Vereador aciona MP e Polícia Civil para investigar suposta venda ilegal de jazigos e desaparecimento de restos mortais em Poços de Caldas
Atualizado em 04/11/2026
Vice-presidente da Câmara, Flavinho de Lima e Silva (MDB), formalizou representações e solicita investigação sobre possíveis irregularidades na administração do Cemitério Municipal

Nesta quarta-feira (4), vieram a público denúncias envolvendo a gestão do Cemitério Municipal de Poços de Caldas. O vereador e vice-presidente da Câmara Municipal, Flavinho de Lima e Silva (MDB), formalizou representações junto ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, à Polícia Civil e à Prefeitura, solicitando a apuração de um suposto esquema irregular de comercialização de jazigos.
Desaparecimento de restos mortais e obras irregulares
Os primeiros relatos surgiram em setembro de 2026, quando a titular de um jazigo visitou o cemitério e não conseguiu localizar o túmulo de seu familiar.
Com o auxílio de uma profissional que trabalha na limpeza dos túmulos, a proprietária encontrou o local exato, mas constatou que o jazigo havia passado por intervenções recentes de alvenaria, com a construção de aproximadamente duas a três novas gavetas.
Além das obras não autorizadas, os restos mortais do familiar haviam desaparecido, sem que qualquer aviso prévio ou pedido de consentimento fosse realizado.
Fotografias anexadas à denúncia mostram a execução de obras no interior do túmulo, exibindo blocos de concreto, ferramentas e materiais de construção.
Tentativa de ocultação e ameaças

Ao buscar esclarecimentos junto à administração do cemitério, a titular do jazigo relatou uma conduta atípica. O responsável pelo local teria exigido que a conversa ocorresse fora das dependências do cemitério, fornecido um telefone particular para contato e orientado a proprietária a não registrar o caso junto às autoridades policiais.
A situação se agravou quando a lavadora de túmulos encontrou no mesmo jazigo um homem que se identificou como o atual dono do espaço e adquirente do túmulo. Durante a abordagem, houve um desentendimento que resultou em uma ameaça de morte proferida pelo suposto comprador contra a zeladora.
Denúncia aponta possível mercado paralelo de jazigos
A denúncia inclui também uma carta escrita à mão por uma terceira pessoa, relatando ter sido abordada com uma oferta para adquirir um túmulo no local.
Contudo, ao procurar a recepção do cemitério para obter mais informações, essa pessoa foi informada pela administração de que não havia jazigos disponíveis e que existia uma fila de espera obrigatória.
A contradição entre a oferta e a informação oficial reforça a hipótese de uma rede irregular de negociações operando na instituição.
Representações pedem investigação e proteção às testemunhas
Diante dos relatos, a Guarda Civil Municipal foi acionada e registrou um boletim de ocorrência, que também foi repassado à Polícia Militar.
Nos documentos encaminhados aos órgãos competentes, o vereador solicita a investigação da possível venda irregular dos espaços, a localização dos restos mortais desaparecidos e a requisição dos registros de titularidade e autorizações de obras junto à administração municipal.
Para preservar as identidades das vítimas e testemunhas, os dados de contato dos envolvidos foram entregues às autoridades em um documento sigiloso anexo.

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