Voltar para Notícias

Implantes hormonais viram negócio milionário e médicos driblam regras para lucrar com prática proibida

Atualizado em 06/05/2026

 

Mulheres são o principal alvo de tratamentos sem comprovação científica, impulsionados por promessas de estética, libido e bem-estar

Fonte: G1

Pellets subcutâneos hormonais – Foto: Reprodução / Saúde IG.

O uso de implantes hormonais com finalidade estética segue ocorrendo no Brasil, mesmo diante de proibições e alertas de entidades médicas e sanitárias. Reportagem do G1 revela que médicos têm explorado brechas regulatórias para prescrever, comercializar e lucrar com esses dispositivos, considerados irregulares pelo Conselho Federal de Medicina.

Mercado bilionário e prática irregular

O mercado de implantes hormonais se expandiu significativamente nos últimos anos. Segundo a apuração, médicos compram os dispositivos por cerca de R$ 200 em farmácias de manipulação e os revendem a pacientes por valores que variam entre R$ 4 mil e R$ 12 mil.

Apesar da proibição para uso com fins estéticos ou anabolizantes, os implantes continuam sendo oferecidos como supostos tratamentos para condições como menopausa, síndrome dos ovários policísticos (SOP), endometriose, insônia e queda de libido — mesmo sem comprovação científica ou respaldo das principais sociedades médicas.

O Conselho Federal de Medicina classifica a prática como infração ética.

Riscos à saúde e relatos de pacientes

Pacientes ouvidas pela reportagem relatam efeitos adversos após o uso dos implantes, incluindo acne, engrossamento da voz, ganho de peso e até problemas cardíacos, renais e hepáticos. Há casos em que mulheres afirmam não ter sido informadas de que receberiam substâncias com efeito anabolizante.

Também há denúncias de abandono médico após a realização do procedimento.

Brecha regulatória sustenta prática

A atuação dos profissionais se apoia em lacunas na regulamentação. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária chegou a proibir, em outubro de 2024, a manipulação e o uso desses implantes. No entanto, após recursos apresentados por clínicas e farmácias, a agência recuou parcialmente um mês depois.

A norma atual mantém a proibição para fins estéticos e de desempenho, mas permite a manipulação em casos terapêuticos específicos — o que abriu espaço para que os implantes fossem reclassificados como tratamento médico.

Outra brecha apontada é a ausência de regras claras sobre a via de administração dos medicamentos manipulados, permitindo interpretações que favorecem a prática.

Produção em larga escala é investigada

A legislação determina que farmácias de manipulação produzam medicamentos de forma individualizada, mediante prescrição. No entanto, documentos obtidos pela reportagem indicam produção em larga escala de implantes padronizados, o que é irregular.

O Ministério Público da Bahia chegou a pedir a interdição de uma farmácia por suspeitas de comercialização indevida de medicamentos controlados.

Estrutura envolve cursos, prescrição e venda

A investigação também aponta um modelo de negócio integrado, no qual médicos atuam simultaneamente na prescrição dos implantes, na oferta de cursos para outros profissionais e na ligação com farmácias fornecedoras.

Para o Conselho Federal de Medicina, esse tipo de relação pode configurar conflito de interesse, especialmente quando o médico lucra com o produto que indica ao paciente.

Mulheres são principal alvo

As redes sociais têm papel central na divulgação dos implantes, com promessas de melhora na disposição, libido e desempenho físico. A reportagem aponta que mulheres são o principal público-alvo, frequentemente abordadas com discursos ligados à autoestima e vida sexual.

Entidades médicas criticam esse tipo de abordagem, classificando-a como “mercantilização da medicina”, ao priorizar a venda de procedimentos em detrimento de evidências científicas.

Investigação e possíveis punições

O Conselho Federal de Medicina informou que casos citados serão apurados. A prescrição de implantes hormonais com fins estéticos pode resultar em sanções éticas aos profissionais envolvidos.

Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária segue responsável pela fiscalização sanitária do setor, que permanece sob investigação diante das denúncias reveladas.

 

Nossos canais de comunicação:

https://linktr.ee/sulminastv

  

 

Share this post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Voltar para Notícias