MPMG denuncia ex-servidor e filha por fraude em doação de terrenos industriais em Poços de Caldas
Atualizado em 05/09/2025
Após operação da Polícia Civil, ex-funcionário e filha são acusados de estelionato, falsificação e corrupção
Hugo Ribeiro Rego – Foto: Polícia civil.O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou denúncia contra Hugo Ribeiro Rego, de 48 anos, ex-servidor da Prefeitura de Poços de Caldas, e sua filha, de 26 anos, por participação em um esquema de fraude na doação de terrenos no Distrito Industrial.
De acordo com a Promotoria de Justiça Criminal, Hugo se passava por responsável pelo programa de doação de áreas e exigia pagamentos ilegais de empresários, entregando documentos falsificados para dar aparência de legalidade. As vítimas chegaram a transferir mais de R$ 380 mil por meio de Pix, cheques e depósitos em espécie.
Parte dos valores era destinada à conta da filha, que, segundo o MP, sabia da origem ilícita e colaborava com o esquema.
Como funcionava a fraude
Segundo as investigações, Hugo conduzia empresários até os terrenos e alegava que seria necessário efetuar um pagamento para oficializar a doação. Para convencer as vítimas, ele apresentava atas falsas do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Industrial, simulando reuniões que nunca aconteceram.
Os documentos falsificados foram identificados pela procuradoria municipal, que constatou a ausência de assinaturas e informações divergentes das atas originais.
Entre os casos já apurados:
- Uma empresa pagou R$ 100 mil, sendo R$ 80 mil transferidos para a filha.
- Outra vítima entregou R$ 130 mil, dos quais R$ 60 mil foram para a filha e R$ 40 mil para Hugo.
- Uma terceira chegou a emitir dez cheques de R$ 25 mil cada, mas a maior parte foi sustada a tempo.
Denúncia do MPMG
Na acusação formal, o Ministério Público imputa a Hugo os crimes de estelionato, falsificação de documento público e corrupção passiva. A filha responde por corrupção passiva.
O MP pede ainda que os acusados sejam condenados a ressarcir R$ 380 mil às vítimas e ao pagamento de valor equivalente como indenização por danos morais coletivos.
Prisão e Operação Castelo de Cartas
A denúncia foi apresentada após a prisão de Hugo e de sua filha, em 13 de agosto de 2025, durante a operação “Castelo de Cartas”, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais.
A investigação apontou que o ex-servidor chegou a exigir até R$ 1,8 milhão de contrapartida para agilizar processos de doação. Os valores eram pagos a ele ou à filha, e parte teria sido utilizada em obras particulares e abertura de empresas em nome dela, incluindo uma choperia na cidade.
Segundo o delegado Clayson Rodrigo Brene, os crimes ocorreram entre 2022 e 2024, período em que Hugo ocupou cargos de confiança na Prefeitura, como gerente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), coordenador de comunicação e diretor de turismo.
A polícia também apura indícios de lavagem de dinheiro e a possível existência de outros envolvidos no esquema.
Posição da Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Poços de Caldas informou que os fatos ocorreram sem conhecimento interno e sem anuência da Administração Municipal. O Executivo destacou que, ao receber denúncias de empresas prejudicadas, adotou imediatamente as medidas cabíveis e acompanha o caso junto às autoridades.
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