Polêmica sobre sistema anti-spam da Vivo gera disputa entre operadoras na Anatel
Atualizado em 04/08/2026
Empresas afirmam que ferramenta bloqueia chamadas legítimas, enquanto operadora diz que serviço protege clientes contra ligações fraudulentas e em massa

Um sistema criado para bloquear ligações indesejadas está no centro de uma disputa entre operadoras de telefonia e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O serviço Vivo Anti-spam, oferecido pela Vivo desde novembro de 2024 e ativado automaticamente em novas linhas móveis da operadora, é alvo de reclamações de empresas que afirmam que a ferramenta tem impedido a realização de chamadas legítimas, incluindo contatos de hospitais, órgãos públicos e serviços essenciais.
Segundo a Vivo, o sistema identifica e bloqueia ligações massivas e fraudulentas antes que elas cheguem aos clientes, reduzindo o número de chamadas automáticas e de tentativas de fraude por meio de números falsificados.
No entanto, ao menos sete empresas apresentaram reclamações formais à Anatel alegando que milhares de chamadas legítimas foram interrompidas pelo filtro da operadora.
Empresas relatam prejuízos
Entre as empresas que questionam o sistema está a Adyl Telecom, que afirma que mais de 16 mil ligações foram bloqueadas desde o início de junho. Segundo a companhia, hospitais e órgãos públicos tiveram seus atendimentos prejudicados.
A 3corp Technology, responsável pelos serviços de telefonia da Prefeitura de Araçatuba (SP), também denunciou que mais de 800 números utilizados pela administração municipal tiveram chamadas bloqueadas. De acordo com a empresa, os telefones são utilizados para atendimentos nas áreas de saúde, segurança e educação.
Após negociações, a 3corp informou que os números foram liberados e voltaram a operar normalmente.
Já a Adyl afirmou que conseguiu desbloquear a maior parte dos números após contato com o canal de atendimento da Vivo, mas criticou a falta de transparência sobre os critérios adotados para os bloqueios.
Também apresentaram questionamentos à Anatel as empresas Net2Phone Brasil, Agera Telecomunicações, Ateky Internet e Ágil Telecom. A Agera classificou o sistema como uma ferramenta de “degradação artificial de tráfego” e informou que clientes vêm relatando dificuldades para completar chamadas destinadas a usuários da Vivo.
Critérios de bloqueio são alvo da discussão
Para especialistas, o principal ponto da disputa está na definição dos critérios utilizados para identificar uma ligação como spam.
O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, compara o funcionamento do sistema aos filtros de e-mail.
Segundo ele, assim como acontece com mensagens eletrônicas, nenhum sistema anti-spam é totalmente preciso, podendo bloquear comunicações legítimas por engano. Para o especialista, caberá à Anatel definir mecanismos que reduzam esse tipo de ocorrência.
Sistema Origem Verificada também teria sido afetado
A Adyl Telecom e a Agera Telecomunicações afirmaram à Anatel que o anti-spam da Vivo bloqueou inclusive ligações originadas de números autenticados pelo sistema Origem Verificada, criado justamente para aumentar a confiabilidade das chamadas telefônicas.
A tecnologia utiliza o protocolo internacional STIR/SHAKEN, que valida a autenticidade do número utilizado durante a ligação e ajuda a combater fraudes conhecidas como spoofing, quando criminosos falsificam números telefônicos.
O que diz a Vivo
Em manifestação enviada à Anatel, a Vivo informou que o serviço passou por uma fase de testes com cerca de 700 mil usuários antes de ser disponibilizado para toda a base de clientes.
A operadora afirma que o sistema realiza duas verificações antes de bloquear uma chamada: analisa se ela é autenticada e avalia o perfil do número de origem.
Segundo a empresa, apenas chamadas consideradas massivas, sem identificação adequada ou com indícios de fraude são bloqueadas.
A Vivo também afirma que o objetivo da ferramenta é combater o uso de números falsificados (spoofing), prática que impacta milhões de consumidores.
A operadora informou ainda que proprietários de números eventualmente bloqueados podem solicitar uma reavaliação por meio de seu site. Clientes que desejarem desativar o serviço também podem fazê-lo pelo aplicativo da empresa.
Anatel acompanha o caso
A Anatel informou que recebeu as representações das empresas, abriu prazo para manifestação da Vivo e segue analisando toda a documentação apresentada.
Segundo a agência reguladora, o objetivo é encontrar uma solução que preserve o combate às ligações fraudulentas sem comprometer chamadas legítimas, garantindo equilíbrio entre as operadoras e proteção aos consumidores.
Fonte: Com informações de G1.

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