Endocrinologia na rede municipal de Poços de Caldas tem 810 pacientes na fila e apenas dois especialistas
Atualizado em 06/05/2026
Resposta da Secretaria de Saúde à Câmara aponta ausência de endocrinologistas nas ESFs e modelo de atendimento sem carga horária fixa

Em resposta a um pedido de informações apresentado na Câmara Municipal, a Secretaria de Saúde de Poços de Caldas detalhou como funciona o atendimento em Endocrinologia na rede pública. O documento de autoria do vereador Aliff Jimenes, é assinado pelo secretário adjunto de Saúde, José Gabriel Pontes Baeta da Costa.
Atendimentos não ocorrem na Atenção Primária
De acordo com a resposta, os atendimentos especializados em Endocrinologia não são realizados no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), incluindo as equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESFs), já que a especialidade não integra a composição básica dessas equipes.
Nas unidades de APS, os atendimentos são feitos por médicos generalistas, com acolhimento, avaliação clínica inicial e acompanhamento contínuo dos pacientes. O manejo inclui condições compatíveis com esse nível de atenção, como doenças crônicas prevalentes, entre elas diabetes mellitus e distúrbios da tireoide.
O quantitativo de atendimentos especializados foi apresentado em anexo ao documento.
Dois especialistas atuam na rede, sem carga horária fixa
A Secretaria informou que não há endocrinologistas nas equipes de Atenção Primária. Os especialistas vinculados ao serviço atuam por meio de contratação como Pessoa Jurídica (PJ), sem carga horária fixa definida.
Nesse modelo, não há jornada semanal ou mensal estabelecida. A remuneração ocorre por produção, ou seja, conforme o número de consultas realizadas e registradas nos sistemas competentes.
Atualmente, dois profissionais atuam na especialidade:
- Cristina Bastos Vieira, com atendimentos na Policlínica Central e Sul;
- Luiz Gustavo Vimieiro, com atuação na Policlínica Central.
A agenda é organizada mensalmente: cada médico informa à Central de Regulação os dias disponíveis e a quantidade de vagas que irá ofertar. Com base nesses dados, a Central estrutura a agenda e distribui as vagas às Unidades Básicas de Saúde (UBSs), responsáveis pelo agendamento dos pacientes conforme critérios assistenciais e filas de espera.
Fila de espera tem 810 solicitações
O documento confirma a existência de lista de espera para consultas com endocrinologista. Atualmente, há 810 solicitações registradas, entre primeiras consultas e retornos.
A Secretaria informa que não dispõe de sistema informatizado capaz de calcular o tempo médio ou máximo de espera, uma vez que os registros são, em grande parte, físicos e descentralizados.
Os atendimentos seguem critérios de priorização clínica, o que faz com que o tempo de espera varie conforme a gravidade de cada caso. Durante esse período, os pacientes permanecem sob acompanhamento das equipes da Atenção Primária, com possibilidade de reavaliação e reclassificação de prioridade conforme a evolução do quadro clínico.
ESFs não contam com endocrinologistas
Segundo a Secretaria, nenhuma unidade de Estratégia de Saúde da Família do município possui médico especialista em Endocrinologia. A composição das equipes segue as diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que prevê profissionais com perfil generalista.
Cabe à Atenção Primária o cuidado inicial, o acompanhamento contínuo e a coordenação do atendimento, com encaminhamento para a atenção especializada quando necessário.
Encaminhamento segue fluxo definido
O encaminhamento para atendimento endocrinológico ocorre a partir da avaliação clínica realizada pelo médico da APS. Quando há indicação para acompanhamento especializado, o profissional registra a solicitação no prontuário eletrônico.
O fluxo segue as seguintes etapas:
- atendimento inicial na unidade de referência;
- solicitação de consulta especializada pelo médico;
- organização dos encaminhamentos pela unidade;
- agendamento conforme disponibilidade de vagas, respeitando critérios clínicos e ordem cronológica.

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