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Gerente do Cemitério Municipal é exonerado após denúncias de venda clandestina de jazigos e desaparecimento de restos mortais em Poços de Caldas

Atualizado em 06/11/2026

 

O caso foi encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Civil

O gerente da Seção do Cemitério e Velório de Poços de Caldas, Mateus Firmino Bastos, foi exonerado do cargo em comissão nesta quinta-feira (5). A decisão foi oficializada pelo Ato Administrativo SMG nº 139, de 5 de novembro de 2026, publicado no Diário Oficial do Município.

Conforme o ato, assinado pelo prefeito Paulo Ney de Castro Júnior e pelo secretário municipal de Governo, José Carlos Trinca Zanetti, o servidor foi exonerado da função de Gerente da Seção do Cemitério e Velório.

A Prefeitura informou que está colaborando com as investigações e que a exoneração faz parte das medidas adotadas após a formalização das denúncias.

Denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Civil

O caso foi encaminhado pelo vice-presidente da Câmara Municipal, vereador Flavinho de Lima e Silva (MDB), ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), à Polícia Civil e ao prefeito Paulo Ney (PSD). O documento foi protocolado na quarta-feira (4) e aponta possíveis casos de venda clandestina de jazigos, realização de obras sem autorização dos proprietários e desaparecimento de restos mortais.

As denúncias vieram a público após relatos de uma titular de jazigo que, em setembro deste ano, não conseguiu localizar o túmulo de um familiar no Cemitério Municipal. Com a ajuda de uma profissional que trabalha na limpeza dos túmulos, ela encontrou o espaço e constatou que o local havia passado por intervenções de alvenaria, com a construção de aproximadamente duas a três novas gavetas.

Além das obras, os restos mortais do familiar teriam desaparecido, sem comunicação prévia ou autorização da titular do jazigo. Fotografias anexadas à denúncia mostram blocos de concreto, ferramentas e materiais de construção no interior do túmulo.

Relatos apontam ameaça e possível comercialização irregular

A documentação encaminhada pelo vereador também apresenta o relato de uma profissional responsável pela limpeza de túmulos que teria encontrado no local um homem que se identificou como comprador do jazigo. Durante um desentendimento, o homem teria proferido uma ameaça de morte contra a trabalhadora.

Outro documento anexado à representação é uma carta escrita à mão por uma terceira pessoa, que relata ter recebido uma oferta para adquirir um túmulo no cemitério. Ao procurar a administração para obter informações, porém, teria sido informada de que não havia jazigos disponíveis e que existia uma fila de espera obrigatória.

A denúncia também relata que, ao procurar esclarecimentos sobre as intervenções no jazigo, a titular teria sido orientada pelo responsável pelo local a não registrar a ocorrência junto às autoridades policiais.

Vereador solicita apuração e localização dos restos mortais

Diante dos relatos, a Guarda Civil Municipal foi acionada e registrou um boletim de ocorrência, que também foi encaminhado à Polícia Militar.

Nas representações, Flavinho de Lima e Silva solicita a investigação da possível comercialização irregular de jazigos, a localização dos restos mortais desaparecidos e o levantamento dos registros de titularidade, eventuais transferências e autorizações de obras junto à administração municipal.

Para preservar as identidades das vítimas e testemunhas, os dados de contato dos envolvidos foram entregues às autoridades em documento sigiloso anexo.

A exoneração de Mateus Firmino Bastos foi publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (5). A Prefeitura informou que colabora com as investigações e que a medida integra as providências adotadas após o recebimento das denúncias.

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