Justiça de Minas derruba decisão do TCE e autoriza retomada das escolas cívico-militares
Atualizado em 21/01/2026

A Justiça de Minas Gerais autorizou a retomada do funcionamento das escolas com ensino cívico-militar no estado e também do programa de expansão do modelo. A decisão foi proferida na última terça-feira (20) pela juíza Janete Gomes Moreira, da 4ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, que suspendeu os efeitos de uma determinação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
Em dezembro, o TCE havia determinado a interrupção do modelo cívico-militar em nove escolas da rede estadual e também dos processos de ampliação do programa. A medida agora derrubada havia sido questionada pelo Governo de Minas, que recorreu à Justiça.
Competência do Executivo
Na decisão, a magistrada entendeu que a definição de modelos de gestão educacional é atribuição do Poder Executivo. Segundo ela, o projeto de adoção do ensino cívico-militar apresenta “aparente compatibilidade com o ordenamento jurídico vigente”.
A juíza também ressaltou que o Tribunal de Contas não pode extrapolar suas prerrogativas institucionais. Conforme o entendimento expresso na decisão, a atuação do TCE deve se limitar a situações em que haja comprovação de dano concreto ao erário público, restrita a ilegalidades de natureza financeira, orçamentária, contábil ou patrimonial.
Risco ao ano letivo
Outro ponto destacado pela juíza foi o impacto da suspensão do modelo sobre os estudantes. De acordo com a decisão, a interrupção das atividades colocaria em risco a trajetória escolar de 6.083 alunos já matriculados nas nove unidades que adotam o ensino cívico-militar, além de comprometer todo o planejamento do ano letivo de 2026.
Escolas com ensino cívico-militar em Minas
Atualmente, o modelo é aplicado nas seguintes escolas estaduais:
- E.E. Assis Chateaubriand (Belo Horizonte)
- E.E. Princesa Isabel (Belo Horizonte)
- E.E. Padre José Maria de Man (Contagem)
- E.E. Professora Lígia Maria Magalhães (Contagem)
- E.E. dos Palmares (Ibirité)
- E.E. Wenceslau Braz (Itajubá)
- E.E. Cônego Osvaldo Lustosa (São João del Rei)
- E.E. Olímpia de Brito (Três Corações)
- E.E. Governador Bias Fortes (Santos Dumont)
Entenda o imbróglio
A controvérsia teve início em agosto do ano passado, quando o conselheiro Adonias Monteiro, em decisão monocrática, suspendeu os processos de expansão das escolas cívico-militares após ação movida pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT). Em dezembro, o plenário do TCE-MG manteve o entendimento e determinou a paralisação do modelo também nas unidades já em funcionamento.
À época, o conselheiro relator argumentou que não existiria uma lei específica que desse respaldo ao programa, especialmente no que se refere à previsão orçamentária. O tribunal também questionou a convocação de militares da reserva para atuarem como supervisores e monitores nas escolas.
Além disso, as consultas realizadas junto às comunidades escolares para adesão ao modelo geraram debates e divisões. Em julho, por exemplo, a comunidade do Colégio Estadual Central, em Belo Horizonte, rejeitou a proposta de adoção do ensino cívico-militar, com 84% de votos contrários entre pais, alunos e professores.
Com a decisão da Justiça, o Governo de Minas fica autorizado a manter o funcionamento das escolas já existentes e a dar continuidade ao processo de expansão do modelo no estado.
Fontes: Secretaria do Estado de Educação (SEE) e Itatiaia.
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