Monotrilho de Poços de Caldas terá trecho central demolido até 2028
Atualizado em 17/09/2026
Prefeitura prepara licitação para retirar estrutura entre o Terminal de Linhas Urbanas e a Urca, conforme compromisso firmado com o Ministério Público

Após mais de duas décadas desativado, o monotrilho de Poços de Caldas terá parte de sua estrutura demolida. A informação foi anunciada nesta quarta-feira (16), durante audiência pública realizada na Câmara Municipal para discutir o futuro do equipamento.
De acordo com o procurador-geral do município, Thiago Arantes, a Prefeitura firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público que estabelece o compromisso de demolir, até 31 de dezembro de 2028, o trecho localizado entre o Terminal de Linhas Urbanas e o Espaço Cultural da Urca.
A informação também foi confirmada pelo secretário municipal de Planejamento, Ércules Tassinari. Segundo ele, a Secretaria de Planejamento já possui um diagnóstico para a execução da demolição e trabalha na publicação do processo de licitação que deverá contratar a empresa responsável pelo serviço.
O trecho definido para a demolição está em uma área que reúne importantes bens tombados de Poços de Caldas, entre eles o Palace Casino, o antigo prédio da Prefeitura, a Urca e o museu.
Debate sobre o futuro do monotrilho
A audiência pública teve como tema o “Cenário técnico, urbanístico, estrutural e as perspectivas futuras do Monotrilho de Poços de Caldas”. O encontro reuniu representantes do poder público e vereadores para discutir as condições atuais da estrutura e as possibilidades para o futuro do equipamento.
Entre os assuntos debatidos estiveram os estudos e laudos relacionados à segurança do monotrilho, as intervenções necessárias na via elevada ao longo da Avenida João Pinheiro e áreas próximas, as questões jurídicas decorrentes da reversão da concessão para o patrimônio municipal e as alternativas financeiras e administrativas para o equipamento.
O secretário municipal de Infraestrutura e Obras Públicas, Paulo Henrique Ribeiro, afirmou que o monotrilho representa atualmente um problema para o poder público. Segundo ele, entretanto, estudos já realizados indicam que não existe risco de colapso da estrutura.
Além da demolição, foram apresentadas outras possibilidades para o espaço. O vereador Marcus Togni sugeriu o aproveitamento da estrutura para a implantação de um jardim suspenso. Já a vereadora Pastora Mel defendeu que o município concentre recursos e esforços em outras prioridades que precisam ser atendidas pelo Executivo.
Também foi discutida a possibilidade de uma revitalização integrada a um novo eixo de mobilidade ativa e lazer.
Projeto que prometia transformar a mobilidade
Quando o contrato para a construção do monotrilho foi assinado, em 1982, o projeto era apresentado como uma alternativa capaz de transformar a mobilidade urbana e impulsionar o turismo em Poços de Caldas.
Os testes com passageiros começaram nos anos 2000. Após a inauguração oficial, o trem descarrilou em uma curva, e 19 pessoas precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros.

O sistema funcionou poucas vezes e acabou suspenso definitivamente em 2003, após a queda de duas pilastras ao longo da Avenida João Pinheiro. O acidente provocou o desabamento de cerca de 50 metros da estrutura.
Em 2019, a empresa responsável pelo projeto, J. Ferreira Ltda., abdicou do contrato de concessão do monotrilho e entregou a obra à Prefeitura de Poços de Caldas.
Mais de duas décadas depois da paralisação, o município agora se prepara para retirar parte da estrutura. O prazo estabelecido no compromisso com o Ministério Público para a demolição do trecho central termina em 31 de dezembro de 2028.

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