Hantavírus: o que diferencia o caso registrado em Minas do surto em cruzeiro
Atualizado em 12/05/2026

Apesar da repercussão recente envolvendo casos de hantavírus no Brasil e no exterior, especialistas reforçam que não há motivo para alarmismo. A preocupação aumentou após o primeiro óbito registrado em Minas Gerais — e no país — em 2026, além dos casos confirmados no cruzeiro MV Hondius, que ganharam destaque internacional.
Em 2025, o Brasil registrou 36 casos da doença, com 15 mortes.
O hantavírus é uma doença rara, geralmente transmitida pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os hantavírus são vírus zoonóticos que infectam naturalmente roedores e, em determinadas situações, podem ser transmitidos aos seres humanos.
A infecção pode provocar quadros graves e até levar à morte, embora as manifestações clínicas variem conforme o tipo do vírus e a região geográfica.
Diferenças entre os casos
Nas Américas, a doença é conhecida por causar a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, quadro de evolução rápida que compromete pulmões e coração. Já na Europa e na Ásia, os vírus estão mais associados à febre hemorrágica com síndrome renal, que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos.
Os hantavírus pertencem à família Hantaviridae e cada variante costuma estar ligada a uma espécie específica de roedor reservatório. Nesses animais, o vírus pode permanecer por longos períodos sem provocar sinais aparentes da doença.
No caso registrado em Minas Gerais, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), a vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, que tinha histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura.
Esse tipo de infecção é mais frequente em áreas rurais e costuma estar relacionado a atividades agrícolas e ao contato com ambientes infestados por roedores.
Já o episódio envolvendo o cruzeiro chama atenção por uma característica considerada rara. Embora a principal forma de transmissão continue sendo o contato com secreções de roedores infectados, a cepa Andina — encontrada em algumas regiões da América do Sul — é uma das poucas variantes com registros de transmissão direta entre pessoas.
De acordo com a OMS, essa é a única variante conhecida capaz de provocar transmissão limitada entre humanos, especialmente em situações de contato próximo e prolongado. Casos desse tipo já foram registrados na Argentina e no Chile.
Especialista pede cautela
Para o infectologista Evaldo Stanislau, professor da Universidade São Judas/Inspirali, o momento exige atenção, mas sem exageros.
“O hantavírus é uma doença já conhecida. A excepcionalidade desse caso é justamente o contexto de um ambiente confinado, como um navio, e a suspeita de uma transmissão entre pessoas, algo considerado raro”, explicou.
Segundo o especialista, a cepa identificada no surto é a variante Andes, considerada a única com registros documentados de transmissão entre humanos.
Sintomas exigem atenção
Os sintomas iniciais podem se confundir com os de outras infecções virais, o que torna importante avaliar o histórico do paciente e possíveis exposições ao vírus.
Entre os principais sintomas estão:
- febre;
- mal-estar;
- dores no corpo;
- sintomas inespecíficos semelhantes aos de viroses.
Nos casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para falta de ar, insuficiência respiratória e necessidade de internação intensiva.
Segundo a OMS, os sintomas costumam surgir entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus. O contato frequente com áreas rurais, celeiros, depósitos fechados ou locais com presença de roedores ajuda os médicos a levantarem a suspeita da doença.
A síndrome pulmonar por hantavírus pode evoluir rapidamente, entre quatro e 24 horas após o início da tosse.
Como prevenir
As principais medidas de prevenção envolvem evitar contato com roedores e manter cuidados básicos de higiene, especialmente em ambientes fechados ou com risco de contaminação.
As recomendações incluem:
- evitar contato com fezes, urina e saliva de roedores;
- manter ambientes limpos e ventilados;
- redobrar os cuidados ao limpar locais fechados há muito tempo;
- usar proteção ao manusear áreas possivelmente contaminadas;
- manter a vacinação em dia antes de viagens;
- evitar viajar com sintomas infecciosos.
O infectologista reforça que o risco de transmissão em ambientes fechados existe, mas é muito maior para doenças respiratórias comuns.
“Em qualquer ambiente aglomerado e fechado, há maior risco de transmissão de doenças infecciosas. Mas isso vale muito mais para gripe, COVID-19 e outros vírus respiratórios do que para o hantavírus”, ressaltou.
Fonte: Com informações de Estado de Minas.

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