Brasil só terá produção de ímãs de terras raras 100% nacional entre 2032 e 2035
Atualizado em 28/08/2026
Apesar do avanço da mineração e do potencial das reservas brasileiras, país ainda enfrenta desafios tecnológicos e industriais para completar toda a cadeia produtiva

Belo Horizonte (MG) – O Brasil deverá levar pelo menos mais seis anos para alcançar a produção totalmente nacional de ímãs permanentes de terras raras, insumo considerado estratégico para a indústria de alta tecnologia, veículos elétricos, energia renovável e defesa. A previsão é do coordenador do Centro de Inovação e Tecnologia do Senai para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), André Luis Pimenta Faria.
A declaração foi feita durante um debate realizado na Exposibram 2026, em Belo Horizonte, um dos principais eventos da mineração brasileira.
Segundo Faria, embora o país possua reservas expressivas de terras raras e esteja avançando no desenvolvimento de projetos minerários, ainda existem gargalos importantes para que toda a cadeia produtiva seja nacionalizada.
“Se olharmos para um aspecto completo de tudo que é necessário para produzir um ímã permanente, a gente está falando de um horizonte mais distante, talvez 2032, 2035”, afirmou.
Atualmente, os desafios vão além da extração dos minerais. O Brasil ainda precisa ampliar sua capacidade de processamento, desenvolver ligas metálicas específicas, dominar tecnologias industriais e fabricar equipamentos necessários para a produção em larga escala.
Setor estratégico para o futuro
Os ímãs permanentes de terras raras são componentes essenciais para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de automação industrial e aplicações na área de defesa.
O tema tem ganhado relevância diante da corrida global pelos chamados minerais críticos, considerados fundamentais para a transição energética e para a economia de baixo carbono.
Atualmente, a China concentra grande parte da produção e do processamento mundial de terras raras. Esse cenário tem levado diversos países a buscar alternativas para reduzir a dependência externa.
Brasil quer agregar valor aos minerais
Especialistas defendem que o Brasil não se limite à exportação de minério bruto e avance na industrialização dos minerais críticos. A criação de uma cadeia produtiva nacional permitiria agregar valor à produção, gerar empregos qualificados e fortalecer a competitividade do país em setores de alta tecnologia.
Com algumas das maiores reservas de terras raras do mundo, o Brasil é visto como um potencial protagonista nesse mercado. No entanto, a consolidação de uma indústria nacional de ímãs permanentes ainda dependerá de investimentos em pesquisa, inovação, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico nos próximos anos.

Nossos canais de comunicação:

Deixe um comentário