BNDES defende participação de Vale e Petrobras em minerais críticos e terras raras
Atualizado em 19/08/2026
Mercadante quer ampliar atuação de grandes empresas brasileiras em cadeias como lítio, cobre, terras raras e produção de baterias

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta terça-feira (18) uma participação maior de grandes empresas brasileiras, como Vale e Petrobras, no desenvolvimento das cadeias de minerais críticos e terras raras no país.

Durante um evento sobre mineração realizado pela Vale, em Brasília, Mercadante afirmou que o BNDES pretende discutir com a mineradora oportunidades de atuação em lítio, cobre e terras raras. Ele também defendeu a inclusão da Petrobras nessa estratégia.
“Queremos olhar com a Vale o lítio, o cobre — o mundo inteiro está atrás de cobre. E tem que olhar terras raras. Desde que eu era ministro da Ciência e Tecnologia, falo em terras raras. As mineradoras nunca quiseram, porque a China nunca quis que a gente entrasse”, afirmou.
Mercadante também destacou a necessidade de avançar no processamento dos minerais e na fabricação de produtos de maior valor agregado.
“Acho que está na hora de trazer também a Petrobras para essa conversa. Precisamos produzir as baterias e as células das baterias. É isso que vai trazer valor. E criar uma relação mais parceira entre Estado e mercado”, acrescentou.
Estratégia ainda não representa novos projetos
As declarações não representam, até o momento, o anúncio de um novo projeto da Vale ou da Petrobras no setor. Elas reforçam, porém, uma estratégia que já vem sendo construída pelo BNDES para ampliar não apenas a produção mineral, mas também o processamento e a fabricação, no Brasil, de produtos de maior valor agregado.
Em junho, BNDES e Petrobras assinaram um protocolo para desenvolver iniciativas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em minerais críticos e estratégicos. O acordo prevê troca de informações e análises para identificar lacunas de capacidade produtiva e tecnológica relacionadas às cadeias da transição energética e dos setores de petróleo e gás.
Fundo de até R$ 1 bilhão
A aproximação entre BNDES e Vale também já vinha sendo construída. As instituições estruturaram o Fundo de Investimento em Participações (FIP) Minerais Estratégicos, com previsão de mobilizar até R$ 1 bilhão para investir em cerca de 20 empresas de pequeno e médio porte envolvidas em pesquisa mineral, desenvolvimento e implantação de novas minas no Brasil.
Entre os minerais considerados prioritários estão cobre, lítio, níquel, grafita, terras raras, nióbio e manganês, além de outros insumos considerados relevantes para a transição energética.
Vale e BNDESPar previram aportes entre R$ 100 milhões e R$ 250 milhões cada, enquanto investidores privados deverão complementar o capital do fundo.
Foco também no processamento
O BNDES também busca ampliar sua atuação para além da extração mineral. Em 2025, o banco e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) anunciaram R$ 5 bilhões para financiar projetos de transformação de minerais estratégicos.
A iniciativa contempla cadeias de lítio, terras raras, níquel, grafita e silício e prevê apoio a etapas como a produção de células de baterias, células fotovoltaicas e ímãs permanentes.
É justamente essa passagem da extração mineral para etapas posteriores da cadeia produtiva que Mercadante voltou a defender ao citar a fabricação de células e baterias.
A avaliação do governo é que apenas ampliar a extração e a exportação de minerais não seria suficiente para que o país capture uma parcela maior do valor econômico gerado pela demanda global por tecnologias relacionadas à transição energética, eletrificação e defesa.
Disputa internacional por minerais críticos
A atuação de instituições públicas para reduzir o risco financeiro de projetos minerais também ganhou força internacionalmente.
Nos Estados Unidos, o Eximbank (Export-Import Bank of the United States) criou mecanismos para financiar projetos de minerais críticos dentro e fora do país e já anunciou bilhões de dólares em cartas de interesse para iniciativas do setor.
A DFC (U.S. International Development Finance Corporation), instituição norte-americana de financiamento ao desenvolvimento, também passou a investir diretamente na segurança da cadeia mineral. A instituição assinou um financiamento de US$ 565 milhões para a expansão da mina de terras raras da Serra Verde, em Goiás.
Na Austrália, outro grande produtor mineral, a EFA (Export Finance Australia) mantém uma linha governamental de AU$ 5 bilhões destinada especificamente ao financiamento de mineração, processamento e infraestrutura de minerais críticos.
O objetivo é apoiar projetos que avancem na cadeia de valor e mobilizar investimentos privados em conjunto com recursos públicos.
Fonte: Com informações de CNN Brasil.

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