Provedor da Santa Casa projeta ampliação de leitos e novo prédio hospitalar em Poços de Caldas
Atualizado em 11/02/2026
Plano prevê aumento da capacidade de cerca de 200 para até 350 leitos, além de ampliação de UTIs e implantação de tecnologias como cirurgia robótica

A Santa Casa de Poços de Caldas já planeja uma nova fase de expansão estrutural nos próximos anos. Após o avanço das obras do CETAS – Centro de Tratamento Avançado em Saúde (Oncologia e Nefrologia), o provedor da instituição, Marcos de Carvalho Dias, revelou que está em estudo a construção de um novo prédio para ampliar significativamente a capacidade de atendimento do hospital.
A declaração foi feita durante entrevista ao setor de Comunicação da própria instituição. Segundo Marcos, o projeto prevê a construção de um edifício no espaço onde atualmente funciona o estacionamento do hospital. A proposta é ampliar o número de leitos dos atuais cerca de 200 para aproximadamente 350.
“Queremos ampliar o número de leitos. Há um projeto de construção de um novo prédio que irá aumentar significativamente a capacidade de atendimento da Santa Casa. Os planos também incluem a ampliação das UTIs, das salas cirúrgicas e a implantação de tecnologias de ponta, como cirurgia robótica e ressonância magnética. Somos um hospital do interior, mas precisamos oferecer tecnologia e qualidade de saúde de capital”, afirmou o provedor.
Hoje, a Santa Casa é referência regional, atendendo pacientes de Poços de Caldas e de diversas cidades do Sul de Minas. Apesar da estrutura consolidada e do corpo clínico qualificado, Marcos reconhece que a demanda crescente exige novos investimentos.
“Temos um corpo clínico excelente e uma estrutura de qualidade, mas ainda pecamos na capacidade de atendimento. Falta espaço para atender toda a demanda crescente do Sul de Minas — e isso precisa melhorar”, pontuou.
Trajetória pessoal ligada à história da instituição
A relação de Marcos de Carvalho Dias com a Santa Casa atravessa gerações. Ele retornou definitivamente a Poços de Caldas em 1981 e, em 1983, passou a integrar a Irmandade da Santa Casa a convite do pai, Moacyr Carvalho Dias, conhecido como “Sr. Xixo”, que à época era vice-provedor.
Naquele período, segundo ele, a dinâmica administrativa era diferente, com poucas reuniões ao longo do ano. O provedor era Martinho do Prado Luz, e a instituição vivia um momento considerado próspero.
“A Santa Casa vivia um momento muito pujante. Chegou a ter uma das maiores aplicações financeiras da cidade”, relembra.
Uma ligação familiar desde os primeiros anos

O vínculo da família Carvalho Dias com a Santa Casa remonta aos primeiros anos de funcionamento do hospital, quando a instituição ainda operava em uma estrutura simples na Rua Paraíba, esquina com a Rua Assis, que na época se chamava Rua Paraná.
Com o crescimento da cidade, foi construída uma nova sede onde hoje funciona o Colégio Pio XII. Para viabilizar a obra, a comunidade criou um “Livro de Ouro” para arrecadar recursos. A bisavó de Marcos esteve entre os doadores.
“Foi aí que começou a história da minha família junto com a Santa Casa”, conta.
A escolha do atual terreno
A mudança para o endereço atual também envolve a família. À época, Jorge Pio da Silva Dias, tio-avô de Marcos, era provedor da instituição, e Miguel de Carvalho Dias, seu tio, ocupava o cargo de prefeito.
Durante uma conversa em família sobre a necessidade de expansão, surgiu a sugestão de utilizar uma praça abandonada no alto da Rua Minas Gerais. A ideia partiu de Maria Lúcia, manicure que acompanhava a esposa do então prefeito.
Após consulta nos registros municipais, foi constatado que o terreno pertencia ao Estado de Minas Gerais. Com articulação política, a área foi doada à Santa Casa, mediante contrapartida de atendimento a servidores estaduais — acordo que deixou de existir com a criação do SUS, mas que garantiu a posse definitiva do espaço.
“Ou seja, a Santa Casa está aqui hoje graças àquela sugestão da dona Maria Lúcia”, destacou o provedor.
Superação de crises financeiras
Ao longo das décadas, a instituição enfrentou momentos críticos, especialmente financeiros. Marcos admite que houve períodos de grande apreensão.
“A Santa Casa passou por problemas financeiros. Teve dias em que eu achei que não teria jeito”, afirmou.
Segundo ele, ajustes administrativos e reorganização interna permitiram a recuperação da instituição. Hoje, as contas estão equilibradas e o hospital apresenta resultado financeiro positivo.
“Passamos por momentos muito difíceis, mas hoje as contas estão em ordem, o resultado financeiro é bom e o hospital está bem equipado”, disse.
Reconhecimento aos profissionais
Atualmente, cerca de mil pessoas estão ligadas à Santa Casa, entre funcionários e profissionais que atuam na rede pública municipal. Para o provedor, o diferencial da instituição está no engajamento da equipe.
“Eles não são apenas trabalhadores. Eles são a alma do hospital”, afirmou.
Convite à população
Ao final da entrevista, Marcos reforçou o caráter comunitário da Santa Casa e convidou a população a participar da preservação e fortalecimento da instituição.
“Acredito que todos nós que moramos na cidade já tivemos alguma relação com nosso hospital, que faz parte da vida de todos nós e da história da nossa região como um todo. Convidamos toda a população para nos ajudar a cuidar da Santa Casa, afinal é um patrimônio de Poços de Caldas”, concluiu.
Nossos canais de comunicação:


Deixe um comentário