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Iepha-MG mobiliza equipe para vistoriar cocho após ato de prefeito em área tombada de Poços de Caldas

Atualizado em 24/03/2026

 

Foto: ONG Pegasus.

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) informou que enviará uma equipe técnica a Poços de Caldas para vistoriar o cocho localizado na Praça Getúlio Vargas, após a estrutura ser parcialmente destruída durante um ato do prefeito Paulo Ney (PSD). A ação ocorreu no dia 13 de março e marcou o encerramento do uso de charretes com tração animal no município.

Segundo o Iepha, o cocho está protegido por tombamento estadual por integrar o perímetro do Complexo Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas. O órgão reforçou que qualquer intervenção na área — inclusive reparos — depende de autorização prévia.

A equipe técnica fará uma vistoria presencial para avaliar o estado de conservação da estrutura e possíveis impactos decorrentes do ato. Após a análise, será elaborado um relatório com orientações e eventual indicação de medidas cabíveis.

Câmara cobra explicações sobre legalidade

A intervenção motivou reação na Câmara Municipal. Um requerimento apresentado pelo vereador Tiago Mafra (PT) foi aprovado por unanimidade e solicita esclarecimentos sobre a legalidade da ação, além de questionar se houve autorização dos órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico.

Os parlamentares classificaram o episódio como desrespeitoso à história da cidade e aos antigos charreteiros. No documento, Mafra argumenta que a Lei Orgânica do município proíbe alterações em áreas tombadas sem autorização legislativa. Ele também cita legislação complementar de 2006 que exige anuência prévia do Conselho Municipal de Patrimônio (Condephact) para intervenções em bens protegidos.

O professor e historiador Hugo Pontes afirmou, em entrevista à EPTV, que estruturas inseridas em áreas tombadas também devem ser preservadas.

“Se a praça é tombada, tudo que está nela também é objeto de tombamento”, disse.

Ele defende ainda a instalação de sinalização que registre a importância histórica das charretes na região central.

Prefeitura diz que ação foi simbólica

Foto: G1.

Em nota, a Prefeitura de Poços de Caldas negou que tenha ocorrido demolição dos cochos. Segundo a administração municipal, houve apenas um ato simbólico para marcar o fim do serviço de transporte por charretes.

De acordo com o município, os bebedouros foram “inutilizados” e posteriormente ressignificados com o plantio de flores. A prefeitura sustenta ainda que as estruturas não fazem parte do patrimônio tombado nem estão inventariadas como bens culturais.

O Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico de Poços de Caldas também divulgou nota técnica afirmando que o cocho não se caracteriza como bem protegido.

A administração municipal argumenta que a iniciativa buscou transformar um símbolo associado ao uso de animais em um espaço de “renovação, cuidado e respeito à vida animal”.

Substituição das charretes segue indefinida

Apesar do encerramento das charretes com tração animal, as carruagens elétricas que devem substituir o serviço ainda não têm prazo definido para início de operação em Poços de Caldas.

 

Fonte: Com informações de EPTV/G1.

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