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Mineradora australiana busca produzir terras raras em Poços de Caldas com US$ 30 mi do BNDES

Atualizado em 30/04/2026

 

A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals pretende se tornar a próxima empresa a extrair terras raras no Brasil, em meio à crescente disputa internacional por minerais estratégicos ligados à transição energética. O projeto está sendo desenvolvido em Poços de Caldas (MG) e tem previsão de início da operação comercial em 2028.

A empresa obteve financiamento de US$ 30 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de um fundo administrado por Ore Investments e Régia Capital. O objetivo do investimento é apoiar projetos de minerais críticos em operação ou em desenvolvimento.

Parte dos recursos será destinada à construção de uma planta-piloto em Poços de Caldas, enquanto o restante será aplicado nos trâmites da licença ambiental de instalação, que exige dados detalhados de engenharia da futura planta industrial.

Além disso, a Viridis firmou uma carta de intenções com uma agência de fomento da Austrália para obtenção de mais US$ 50 milhões em crédito.

Projeto mira minerais estratégicos

As chamadas terras raras, junto com lítio, nióbio e cobalto, são classificadas como minerais estratégicos, essenciais para setores como inteligência artificial, transição energética e sistemas de defesa.

A planta-piloto, estimada em cerca de US$ 2 milhões, será fundamental para a elaboração do Estudo de Viabilidade Econômica (EVE) Definitivo. O documento detalha investimentos, custos, tecnologias e retorno esperado, sendo essencial para a avaliação de riscos por investidores e órgãos reguladores.

O projeto completo é estimado em US$ 360 milhões, e a empresa busca capital estrangeiro para viabilizá-lo. Segundo o diretor-executivo da Viridis no Brasil, Klaus Petersen, as negociações mais avançadas estão concentradas na Europa.

A expectativa é finalizar propostas de financiamento e contratos de compra antecipada da produção ainda em maio. As negociações incluem mecanismos de preço mínimo garantido para reduzir impactos de oscilações do mercado global.

Petersen afirma que a União Europeia já está em estágio avançado de análise do projeto, destacando que o bloco possui uma cadeia industrial mais estruturada para terras raras do que os Estados Unidos.

Disputa global por terras raras

A China domina a extração e o processamento desses minerais, o que lhe confere controle sobre preços e influência geopolítica. Diante disso, países como Estados Unidos, União Europeia e Japão buscam diversificar fornecedores e fortalecer suas próprias cadeias produtivas.

O tema ganhou força durante a guerra tarifária iniciada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump contra a China. Nesse contexto, o Brasil passou a ser visto como alternativa estratégica para reduzir a dependência dos minerais chineses.

Atualmente, a Serra Verde é a única mina de terras raras em operação no Brasil. A empresa iniciou suas pesquisas há 17 anos e foi recentemente adquirida pela USA Rare Earth.

Estratégia da Viridis

A Viridis busca acelerar as etapas de seu projeto, ainda em fase de pré-operação, para aproveitar a janela de oportunidade no mercado global. A meta é extrair quatro elementos considerados essenciais para a fabricação de superímãs, utilizados em turbinas eólicas, veículos elétricos e equipamentos militares.

Na planta-piloto, será testado o processo de extração a partir de argila iônica até a produção de carbonato misto de terras raras, etapa anterior à separação dos elementos.

O método consiste na retirada da argila de cavas e na aplicação de um processo de lavagem com cloreto de sódio. Segundo a empresa, essa técnica é mais sustentável que a mineração tradicional, pois dispensa barragens de rejeitos e permite o reaproveitamento da água.

De acordo com Petersen, a argila iônica é atualmente o tipo de depósito mais competitivo, com menor custo e impacto ambiental em comparação à extração em rocha dura.

A planta terá capacidade de processar 100 quilos de argila por hora, cerca de uma tonelada por dia — volume 20 vezes menor que o previsto para a operação plena. Ainda assim, será a maior planta-piloto desse tipo fora da China.

A expectativa é concluir o estudo de viabilidade até junho e tomar a decisão final de investimento até o fim deste ano.

Alto risco e dependência de capital externo

Como outras mineradoras chamadas “juniores”, a Viridis atua em um modelo considerado de alto risco. Empresas desse tipo dependem de investimentos externos para avançar da fase de pesquisa até a produção, já que não geram receita até o início das operações.

Segundo Petersen, o fluxo de caixa da empresa deve permanecer zerado até 2028. Ele destaca que o modelo combina capital estrangeiro com aumento da participação nacional, permitindo que o Brasil capture valor por meio da industrialização e participação acionária.

Economia circular e reciclagem

Outro desafio do setor no Brasil é a formação de uma cadeia produtiva integrada. Atualmente, mesmo quando a mineração ocorre fora da China, grande parte do processamento e da fabricação de ímãs ainda depende do país asiático.

Além da extração mineral, uma alternativa é a recuperação de terras raras a partir de equipamentos descartados, como turbinas eólicas e máquinas de ressonância magnética. Essa tecnologia ainda está em fase inicial fora da Ásia.

A Viridis pretende atuar também nesse segmento. Para isso, firmou uma joint venture com a australiana Ionic Rare Earths, que opera uma planta-piloto de reciclagem na Irlanda.

A empresa planeja utilizar esse conhecimento para desenvolver uma unidade própria no Brasil, com início do projeto-piloto previsto para o próximo ano.

 

Fonte: Com informações de UOL.

 

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