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Parlamento Mulher promove oficinas sobre autocuidado, saúde mental e maternagem em Poços de Caldas

Atualizado em 25/09/2026

 

Atividades abordaram saúde preventiva, saúde mental, direitos das mulheres e divisão das responsabilidades relacionadas à maternagem

As integrantes do Parlamento Mulher 2026 concluíram uma série de três oficinas voltadas à Saúde da Mulher, com discussões sobre autocuidado, saúde mental e maternagem. As atividades foram realizadas após a etapa de formação política e tiveram como objetivo ampliar os conhecimentos das participantes e contribuir para a elaboração das propostas que serão apresentadas ao final do programa.

A primeira oficina foi realizada no dia 9 de setembro e conduzida pela enfermeira Elaine Cristina Faria, docente da PUC Minas Poços de Caldas e doutora em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O encontro abordou o autocuidado como parte do direito à saúde e discutiu a forma como, historicamente, as mulheres acumulam responsabilidades relacionadas à família, à casa, ao trabalho e ao cuidado de outras pessoas.

Também foram apresentadas informações sobre saúde preventiva, acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), prevenção e diagnóstico de cânceres que atingem as mulheres e cuidados durante a transição menopausal.

A atividade propôs uma reflexão sobre o espaço que as mulheres reservam para o próprio cuidado.

“A minha fala é na intenção de fazer uma provocação mesmo: até onde a gente se cuida? A mulher tem que cuidar do marido, do filho, da casa, do trabalho. Então, é fazer com que elas pensem um pouquinho a respeito disso: quando eu tenho que falar não, quando eu tenho que repensar, quando eu tenho que me colocar em primeiro lugar e o quanto eu tenho que cuidar da minha saúde”, afirmou Elaine.

A enfermeira também destacou a importância de conhecer os direitos e os serviços de saúde disponíveis para as mulheres. Segundo ela, essas informações podem contribuir para que as participantes identifiquem necessidades e, posteriormente, formulem propostas de políticas públicas.

Saúde mental

No dia 14 de setembro, a formação sobre saúde mental e a atuação da mulher contemporânea foi ministrada por Regiane de Souza Quinteiro, docente do curso de Psicologia da PUC Minas Poços de Caldas, doutora pós-graduada em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e mestra em Processos Comportamentais pela Universidade de Brasília (UnB).

A oficina discutiu o conceito de saúde mental, os diferentes papéis sociais atribuídos às mulheres e os impactos da sobrecarga de responsabilidades relacionadas à família, à casa e ao trabalho. A violência contra a mulher e a importância do conhecimento sobre direitos e políticas públicas também foram abordadas.

Para Regiane, espaços de formação como o Parlamento Mulher contribuem para aproximar as participantes do Legislativo e ampliar a compreensão sobre a relação entre políticas públicas e a vida cotidiana.

“É muito importante esse espaço de abertura para as mulheres, primeiro para elas se colocarem no Legislativo e entenderem como a política interfere e influencia na vida das mulheres. A discussão de saúde mental é imprescindível, visto que a mulher assume vários papéis na sua vida, entre eles o de profissional, mãe e trabalhadora”, ressaltou.

A psicóloga também destacou a importância de conhecer as políticas públicas como parte da participação cidadã.

“Ela precisa estar por dentro das políticas públicas, na sua defesa, para exercer os seus direitos e para ficar em constante diálogo com a sociedade”, completou.

Maternagem

O terceiro encontro, realizado no dia 21 de setembro, teve como tema o processo de maternagem e foi conduzido pela biomédica Isabela Bacelar de Assis, coordenadora do curso de Biomedicina da PUC Minas Poços de Caldas e mestra em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).

A oficina abordou os desafios relacionados à maternagem e a necessidade de ampliar a responsabilidade pelo cuidado com a gestação, o bebê e a família, evitando que essas atribuições sejam consideradas exclusivamente femininas.

Isabela contou que sua experiência na atenção primária à saúde contribuiu para a abordagem do tema, especialmente a partir do trabalho de divulgação do pré-natal do parceiro e da parceria.

“A gente veio conversar principalmente sobre os grandes desafios da maternagem hoje no Brasil. Trabalhei durante dois anos nessa temática na atenção primária para favorecer a qualidade de vida do feto, do bebê e da família como um todo”, explicou.

Segundo a biomédica, a discussão também busca ampliar a compreensão sobre diferentes configurações familiares e sobre a divisão das responsabilidades relacionadas à maternagem.

“A importância que eu trago nessa temática, para contribuir com Poços de Caldas e com toda a população do Parlamento Mulher, é justamente favorecer que a maternagem não seja uma função exclusiva da mulher”, afirmou.

A participante Celi Ribeiro de Campos, enfermeira obstetra com atuação na área materno-infantil e na saúde da mulher, destacou a importância da discussão sobre saúde mental. Para ela, a formação também contribui para que as próprias mulheres reconheçam a necessidade de olhar para suas demandas.

“Muitas vezes a gente está tão preocupada com os outros, porque tem que cuidar dos filhos, cuidar do marido, cuidar de outras pessoas, e esquece da nossa saúde mental. Nós também cansamos, nós também ficamos estressadas”, enfatizou.

Celi avaliou que esse processo de mudança ainda precisa ser trabalhado socialmente.

“Isso é uma coisa que a gente precisa trabalhar ainda, porque não estamos acostumadas a cuidar de nós mesmas”, completou.

Próximas atividades

O Parlamento Mulher busca promover a educação cidadã e ampliar a representatividade feminina na política. Voltado a mulheres com 18 anos ou mais, o programa tem como tema, nesta edição, “Os diferentes olhares para a Saúde da Mulher”.

Ao longo das atividades, as participantes aprofundam conhecimentos sobre o papel do Legislativo, a elaboração de leis e o funcionamento da Câmara Municipal, além de elaborarem propostas que serão encaminhadas à Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

As atividades do Parlamento Mulher 2026 continuam nas próximas semanas, com oficinas preparatórias para a Plenária e uma oficina de letramento racial.

Os encontros têm transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Municipal de Poços de Caldas no YouTube e permanecem disponíveis para acesso.

 

Nossos canais de comunicação:

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