Nova área com potencial para exploração de terras raras é identificada no planalto de Poços de Caldas
Atualizado em 10/02/2026

Uma nova área com potencial para exploração de terras raras foi identificada no entorno do Planalto de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. A informação foi divulgada pela empresa Cabo Verde Mineração, que realiza estudos geológicos na região e aponta resultados considerados promissores nas sondagens iniciais.
Segundo a mineradora, a área integra um conjunto de 57 direitos minerários que somam cerca de 91 mil hectares localizados na borda da caldeira vulcânica de Poços de Caldas. O território abrange os municípios mineiros de Muzambinho, Cabo Verde e Botelhos, além de Caconde, no interior do estado de São Paulo.
Resultados iniciais animam empresa
De acordo com o gerente de operações da Cabo Verde Mineração, Eduardo Montanari, os dados obtidos até o momento indicam consistência técnica e potencial econômico relevante.
“Os dados foram muito promissores. A pesquisa é feita com muita disciplina e rigor técnico, garantindo responsabilidade ambiental e resultados confiáveis”, afirmou.
As sondagens iniciais apontam viabilidade para a exploração de terras raras, grupo de minerais estratégicos utilizados na fabricação de tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
Potencial supera estimativas iniciais
Os estudos preliminares indicam que a região pode concentrar mais de 500 milhões de toneladas de argila iônica mineralizada. A estimativa representa um salto significativo em relação às projeções anteriores da empresa.
“Para nossa surpresa, esse novo alvo, o alvo Botelhos, pode aumentar significativamente nossa estimativa. Antes falávamos em 100 milhões de toneladas. Hoje já projetamos mais de 500 milhões”, explicou o diretor-executivo da Cabo Verde Mineração, Túlio Rivadávia.
A empresa informou que já investiu aproximadamente R$ 7 milhões no projeto e prevê novos aportes de cerca de US$ 10 milhões nos próximos dois anos. Os recursos devem ser destinados à conclusão da fase de pesquisas e à implantação de uma planta-piloto de processamento.
Licenciamento ambiental ficará para etapa posterior
Segundo Rivadávia, o licenciamento ambiental só será iniciado após a finalização dos estudos geológicos. Ele destacou que o projeto ainda se encontra em fase de pesquisa.
“Estamos saindo de um projeto Greenfield para um Brownfield. Só depois da conclusão dos estudos partiremos para o dimensionamento da usina e, então, para o licenciamento ambiental”, explicou.
Outros projetos avançam na região
Além da Cabo Verde Mineração, outras duas empresas já avançaram em projetos de exploração de terras raras no Planalto de Poços de Caldas. As mineradoras Meteoric e Viridis receberam, em dezembro, a licença prévia do órgão ambiental estadual.
A Meteoric desenvolve o Projeto Caldeira, no município de Caldas, e já opera um laboratório de extração em escala piloto. Segundo a empresa, já é possível obter carbonatos de terras raras a partir das amostras coletadas durante a fase de pesquisa.
“Vamos processar nos próximos meses todas as amostras de sondagem e trincheiras para validar o processo metalúrgico”, afirmou o diretor Marcelo de Carvalho.
Já a Viridis conduz o Projeto Colossus, também na região de Poços de Caldas, e deve inaugurar em breve seu Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras. A empresa trabalha atualmente na próxima etapa do licenciamento ambiental.
“A licença prévia é um marco. Agora entregaremos toda a engenharia do processo ao longo deste ano”, disse o diretor Klaus Petersen. A previsão da empresa é iniciar a exploração dos minerais em 2028.
Região ganha destaque internacional
De acordo com representantes das mineradoras, o Planalto de Poços de Caldas vem se consolidando como uma das áreas mais promissoras do mundo para a produção de terras raras.
“Conseguimos comprovar que temos o melhor minério do mundo aqui. Isso significa menor custo de processamento e maior competitividade, colocando o Brasil entre as principais fontes globais”, destacou Petersen.
Fontes: Com informações de Cabo Verde Mineradora e G1.
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