UNECS pede obstrução de proposta que prevê fim da escala 6×1 e alerta para impacto em empregos e preços
Atualizado em 08/10/2026
ACIA compartilha com associados posicionamento da entidade, que defende maior amadurecimento do debate e considera que mudanças na jornada devem levar em conta as características de cada setor

A União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS) defende que o debate sobre o fim da escala 6×1 e a mudança na jornada de trabalho não avance, neste momento, para uma deliberação no Congresso Nacional. A entidade afirma que a discussão ainda precisa de maior amadurecimento técnico e recomenda a obstrução da proposta, diante do avanço da medida no Senado e do risco de que o debate seja influenciado pelo calendário eleitoral.
O posicionamento foi divulgado em matéria publicada pelo Correio Braziliense e compartilhado pela Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Poços de Caldas (ACIA) com seus associados.
Para a UNECS, a discussão sobre novos modelos de jornada é legítima e necessária, mas eventuais mudanças precisam conciliar a melhoria das condições de trabalho com a preservação dos empregos, a competitividade das empresas e a sustentabilidade das atividades econômicas.
“Entendemos que a PEC não reúne, neste momento, condições para uma deliberação suficientemente amadurecida e recomendamos a obstrução da proposta”, afirmou Leonardo Miguel Severini, presidente da UNECS e da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD).
Leonardo Severini também é diretor jurídico da ACIA e participa da representação dos interesses do setor empresarial.
Entidade alerta para reflexos no custo das empresas
Um dos principais argumentos apresentados pela UNECS é que comércio e serviços reúnem atividades com características muito diferentes entre si. Há setores que dependem de funcionamento contínuo, horários estendidos, atendimento aos fins de semana e feriados e grande quantidade de trabalhadores.
Por isso, segundo a entidade, a adoção de um modelo único de jornada poderia produzir efeitos diferentes em cada segmento.
A UNECS alerta que uma mudança sem considerar essas particularidades pode aumentar os custos operacionais e afetar a produtividade, a oferta de empregos formais e os preços pagos pelos consumidores.
O varejo alimentar é citado como exemplo da dimensão do setor. De acordo com os dados apresentados pela entidade, o segmento representa 9,12% do Produto Interno Bruto (PIB), reúne aproximadamente 9 milhões de empregos diretos e indiretos e conta com mais de 439 mil lojas em todo o país.
A preocupação da UNECS é que empresas que dependem de funcionamento durante períodos mais amplos precisem reorganizar suas equipes diante de uma eventual redução da jornada ou alteração na escala de trabalho. Na avaliação da entidade, esses impactos precisam ser considerados antes de uma decisão definitiva sobre o tema.
UNECS defende modelos mais flexíveis
Em vez de um modelo único para todos os setores, a entidade empresarial defende alternativas que permitam maior flexibilidade na organização do trabalho.
Entre as propostas em discussão no Congresso está a PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho, que prevê um regime baseado em horas trabalhadas. Segundo a UNECS, o modelo permitiria ao trabalhador optar entre o regime tradicional da CLT e uma modalidade flexível, com remuneração e direitos proporcionais às horas trabalhadas.
A entidade afirma que esse tipo de alternativa pode levar em conta as diferentes características das atividades econômicas e as necessidades de trabalhadores e empresas.
UNECS reúne entidades de comércio e serviços
A União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços reúne oito organizações nacionais: Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), Associação Brasileira de Tecnologia para o Comércio e Serviços (AFRAC), Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (ANAMACO), Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e GS1 Brasil.

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