“O carnaval não acabou”: Com oito legislaturas, Marcus Togni fala no Programa Amigo Promotor sobre retomada dos desfiles, insegurança jurídica e futuro de Poços
Atualizado em 17/01/2026

O Programa Amigo Promotor, exibido ao vivo na quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, pela Rádio Comunitária Estúdio FM 87.9 e pela Sulminas TV, recebeu o vereador Marcus Togni, que soma oito legislaturas na Câmara Municipal de Poços de Caldas. Conduzido pelo promotor de Justiça Dr. Glaucir Antunes Modesto e pelo jornalista Felipe Popó, o programa abordou temas polêmicos como a interrupção dos desfiles das escolas de samba, a retomada do carnaval tradicional, críticas à insegurança jurídica no país e o uso político de julgamentos e prestações de contas.
Insegurança jurídica e críticas ao sistema judicial
Um dos pontos centrais da entrevista foi a crítica direta de Marcus Togni ao que classificou como “insegurança jurídica completa”. Segundo o vereador, a falta de previsibilidade nas decisões judiciais compromete o exercício da advocacia, afeta empresários e dificulta qualquer planejamento de longo prazo.
“Juridicamente está desse jeito. Tem um remédio que a jurisprudência te receita, a lei te faculta pedir, e aí quando você chega lá não tem nada disso, isso não existe mais.”
Marcus Togni afirmou que, muitas vezes, a própria lei e a jurisprudência indicam um caminho, mas decisões acabam mudando conforme a interpretação de magistrados, o que gera insegurança para advogados e clientes. Ele comparou a situação a um diagnóstico médico equivocado, no qual o tratamento proposto não corresponde ao problema apresentado.
“É como se você fosse um médico. Chega lá com dor na barriga e aí você vai falar pro cara que vai ter que operar a cabeça. Não tem a mínima condição.”
O vereador também estendeu a crítica às instâncias superiores, afirmando que a instabilidade decisória não se limita às comarcas do interior e que isso reflete diretamente na vida econômica e política do país.
Julgamento de contas e uso político das decisões
Outro tema sensível abordado foi o julgamento de contas públicas. Marcus Togni defendeu que esse tipo de análise deve seguir critérios técnicos, com base em pareceres do Tribunal de Contas e do Ministério Público, e não servir como instrumento de disputa política.
Ele relatou episódios vividos ao longo de sua trajetória em que decisões administrativas acabaram sendo reinterpretadas anos depois, gerando cobranças e penalidades mesmo sem a caracterização de dolo. Segundo o vereador, esse tipo de situação pode causar danos políticos e pessoais irreversíveis, mesmo quando órgãos técnicos apontam que irregularidades são sanáveis:
“O Tribunal de Contas entendeu que isso aí era passível de correção, não tinha uma robustez tão grande assim.”
Polêmica sobre o fim dos desfiles das escolas de samba
O carnaval de Poços de Caldas ocupou grande parte do debate. Questionado sobre ações populares e comentários recorrentes na internet envolvendo a Associação das Escolas de Samba, Marcus Togni afirmou não ter conhecimento de novos questionamentos e disse não se incomodar com especulações.
Ele negou integrar diretorias de entidades carnavalescas atualmente e afirmou que, em diversas ocasiões, seu nome foi associado de forma equivocada a responsabilidades administrativas. Togni explicou que, nos episódios do passado citados no programa, as contratações e pagamentos foram feitos dentro dos instrumentos legais existentes à época, e que situações semelhantes já haviam sido analisadas pelo Tribunal de Contas, com entendimento de que eram passíveis de correção.
Durante o programa, Marcus Togni também criticou o discurso adotado no passado para justificar o fim do apoio institucional ao carnaval de escolas de samba. Segundo ele, houve uma narrativa enganosa ao se afirmar que recursos deixariam de ser aplicados na festa para serem direcionados à saúde, quando, na prática, tratavam-se de orçamentos distintos.
O vereador explicou que a verba destinada ao carnaval saía da Secretaria de Turismo, que à época contava com um orçamento anual de aproximadamente R$ 4 milhões, enquanto a área da saúde operava com cifras muito superiores.
“Falou-se que a verba do carnaval ia para a saúde. Isso é completamente diferente. São duas secretarias. A verba saía do turismo, que tinha cerca de quatro milhões no ano, enquanto a saúde tinha quinhentos milhões.”
O vereador afirmou que o valor destinado às escolas de samba representava uma fração mínima do orçamento do turismo e não teria impacto real na área da saúde.
“Para quê você precisa de duzentos e trinta mil reais, que é cerca de cinco por cento de uma secretaria, para fazer cócegas em outra que tinha quinhentos milhões?”
“O carnaval não acabou”: retomada dos desfiles
Ao tratar do futuro, Marcus Togni foi enfático ao afirmar que “o carnaval não acabou”. Ele defendeu a retomada do modelo tradicional de desfiles de escolas de samba, lembrando que Poços de Caldas já teve até 14 agremiações e forte participação popular.
Como proposta concreta, anunciou a realização de um pré-carnaval, com desfiles nos dias 30 e 31 de janeiro, cerca de 15 dias antes do carnaval oficial. Segundo o vereador, a iniciativa busca testar um novo formato de retomada, reunindo escolas locais e convidadas de outras cidades da região.
Togni explicou que a proposta foi discutida com o prefeito Paulo Ney, após a percepção de que o carnaval de escolas de samba ainda mobiliza grande público, mesmo sem a estrutura tradicional de anos anteriores.
Blocos, escolas e impacto econômico
Durante a entrevista, Marcus Togni rejeitou a ideia de que blocos e escolas de samba sejam modelos concorrentes. Para o vereador, os formatos são complementares e podem coexistir dentro da programação do carnaval, atendendo a públicos distintos e ampliando o alcance da festa.
Ele destacou que os desfiles de escolas de samba mobilizam dezenas de trabalhadores diretos, além de atrair centenas de visitantes de outras cidades, o que gera impacto econômico relevante para setores como comércio, rede hoteleira e serviços.
Togni também fez questão de rebater críticas relacionadas a gastos públicos. Segundo ele, não há atualmente repasse específico de verba para escolas de samba, e a organização do pré-carnaval ocorreu sem custo direto adicional ao município, utilizando apenas estruturas e serviços já empregados em outros eventos públicos, como segurança e ordenamento urbano.
“Não existe mais verba para escola de samba. Isso acabou lá atrás.”
Na avaliação do vereador, mesmo esse apoio indireto é amplamente compensado pelo retorno econômico gerado pelo evento, sobretudo com a presença de visitantes e integrantes de escolas vindos de fora.
“Só o valor que isso deixa na cidade compensaria qualquer valor dado.”
Trajetória política e visão de futuro
Na parte final do programa, Marcus Togni falou sobre sua longa trajetória política e afirmou que, mesmo tendo sido oposição a diferentes prefeitos ao longo dos anos, não construiu inimigos políticos na Câmara. Para ele, o debate deve ser firme, mas responsável, evitando ataques pessoais e decisões tomadas por impulso.
Questionado se ainda pretende disputar o cargo de prefeito, afirmou que essa já não é uma meta pessoal, por não se identificar com modelos de gestão excessivamente burocráticos. Ainda assim, criticou a falta de planejamento de longo prazo para a cidade e defendeu uma visão estratégica para o futuro de Poços de Caldas.
O Programa Amigo Promotor foi encerrado com agradecimentos ao convidado e à audiência, reforçando que o debate sobre carnaval, política e gestão pública seguirá ao longo do ano.
O programa na íntegra está disponível no YouTube:
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