Comissão da Câmara debate possíveis impactos da exploração de terras raras em Poços de Caldas
Atualizado em 10/09/2026
Reunião contou com pesquisadores, moradores, representantes da sociedade civil e autoridades, além de discussões sobre questões econômicas, sociais e ambientais

A Comissão Especial de Terras Raras da Câmara Municipal de Poços de Caldas realizou, na quinta-feira (3), mais uma reunião extraordinária para discutir os possíveis impactos da exploração de terras raras no município. O encontro reuniu pesquisadores, representantes da sociedade civil, autoridades e moradores, dando continuidade aos debates sobre os aspectos econômicos, sociais e ambientais relacionados à atividade.
Durante a reunião, a Comissão recebeu um ofício encaminhado pelo Coletivo da Causa Animal de Poços de Caldas. O documento solicita informações e medidas de proteção à fauna e à biodiversidade no âmbito do Projeto Colossus.
O coletivo destaca a sensibilidade ambiental da área, a presença de remanescentes de vegetação nativa, recursos hídricos de importância regional e a ocorrência de fauna silvestre.
Pesquisadores e moradores participam do debate
Também fizeram uso da tribuna convidados de diferentes áreas. Participaram professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), representantes da agricultura familiar, do Grupo Terra Viva Água Rara, moradores da Zona Sul e integrantes do Movimento Rara é a Vida.
A reunião contou ainda com a participação do ex-prefeito e ex-vereador Paulo Tadeu Silva D’Arcadia, que havia protocolado um ofício solicitando sua participação no encontro, e do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação.
O secretário apresentou as ações desenvolvidas pela pasta em relação ao tema das terras raras e respondeu a questionamentos feitos pelos convidados que compuseram a mesa e pelos vereadores integrantes da Comissão.
Arrecadação, empregos e impactos econômicos
Segundo o presidente da Comissão, vereador Tiago Braz (REDE), a presença de representantes das universidades e da população foi um dos principais destaques da reunião.
De acordo com o parlamentar, os pesquisadores foram convidados para contribuir com conhecimento técnico e científico em um debate que poderá ter reflexos significativos sobre o futuro do município.
Entre os assuntos discutidos estiveram a arrecadação, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), royalties, mercado de trabalho, custo de vida e infraestrutura.
Também foram levantadas questões relacionadas à necessidade de o município discutir alternativas econômicas, de forma a evitar uma eventual dependência de atividades extrativas.
Para Tiago Braz, a participação de pesquisadores, especialistas e moradores amplia a discussão sobre os diferentes aspectos envolvidos em um possível processo de exploração mineral.
“A Comissão vai continuar fazendo o seu papel: trazendo a universidade, pesquisadores, especialistas e a população para dentro desse debate”, afirmou.
O vereador também criticou, durante sua manifestação, a atuação da Prefeitura em relação à preparação de levantamentos sobre o tema.
“Estamos discutindo um possível processo de exploração mineral que pode trazer grandes impactos econômicos, sociais e ambientais para Poços de Caldas por muitos anos e, a cada convite que fazemos a representantes do Poder Executivo, fica ainda mais evidente o quanto a Prefeitura não se preocupou em realizar levantamentos importantes sobre o tema.”
Tiago Braz afirmou ainda que, na avaliação dele, a exploração de terras raras deve ser analisada considerando seus possíveis efeitos de longo prazo para o município.
“Terras raras não podem ser tratadas como uma oportunidade qualquer. Estamos falando do futuro de Poços de Caldas, e o futuro da cidade não pode ser decidido no improviso”, declarou.

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