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Ministério Público divulga balanço do Gaeco com 109 operações e mais de mil prisões em 2025

Atualizado em 12/03/2026

 

Relatório aponta bloqueio de mais de R$ 30 milhões em bens e destaca integração entre forças de segurança no combate ao crime organizado em Minas Gerais

Foto: MPMG.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), divulgou nesta quarta-feira (11) o balanço das ações realizadas ao longo de 2025 no enfrentamento às organizações criminosas no estado.

De acordo com o relatório, foram realizadas 109 operações, que resultaram em 1.028 prisões e na extração de dados digitais de 2.768 dispositivos, entre celulares, notebooks e HDs. As ações também levaram ao bloqueio ou apreensão de mais de R$ 30 milhões em bens relacionados a investigações conduzidas pelo grupo.

O levantamento reúne dados da atuação da sede do Gaeco em Belo Horizonte e das 12 regionais espalhadas por Minas Gerais.

Atuação estratégica no combate ao crime

Entre as iniciativas destacadas está a participação ativa do Gaeco nos Grupos de Intervenção Estratégica, que atuam no enfrentamento de crimes violentos. Segundo o relatório, as ações tiveram impacto positivo na redução de homicídios e roubos em diversas cidades mineiras.

Durante o ano, foram produzidos 647 relatórios de análise e realizadas 73 reuniões de trabalho, sendo 21 na capital e 52 no interior. Também foram formalizadas 136 intervenções no GIE-Vida até julho de 2025.

O Serviço de Análise e Estatística do Gaeco realizou 136 pesquisas e 268 consultas no Sistema Integrado de Operações, apoiando investigações e monitorando 48 ações penais e 55 pessoas investigadas, com sete monitoramentos ativos.

Já o Laboratório de Extração Forense recebeu 35 solicitações, processando 375 itens, o que indica aumento significativo na demanda por análise de dispositivos eletrônicos.

Investigações e apoio a operações

Ao longo de 2025, o Gaeco instaurou 139 procedimentos extrajudiciais, mantendo atualmente 225 investigações em andamento. No período, foram oferecidas oito denúncias criminais e firmados oito acordos.

O grupo também recebeu 115 solicitações de apoio para investigações. Entre as atividades realizadas estão:

  • 22 ações de forense digital
  • 22 pesquisas investigativas
  • 15 relatórios de conhecimento, diligência prévia para confirmação de endereços antes de mandados judiciais
  • 31 apoios operacionais
  • cumprimento de sete mandados de busca e apreensão
  • quatro auxílios na elaboração de peças processuais

Capacitação e uso de tecnologia

Em 2025, o Gaeco promoveu o Encontro Estadual do Gaeco, com palestras sobre investigação financeira, vestígios digitais, infiltração virtual e uso de softwares investigativos.

Também foram realizados encontros sobre violência extrema no futebol, confisco alargado, lavagem de dinheiro e gestão de ativos. O grupo ainda participou da LAAD 2025, feira internacional voltada à inovação e tecnologia em segurança e defesa, além do evento Forensics Meeting, focado em investigação digital.

Desafios no enfrentamento ao crime organizado

Segundo o promotor de Justiça Giovani Avelar Vieira, coordenador do Gaeco, a dimensão territorial de Minas Gerais representa um dos principais desafios para o combate às organizações criminosas.

Ele lembra que o estado possui cerca de 586 mil quilômetros quadrados, área próxima à da França, e faz divisa com vários estados brasileiros, o que pode facilitar a circulação e a expansão de grupos criminosos.

As forças de segurança pública têm percebido que a integração entre elas, sobretudo com o compartilhamento de informações, troca de expertises e operações conjuntas, é absolutamente fundamental para o sucesso nesse enfrentamento”, afirmou.

Preocupação com uso de inteligência artificial

O coordenador também manifestou preocupação com o uso crescente de tecnologias por organizações criminosas, especialmente inteligência artificial, que pode ser empregada para aperfeiçoar golpes e dificultar investigações.

Segundo ele, manter o Gaeco atualizado tecnologicamente é fundamental para acompanhar as novas formas de atuação do crime, sobretudo em investigações relacionadas à lavagem de dinheiro e crimes digitais.

Ampliação da estrutura

Entre as melhorias implementadas está a implantação da Central de Custódia do Gaeco, espaço destinado ao armazenamento seguro de vestígios e evidências apreendidos em investigações conduzidas pelo Ministério Público.

Todas as 12 unidades regionais do grupo também contam com estruturas semelhantes para garantir a preservação da cadeia de custódia das provas.

O Laboratório de Extração Forense teve a estrutura ampliada com novos equipamentos e um projeto para absorver demandas de perícia digital do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária.

A equipe do Gaeco também foi reforçada com a chegada de dois novos servidores, ampliando a capacidade de atuação da secretaria e do laboratório. O grupo deverá contar ainda com um novo sistema para acompanhamento das ações penais que tiveram participação do Gaeco na fase de investigação.

Exposição apresenta trajetória do Gaeco

O coordenador lembrou ainda da exposição “Atuação integrada do Gaeco/MG no enfrentamento às organizações criminosas”, realizada na Procuradoria-Geral de Justiça do MPMG, que apresentou ao público a trajetória do grupo desde sua criação e os principais marcos da atuação do Ministério Público mineiro no combate ao crime organizado.

 

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