Tensão no Oriente Médio pressiona mercado e gera restrições na oferta de combustíveis em Minas Gerais
Atualizado em 10/03/2026
Entidades do setor relatam dificuldades nas negociações e apontam limitação no fornecimento em cidades do interior
O conflito no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo no mercado internacional continuam impactando o abastecimento e os preços dos combustíveis em Minas Gerais. Entidades que representam o setor alertam para dificuldades nas negociações comerciais e até restrições na oferta em algumas regiões do Estado.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, o mercado vive um momento de forte instabilidade após a recente disparada do petróleo. No domingo (8), o barril do Brent crude oil chegou a US$ 119, valor que recuou no dia seguinte, ficando na faixa de US$ 91.
Segundo Araújo, mesmo com a queda, o preço ainda está muito acima das referências utilizadas pela Petrobras.
“No domingo houve uma alta e o Brent chegou a US$ 119 por barril. Felizmente, esse valor recuou ao longo do dia seguinte e está atualmente na faixa de US$ 91 por barril. Mas ainda é um patamar muito elevado quando comparado às referências usadas pela Petrobras”, afirmou.
Dificuldade nas negociações
Para o presidente da Abicom, o principal problema neste momento não é exatamente a falta de combustíveis, mas a dificuldade de fechar acordos comerciais diante da expectativa de reajuste de preços.
De acordo com ele, consumidores que possuem contratos seguem recebendo produtos normalmente, enquanto compradores que dependem do chamado mercado “spot” encontram mais obstáculos para negociar.
Importadores e refinarias privadas, segundo Araújo, já trabalham com valores superiores aos praticados pela Petrobras, enquanto parte do mercado aguarda um possível reajuste da estatal.
“A qualquer momento, quem está comprando produto importado ou de refinaria privada pode pagar mais caro do que já paga, porque não está pagando conforme a referência da tabela da Petrobras. E quem está comprando com a Petrobras está na expectativa de que a estatal faça esse reajuste no preço. Então, acho que esse é o problema do mercado hoje”, disse.
Ele também destacou que a defasagem entre os preços internos e os internacionais aumentou. No caso do diesel, a diferença chega a quase R$ 2 por litro, enquanto na gasolina gira em torno de R$ 0,90 por litro.
Relatos de restrição no interior
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) informou que recebeu relatos de restrições na venda de combustíveis por parte da Vibra Energia, antiga BR Distribuidora e considerada a maior distribuidora do país.
Em comunicado divulgado pela entidade, a empresa teria limitado a oferta de etanol, gasolina e diesel, inclusive para postos de sua própria rede bandeirada, situação que aumenta a preocupação entre revendedores.
Segundo o sindicato, o setor segue monitorando o cenário e manifesta preocupação com a defasagem dos preços dos combustíveis e com o repasse antecipado de valores por parte das distribuidoras.
Fonte: Com informações de Diário do Comércio.
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