de uma instrução normativa que deverá estabelecer critérios mais rígidos para contratações de shows pelas prefeituras mineiras.

O presidente da AMM, Lucas Vieira, se reuniu com o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, Durval Ângelo, nesta quarta-feira (27/5), para discutir os altos valores gastos com shows contratados pelos municípios. Também participaram do encontro o superintendente da Associação, Lu Pereira, o consultor jurídico da entidade, Wederson Advincula, e o diretor-geral do TCEMG, Gustavo Vidigal.

A AMM e o TCE estão avançando na construção de uma instrução normativa que busca trazer mais equilíbrio, responsabilidade e segurança para as gestões municipais.

“Nosso objetivo não é impedir eventos culturais, que são importantes para a economia, para o turismo e para a população. O que queremos é combater excessos e garantir que os recursos públicos sejam utilizados com responsabilidade”, reforçou o presidente da AMM.

Debate sobre limites para contratação de shows

As ações da AMM tiveram início no dia 22 de abril, quando o presidente Lucas Vieira e o superintendente Lu Pereira se reuniram, na sede da entidade, com produtores de eventos, gestores municipais e especialistas do setor para debater a escalada dos cachês artísticos nos eventos promovidos pelos municípios mineiros.

Como desdobramento da discussão, no dia 12 de maio, durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a AMM, representada pelo consultor jurídico Wederson Advincula, reforçou o envolvimento na construção de alternativas jurídicas em torno do Projeto de Lei 5.656/2026, que propõe limites para utilização de recursos públicos na contratação de artistas, bandas e grupos para shows, rodeios e festividades culturais.

Wederson Advincula destacou que a entidade participou da construção da proposta desde as primeiras discussões e alertou para possíveis questionamentos jurídicos relacionados à competência legislativa dos entes federativos.

Segundo ele, a Lei nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos, estabelece normas gerais para contratações públicas, preservando autonomia municipal em determinados aspectos.

“Por isso, a AMM já defende que o debate avance também no Ministério Público e no Tribunal de Contas, buscando alternativas como Termos de Ajustamento de Gestão, caso haja impedimentos legais à tramitação da proposta”, afirmou.

 

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