Educação: Comunidade da zona rural contesta turmas multisseriadas na Escola Carmélia de Castro; Secretaria de Educação se posiciona
Atualizado em 15/11/2025
A Sulminas TV procurou a Secretaria Municipal de Educação de Poços de Caldas após a circulação, nas redes sociais, de uma denúncia contestando a implementação de turmas multisseriadas na Escola Municipal Professora Carmélia de Castro, situada na Fazenda Catanduva, no bairro Souza Lima, zona rural do município.
A manifestação demonstrou indignação e classificou a medida como um retrocesso no ensino rural e afirma que colocar alunos de diferentes anos em uma mesma sala compromete o aprendizado, sobrecarrega professores e impacta negativamente o desenvolvimento escolar na zona rural. O texto também defende que crianças que vivem no campo devem ter acesso às mesmas condições de ensino oferecidas na área urbana e cobra justificativas da administração municipal. Confira a íntegra da denúncia enviada:
📢 INDIGNAÇÃO! A EDUCAÇÃO DA NOSSA ZONA RURAL NÃO PODE ANDAR PARA TRÁS!
É lamentável ver que a Secretaria de Educação, sob gestão do secretário Marcus Lemos, decidiu implementar salas multisseriadas na Escola Carmélia de Castro, na zona rural.
Colocar crianças de séries diferentes na mesma sala prejudica o aprendizado, sobrecarrega professores e compromete o futuro de quem já enfrenta tantos desafios pela distância e pela falta de investimento.
Isso não é avanço. Isso não é solução. Isso é RETROCESSO!
Os alunos da zona rural merecem o mesmo respeito e a mesma qualidade de ensino oferecidos a qualquer aluno da área urbana.
A comunidade rural trabalha duro, paga seus impostos e tem direito a uma educação digna!
❗Queremos explicação. Queremos responsabilidade.
Queremos qualidade na educação das nossas crianças!
Secretaria diz que prática é reconhecida e não representa perda de qualidade
Em resposta à Sulminas TV, a Secretaria de Educação declarou que entende a preocupação das famílias, porém, afirma que a multisseriação é uma prática comum e reconhecida no ensino do campo no Brasil. Segundo o órgão, o modelo favorece a colaboração entre alunos, respeita ritmos individuais e fortalece habilidades socioemocionais, sem prejudicar o desempenho acadêmico.
A pasta explicou que, nesse formato, o professor realiza planejamento específico para cada série, com acompanhamento individualizado. Acrescentou ainda que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é integralmente aplicada e que o município oferece apoio pedagógico contínuo aos profissionais.
Referências internacionais e previsão na legislação
A Secretaria ressaltou que o modelo é adotado em escolas de primeiro mundo, reconhecido pela UNESCO e previsto na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) para regiões com baixa densidade populacional. A pasta finaliza afirmando que a prática já é aplicada em outras unidades rurais da rede municipal e não representa retrocesso, mas adequação à realidade local.
Resposta da Secretaria de Educação na íntegra
“Entendemos a preocupação das famílias, mas garantimos que as turmas multisseriadas não representam retrocesso, mas uma prática comum e reconhecida nas escolas do campo no Brasil. O trabalho com grupos favorece a colaboração, respeita o ritmo de cada estudante e desenvolve autonomia.
Em escolas rurais a multisseriação amplia a interação entre pares. Nesse formato, o professor realiza planejamento diferenciado, atendendo cada ano com atividades específicas e acompanhamento individualizado. Esse modelo já funciona com sucesso em outras escolas rurais da rede e em escolas de primeiro mundo.
A convivência entre idades distintas fortalece habilidades socioemocionais, pensamento crítico e autonomia, sem prejuízo ao desempenho acadêmico. A BNCC continua plenamente assegurada, e a Secretaria oferece suporte pedagógico constante aos docentes.
Esse tipo de organização é utilizado em países referência em educação e reconhecido por órgãos como a UNESCO e pela LDB para contextos de baixa densidade populacional. Não há perda de qualidade: há adequação responsável à realidade da zona rural, com foco no direito das crianças à interação, ao convívio e a uma educação que valoriza cada estudante.”
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