Grupo australiano define alvo de exploração no Morro do Ferro com até 10,7 milhões de toneladas de terras raras
Atualizado em 23/09/2026
Projeto em Poços de Caldas tem alvo estimado entre 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas, com teores de até 9,2% de óxidos totais de terras raras

A multinacional australiana Power Minerals anunciou a definição do primeiro Alvo de Exploração (Exploration Target) do Projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. A estimativa aponta um potencial entre 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas, com teores entre 7,8% e 9,2% de óxidos totais de terras raras (TREO).
O alvo também apresenta entre 1,3% e 1,6% de MREO, grupo que reúne os óxidos de neodímio, praseodímio, térbio e disprósio.
Segundo a companhia, a definição do alvo representa um avanço no conhecimento geológico do projeto e servirá de base para orientar a atual campanha de sondagem. O objetivo é ampliar os dados sobre a continuidade e a dimensão da mineralização para subsidiar uma potencial primeira Estimativa de Recursos Minerais (MRE).
O que são terras raras?
As terras raras são minerais estratégicos utilizados em diferentes tecnologias, incluindo carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa.
O carbonato misto de terras raras é obtido a partir do processamento da argila iônica que contém esses elementos. Trata-se de um produto intermediário antes da etapa de separação dos diferentes minerais.
Estimativa considera 169 furos
De acordo com a Power Minerals, a estimativa foi elaborada com base em 169 furos históricos e atuais e 3.241 análises realizadas ao longo de 5.696 metros de perfuração.
Também foram considerados levantamentos LiDAR realizados por drone e dados geofísicos integrados.
Segundo a empresa, parte do alvo é sustentada diretamente pelas perfurações já realizadas, enquanto outra corresponde a uma extensão projetada para áreas que ainda não foram perfuradas.

Duas sondas estão em operação
A Power Minerals mantém atualmente duas sondas em operação no Morro do Ferro. O programa prevê a realização de 25 furos diamantados, totalizando cerca de 4 mil metros de perfuração.
Os trabalhos estão concentrados principalmente na avaliação da extensão projetada para o sul e na continuidade da mineralização em profundidade.
A empresa informou ainda que nove furos diamantados, que somam 1.158 metros, aguardam resultados laboratoriais e não foram considerados no atual Alvo de Exploração.
Segundo a companhia, os resultados dessas análises poderão alterar a tonelagem e os teores atualmente estimados.
Próximos passos serão apresentados em webinar
Os novos resultados e o andamento do Projeto Morro do Ferro serão apresentados pelo CEO da Power Minerals, Alister Stephens, durante um webinar com investidores.
O executivo deverá detalhar a definição do primeiro Alvo de Exploração, os resultados obtidos até o momento, o andamento das sondagens e as próximas etapas do programa.
O webinar está marcado para esta quarta-feira (23), às 23h, no horário de Brasília.
A Power Minerals ressalta que o Alvo de Exploração possui natureza conceitual e não constitui uma estimativa de Recurso Mineral ou Reserva de Minério.
Segundo a empresa, ainda serão necessários trabalhos adicionais de exploração para determinar se o potencial identificado poderá resultar na definição de um Recurso Mineral.
Empresa comprou projeto em abril
Listada na Australian Securities Exchange (ASX), a Power Minerals atua no desenvolvimento de recursos de salmoura de lítio na Argentina e na exploração e desenvolvimento de ativos de elementos de terras raras, nióbio e outros minerais críticos no Brasil. A empresa também mantém ativos na Austrália, no Canadá e em outras regiões da Argentina.
Em abril deste ano, a multinacional concluiu a compra da Mineração Terras Raras S.A. (MTR), empresa detentora do Projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas, por cerca de R$ 80 milhões.
O ativo ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento. O projeto reúne direitos de exploração e estudos sobre uma área com potencial mineral já identificado.
Apesar dos resultados considerados promissores, o empreendimento ainda precisa avançar em etapas como novas sondagens, estudos de viabilidade econômica e licenciamento ambiental antes de iniciar uma eventual produção.
A Power Minerals é o terceiro grupo australiano a investir em projetos voltados à exploração de terras raras na região do Planalto e Complexo Alcalino de Poços de Caldas.
Além da Power Minerals, a Meteoric Resources investe no Projeto Caldeira, que abrange uma grande área em municípios da região, como Caldas. Já a Viridis Mining and Minerals atua no prospecto Capão da Onça, com o Projeto Colossus.
Fonte: Com informações de G1.
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