Hospital de Minas Gerais realiza primeira aplicação de polilaminina em paciente e amplia perspectivas de recuperação após trauma medular
Atualizado em 26/06/2026
Procedimento inédito na rede Fhemig foi feito após articulação ágil entre profissionais do Complexo Hospitalar de Barbacena e pesquisadores responsáveis pelo projeto
“Fortis fortuna adiuvat”: a sorte favorece os corajosos. A frase tatuada nas costas de Geovani Campos Canton, de 28 anos, ganhou um significado especial nesta semana. Poucos dias após sofrer uma grave lesão medular em um acidente de moto, o paciente se tornou o primeiro da Fhemig a receber uma aplicação de polilaminina, substância experimental estudada como potencial aliada na recuperação neurológica após traumas na medula espinhal ou nos nervos da coluna vertebral.

O procedimento foi realizado na última terça-feira (23/6), no Complexo Hospitalar de Barbacena (CHB), por equipes da unidade em conjunto com profissionais ligados ao Projeto Polilaminina, desenvolvido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A substância ainda está em fase de pesquisa clínica e integra um protocolo experimental autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso compassivo, destinado a pacientes com condições graves e sem alternativas terapêuticas equivalentes disponíveis.
Geovani sofreu o acidente na sexta-feira (19/6) à noite, deu entrada no CHB, passou por cirurgia no domingo e, após avaliação dos critérios de elegibilidade, teve a documentação necessária providenciada para que a aplicação ocorresse o mais rápido possível, favorecendo assim o tratamento.
“Hoje foi um dia histórico. Conseguimos propor a um paciente internado em um hospital 100% SUS a participação no protocolo de uso compassivo da polilaminina. É uma proteína que está sendo estudada pela capacidade de estimular a regeneração nervosa e ampliar as possibilidades de recuperação neurológica e de qualidade de vida”, explica o ortopedista e cirurgião de coluna do CHB, Renato Guimarães.
Como funciona
A polilaminina é uma versão otimizada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e fundamental para o desenvolvimento das células nervosas. Os pesquisadores buscam verificar sua capacidade de reduzir a inflamação na área lesionada e favorecer a reconexão de estruturas, funcionando como uma espécie de “andaime molecular” para orientar o crescimento dos axônios, que atuam como um fio de transmissão do sistema nervoso.
Segundo o neurocirurgião do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, Bruno Cortes, integrante do projeto, os resultados seguem em avaliação científica. “O objetivo é favorecer a regeneração neuronal e criar condições para uma recuperação funcional maior do que a observada naturalmente. Não existe garantia de reversão da lesão, mas buscamos ampliar as perspectivas de ganho neurológico e qualidade de vida”, afirma.
Após a aplicação, o tratamento continua. A substância pode criar condições biológicas favoráveis para a regeneração, mas a fisioterapia é indispensável para estimular as conexões nervosas e o reaprendizado funcional.
Para a diretora assistencial do CHB, Vivian Miranda, o procedimento representa um marco para a instituição. “A aplicação de polilaminina consolida o compromisso do hospital com a assistência de alta complexidade, a inovação e a busca contínua pela excelência e segurança do paciente. Esse resultado só foi possível graças ao empenho de uma equipe multiprofissional altamente qualificada e comprometida”, destaca.
Vera Canton, mãe de Geovani, ressalta o acolhimento recebido durante a internação. “Foi tudo muito rápido. Desde que ele chegou ao hospital foi muito bem atendido. Os profissionais explicaram a gravidade da lesão e todos os procedimentos que seriam realizados. Estou confiante, tenho fé e sou muito grata a toda a equipe pelo cuidado com meu filho”, relata.
Em meio à espera pelos próximos passos do tratamento, Geovani mantém o otimismo. “Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Tenho grande expectativa”, afirma.
O deslocamento dos profissionais responsáveis pela aplicação foi realizado com apoio aéreo do Batalhão de Operações Aéreas (BOA) do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A ação reforça a integração entre os órgãos no atendimento a demandas estratégicas da saúde pública.
Fonte: Agência Minas.

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