Vereador Sansão admite possibilidade de pressão partidária em votação das contas de Sérgio Azevedo e fala em “fogo amigo” na política de Poços
Atualizado em 11/03/2026
Em entrevista exclusiva ao Programa Café Interativo, secretário da Câmara de Poços de Caldas revela retaliações do Executivo, analisa vazamento de documentos da Controladoria e reforça fidelidade às diretrizes do PL
O vereador Marcos Tadeu de Moraes Sala Sansão (PL) afirmou que pode haver pressão partidária sobre os vereadores durante a votação das contas de 2024 do ex-prefeito Sérgio Azevedo. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Café Interativo, da Sulminas TV, apresentado por Silas Lafaiete, na última terça-feira (10).
A discussão ocorre em meio ao clima político tenso na cidade, marcado pela análise das contas da gestão anterior e pelo vazamento de um documento interno da Prefeitura que teria críticas à condução da área da saúde no governo passado.
Pressão partidária pode influenciar voto
Durante a entrevista, Silas questionou diretamente o vereador sobre a possibilidade de o PL orientar seus parlamentares a votar pela aprovação das contas de Sérgio Azevedo para evitar consequências políticas e jurídicas.
O apresentador lembrou que, pela legislação partidária, o mandato pertence ao partido, e não ao parlamentar.
“A lei é clara. O vereador tem que votar do jeito que o partido quer. E não do jeito que o vereador quer. Você teme que o PL seja obrigado a votar favorável à aprovação das contas do Sérgio por pressão do próprio partido?”, perguntou o jornalista.
Sansão respondeu que essa hipótese existe.
“Pode acontecer. Pode acontecer sim, Silas, porque isso que você falou é verdade. Hoje a cadeira do vereador pertence ao partido, então a gente vota de acordo com o partido”, afirmou.
Apesar disso, ele disse que a direção municipal da sigla, comandada pelo ex-vereador Marcelo Heitor, com o vice-presidente Tiago Cavelagna, tem mantido diálogo aberto com os parlamentares.
“Eu sou um vereador de grupo e trabalho junto com o grupo do PL hoje. O que não aconteceu até agora é imposição. O Marcelo Heitor e o Tiaguinho nos dão total liberdade, conversam muito e temos portas abertas com os dois”, disse.
Vazamento de documento levanta suspeita de “fogo amigo”
Outro ponto de destaque da entrevista foi o vazamento de um documento interno da controladoria municipal, que teria sido encaminhado ao prefeito Paulo Ney e passou a circular entre vereadores e jornalistas às vésperas da análise das contas do ex-prefeito.
Segundo Sansão, o material foi recebido por ele durante a noite do dia anterior à entrevista.
“Era quase 10 horas da noite e eu recebi esse documento duas vezes, justamente às vésperas da votação das contas de 2024 da gestão anterior. De repente começam a vazar documentos internos da prefeitura para vereadores e imprensa”, relatou.
O vereador afirmou considerar estranho o vazamento, já que o documento teria circulação restrita dentro da administração.
“É um documento direcionado ao prefeito e que poucas pessoas tinham acesso. De repente ele se torna público. A gente fica pensando quem está por trás disso”, afirmou.
O documento, segundo ele, seria assinado pelo controlador municipal Vinícius Gadbem e pelo secretário adjunto de saúde José Gabriel Pontes Baeta da Costa.
Sansão sugeriu que a divulgação pode ter motivação política.
“A gente fica pensando que é fogo amigo”, disse.
Impacto político nas contas do ex-prefeito
Na avaliação do vereador, o conteúdo do documento pode influenciar diretamente o clima político na Câmara.
Segundo ele, o relatório traz uma análise crítica da gestão anterior na área da saúde.
“Quando aparece um documento oficial interno completamente contra o ex-prefeito, isso pode dificultar bastante a vida dele”, afirmou.
Mesmo assim, Sansão disse que ainda pretende analisar o processo completo antes de definir seu voto.
Relação com o Executivo
Durante a entrevista, o vereador também afirmou que o relacionamento entre vereadores do PL e o governo municipal teria se deteriorado após algumas votações no Legislativo.
Segundo ele, houve restrições no atendimento aos parlamentares.
“Hoje nós temos portas fechadas no Executivo. Por conta das últimas votações, foi proibido que secretários atendessem pedidos do nosso gabinete”, declarou.
Contas de 2024 podem enfrentar resistência
A análise das contas do ex-prefeito é considerada um dos temas políticos mais sensíveis atualmente na cidade.
Sansão afirmou que o parecer da Comissão de Finanças da Câmara e o ambiente político criado após o vazamento do documento podem dificultar a aprovação.
“Com toda essa situação, com documento vazado e a campanha que está sendo feita, eu vejo muita dificuldade na aprovação das contas”, afirmou.
A votação final deverá ocorrer em plenário nas próximas sessões da Câmara Municipal.
Assista à entrevista completa
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