Governo da França pode financiar projeto de terras raras em Poços de Caldas
Atualizado em 11/11/2025
Empreendimento da australiana Viridis é considerado estratégico para cadeia ocidental de minerais críticos e pode consolidar Brasil como fornecedor alternativo à China

A mineradora australiana Viridis Mining & Minerals anunciou neste domingo (9) — manhã de segunda-feira (10) na Austrália — que o Projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas e rico em reservas de terras raras, foi considerado elegível para financiamento da Bpifrance Assurance Export, agência de crédito à exportação do governo francês.
A informação foi divulgada pela empresa em fato relevante ao mercado e reforça o interesse europeu na diversificação da cadeia de suprimentos desses minerais estratégicos, hoje amplamente dominada pela China.
Projeto estratégico para o Ocidente
A Bpifrance Assurance Export, vinculada ao banco de investimento público francês, atua no apoio a projetos considerados estratégicos para a França e seus parceiros, por meio de garantias, empréstimos e seguros de crédito à exportação.
O Colossus foi incluído no programa “Garantie de Prêt Stratégique” (Garantia de Empréstimo Estratégico), que concede garantia soberana parcial sobre financiamentos a iniciativas de interesse nacional e geopolítico.
Com a elegibilidade confirmada, o projeto passará agora por uma etapa de due diligence, que inclui análises técnicas, financeiras e de crédito conduzidas pela própria agência antes da aprovação final do financiamento.
Apoio do BNDES e planos para 2026
Além do reconhecimento francês, o Projeto Colossus já conta com apoio financeiro do BNDES, formalizado em julho de 2025 dentro de um plano nacional de incentivo a projetos de minerais estratégicos. O pacote inclui linhas de crédito voltadas à pesquisa, inovação e estruturação industrial.
Com o suporte combinado dos governos brasileiro e francês, a Viridis prevê concluir a decisão final de investimento e iniciar o desenvolvimento do projeto até o terceiro trimestre de 2026.
Centro de pesquisa em Poços de Caldas
A empresa também anunciou a construção de um centro de pesquisa e processamento de terras raras em Poços de Caldas, que funcionará sem o uso de tecnologia ou componentes chineses.
Localizado no distrito industrial da cidade, a cerca de 7 quilômetros das concessões minerais da Viridis, o centro servirá como base para a produção experimental de carbonato misto de terras raras, etapa intermediária na cadeia produtiva desses insumos.
A unidade, com capacidade para processar 100 quilos por hora de minério bruto, deve iniciar as operações no segundo trimestre de 2026 e funcionará como planta de demonstração, voltada à validação técnica e comercial do projeto.
Contexto geopolítico
O anúncio ocorre em meio à crescente disputa global pelas terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais à fabricação de turbinas eólicas, veículos elétricos, chips e equipamentos de defesa.
A China ainda domina mais de 80% do processamento mundial e, em outubro, chegou a ampliar as restrições de exportação desses produtos. A medida provocou reações em países ocidentais, que intensificaram a busca por fornecedores alternativos, como o Brasil.
A Viridis afirma que a exclusão de insumos e tecnologia chinesa é estratégica, garantindo independência da cadeia de suprimentos e posicionando o Colossus como um dos poucos projetos ocidentais capazes de avançar sem dependência de Pequim.
Licenciamento ambiental
Segundo a mineradora, o licenciamento ambiental é atualmente a principal prioridade. O estudo e relatório de impacto ambiental foi apresentado em janeiro de 2025, e a expectativa é de que a licença prévia seja concedida em breve.

O CEO da Viridis Mining & Minerals, Rafael Moreno, destacou que o projeto busca colocar o Brasil no mapa global dos minerais críticos, com tecnologia própria e parcerias com países ocidentais.
Fontes: Com informações de CNN e Paulo César de Oliveira (Blog).
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