Vacina contra o tabagismo criada no Brasil avança em testes e busca bloquear nicotina no sangue
Atualizado em 28/08/2026
Tratamento prevê três doses e pode se tornar uma alternativa complementar no combate à dependência de nicotina

Pesquisadores brasileiros avançaram no desenvolvimento de uma vacina contra o tabagismo desenvolvida integralmente no país. O imunizante está em fase avançada de pesquisas em um laboratório farmacêutico de Itapira, no interior de São Paulo, após cerca de um ano e meio de estudos.
A proposta é utilizar o sistema imunológico para impedir que a nicotina chegue ao cérebro, interrompendo uma das principais etapas responsáveis pela dependência química causada pelo cigarro.
Como funciona
Um dos principais desafios enfrentados historicamente pelas pesquisas para desenvolver uma vacina contra o tabagismo é o tamanho reduzido da molécula de nicotina. Por ser muito pequena, ela não costuma ser facilmente identificada pelo sistema imunológico e consegue circular pela corrente sanguínea até alcançar o sistema nervoso central.
A estratégia desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros consiste em ligar a nicotina a uma molécula maior. Dessa forma, o organismo passa a reconhecer o composto como uma substância capaz de provocar uma resposta imunológica e produz anticorpos específicos.
Esses anticorpos ficam responsáveis por reter a nicotina na corrente sanguínea, dificultando sua passagem pela barreira hematoencefálica. Com isso, a substância deixa de alcançar o cérebro e, consequentemente, não provoca a mesma liberação de dopamina associada à sensação de prazer proporcionada pelo consumo.
A estratégia pretende funcionar tanto para a nicotina proveniente de cigarros convencionais quanto para a presente em dispositivos eletrônicos.
Testes
Até o momento, os estudos laboratoriais foram realizados em modelos animais e apresentaram resultados positivos na indução da resposta imunológica.
O esquema terapêutico estudado prevê três doses, aplicadas com intervalo de aproximadamente um mês entre elas. Ainda não há estimativa de preço para um eventual produto comercial.
Antes de chegar ao mercado, porém, a vacina precisará passar por todas as etapas de estudos clínicos em seres humanos e pelos processos de avaliação e aprovação dos órgãos reguladores.
Impacto do tabagismo
O desenvolvimento da vacina ocorre em meio a um cenário de grande impacto do tabagismo na saúde pública brasileira. Segundo os dados apresentados no projeto, doenças relacionadas ao consumo de produtos derivados do tabaco provocam cerca de 145 mil mortes por ano no país.
Caso as próximas etapas de pesquisa confirmem a segurança e a eficácia do tratamento, a expectativa dos pesquisadores é que a vacina possa estar disponível comercialmente até 2030.
A proposta não é substituir imediatamente os tratamentos existentes, mas atuar como uma alternativa complementar no combate à dependência de nicotina. Atualmente, as estratégias de tratamento incluem medicamentos e terapias de substituição de nicotina, além de medicamentos como a bupropiona.
Ao estimular a produção de anticorpos capazes de reter a nicotina no sangue, o novo imunizante busca atuar diretamente sobre o mecanismo que permite que a substância chegue ao cérebro e desencadeie os efeitos relacionados à dependência.

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