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Sesc Poços de Caldas apresenta primeira exposição de tapeçarias de Éder Rezende

Atualizado em 02/03/2026

 

Mostra reúne mais de 30 obras do artista têxtil mineiro e segue aberta ao público até 25 de maio

O Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc Poços de Caldas, realiza a exposição “Tapeçarias de Éder Rezende”, que apresenta a trajetória do artista têxtil mineiro, filho de tapeceiro poços-caldense. A mostra gratuita teve início em 28 de fevereiro e permanece em cartaz até 25 de maio, com visitação de segunda a sábado, das 9h às 21h, na unidade localizada na Rua Paraná, 229.

Ao todo, mais de 30 obras em tapeçarias contemporâneas integram a exposição. As peças revelam a combinação entre técnicas milenares e contemporâneas, resultado de uma trajetória marcada por arte, comunicação, viagens e reinvenção pessoal.

Retorno às raízes após duas décadas

“Tudo tem uma história, um motivo e um porquê.” É a partir dessas perguntas que Éder Rezende constrói suas obras. Após quase 20 anos afastado da tapeçaria, ele retorna às origens e funda seu segundo ateliê, agora em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais.

Filho de tapeceiro, cresceu pulando sobre rolos de carpete na loja Mantiqueira, fundada pelo pai há mais de quatro décadas. Na juventude, trabalhou vendendo tapetes industrializados e artesanais — de sisal, persas, chineses, entre outros. Hoje, revisita esse universo com olhar contemporâneo, utilizando ferramentas como a pistola elétrica Tufting Gun e a pistola pneumática AK-3, conectada a compressor de alta pressão, equipamento dominado por poucos artistas têxteis no Brasil devido à complexidade e por ser importado.

As referências que alimentam sua criação passam pela arquitetura de Oscar Niemeyer, pelos jardins de Burle Marx e pela música de artistas como Maria Bethânia, Caetano Veloso, David Bowie e Freddie Mercury, além das críticas visuais de Banksy.

Carreira na Comunicação e passagem por grandes centros culturais

Formado em Jornalismo, Éder construiu carreira sólida na Comunicação Corporativa, tornando-se um dos assessores de imprensa mais procurados do país durante a pandemia, quando representava a vacina da Pfizer.

Morou em São Paulo, Salvador e Londres. Na capital britânica, frequentava semanalmente a Tate Modern e visitou o British Museum, além de acompanhar de perto a Bienal de Veneza, em 2019.

Após quase duas décadas no mercado de comunicação e uma volta ao mundo, um grave acidente de carro, enquanto vivia no Rio de Janeiro e se deslocava para visitar os pais em Poços de Caldas, interrompeu sua trajetória. Depois da recuperação — hoje com platinas no joelho e no cotovelo — reencontrou no tear uma nova forma de expressão e de vida.

Museus como refúgio e formação artística

Desde a infância, os museus ocupam papel central em sua história. Ele relembra que, quando criança, buscava nesses espaços proteção contra agressões físicas e verbais sofridas na escola. Em Poços de Caldas, frequentava o Instituto Moreira Salles (IMS), acompanhando exposições e sessões de cinema.

Em São Paulo, ampliou essa vivência cultural, tornando-se frequentador assíduo do MASP, da Pinacoteca de São Paulo, do Museu da Imagem e do Som, do Itaú Cultural, do Museu Afro Brasil e da Casa das Rosas.

Em abril de 2012, esteve na estreia da exposição “Guerra e Paz”, de Candido Portinari, no Memorial da América Latina. Guarda até hoje uma edição do livro com dedicatória de João Candido Portinari, filho do artista, lembrando que poucos imaginavam que as obras retornariam ao Brasil após anos na sede da ONU, em Nova York.

Viagens e referências internacionais

As viagens internacionais — 17 países ao todo — tiveram como foco principal conhecer museus e culturas locais. Entre os espaços que mais o marcaram estão a Tate Modern, em Londres, o Museu do Louvre, a Torre Eiffel, o Museu Van Gogh, o Muro de Berlim e o Park Güell. Também visitou Machu Picchu, no Peru, templos budistas na Tailândia e vulcões nas Ilhas Canárias.

Segundo ele, a convivência com esses espaços culturais foi determinante para a decisão de se tornar artista.

Técnicas, espiritualidade e identidade

O trabalho de Éder combina ponto arraiolo, bordado manual e técnicas contemporâneas. As tapeçarias utilizam lã natural e sintética e exploram formatos orgânicos e texturas variadas. Entre as obras estão “Floresta Tropical”, “O Inusitado” e “Cocar”, além de peças como a jaqueta inspirada em David Bowie.

Recentemente, o artista tatuou um fio de lã conectando a mão à mente, símbolo da ligação entre pensamento e criação. Nascido em 15 de maio de 1986, em Poços de Caldas, tem raízes familiares na zona rural de Congonhal, no Sul de Minas, e soma mais de 70 primos. Após o acidente, passou a considerar 20 de janeiro — Dia de São Sebastião e Oxóssi — como uma nova data simbólica de aniversário.

Católico, batizado e crismado, também frequenta terreiros de umbanda e candomblé, é reikiano nível 3 e pratica pilates. Mantém forte ligação com a música brasileira, especialmente Djavan, Maria Bethânia e Caetano Veloso.

Curadoria

A exposição tem curadoria de Dalmoni Lydijusse, artista plástica em pluri linguagens, professora, atelierista e produtora cultural responsável pelo Arte Ziriguidum, premiada pelo Governo de Minas. A coordenação do projeto é de Maira Leda de Almeida Carvalho.

Serviço

Exposição: Tapeçarias de Éder Rezende
Período: 28 de fevereiro a 25 de maio
Local: Sesc Poços de Caldas
Endereço: Rua Paraná, 229
Entrada: Gratuita
Visitação: Segunda a sábado, das 9h às 21h

Informações adicionais podem ser obtidas pelo e-mail art.eder.rezende@gmail.com ou pelas redes sociais do artista.

 

Nossos canais de comunicação:

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