Debate no Programa Amigo Promotor aborda dívida bilionária, reeleição e tensões entre os poderes em Poços de Caldas
Atualizado em 20/10/2025
Os vereadores Tiago Braz e Álvaro Cagnani analisaram o aumento da dívida municipal e o legado das últimas gestões e ouviram do promotor Glaucir Modesto uma resposta firme às acusações da atual administração
O Programa Amigo Promotor da última quinta-feira (16) reuniu dois dos vereadores de Poços de Caldas para um debate direto sobre os desafios da gestão pública, o aumento da dívida municipal e a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Participaram Tiago Braz (REDE), conhecido como “vereador Coragem”, e Álvaro Cagnani (PSDB), o parlamentar com mais mandatos em atividade na cidade. A entrevista foi conduzida pelo promotor de Justiça Dr. Glaucir Antunes Modesto e pelo jornalista Felipe Popó, com transmissão ao vivo pela Rádio Estúdio FM 87.9 e pela Sulminas TV, além de reprise na TV Poços.
Saúde mental e prevenção nas escolas
Logo no início, o vereador Tiago Braz falou sobre um requerimento referente a três casos de suicídio envolvendo jovens de uma mesma escola da Zona Sul. Ele explicou que as mortes não ocorreram dentro da instituição, mas levantaram alerta sobre a saúde mental de adolescentes e crianças.
“Não dá pra fingir que não está acontecendo. É preciso entender o que está por trás disso e trabalhar com prevenção, com o apoio de psicólogos, assistentes sociais e da comunidade escolar”, afirmou o parlamentar.
O jornalista Felipe Popó reforçou a importância da atenção da equipe escolar e destacou o papel dos educadores.
“É o olhar do professor que pode salvar uma vida. Eles precisam de suporte e reconhecimento”, pontuou.
Casos envolvendo pessoas em situação de rua
O programa também abordou o vídeo publicado pelo filho do vereador Marcus Togni, que denunciava supostos assassinatos em série de pessoas em situação de rua. Tiago Braz esclareceu que não há indícios de crimes sistemáticos, ressaltando que os casos apurados pela polícia estavam ligados a conflitos e dívidas com o tráfico.
“Já há pessoas presas. O que preocupa é o modo como a informação foi divulgada. Precisamos ter cuidado com o que se publica nas redes sociais, principalmente em temas sensíveis como esse”, alertou.
Câmara sem base e moção rejeitada
Os vereadores também discutiram a recente moção de apoio ao prefeito Paulo Ney, apresentada por dois parlamentares governistas e rejeitada pela maioria da Câmara.
Álvaro Cagnani avaliou que o pedido foi precipitado:
“Foi muito cedo. O prefeito ainda tem tempo para mostrar resultados. É preciso diálogo e planejamento antes de pedir apoio público da Casa.”
Tiago Braz acrescentou que o programa Poços Mais Gestão, anunciado pela Prefeitura, carece de prazos e metas claras.
“Boas intenções não bastam. O plano precisa de resultados concretos”, comentou.
Dívida pública, legado da gestão anterior e prioridades: INSS x Centro Administrativo
O momento mais intenso do programa foi a discussão sobre o rombo nas contas públicas de Poços de Caldas, que, segundo dados apresentados, quintuplicou nos últimos oito anos, saltando de R$ 90 milhões para R$ 611 milhões.
O jornalista Felipe Popó respondeu a uma pergunta de uma espectadora sobre o endividamento e fez uma crítica contundente:
“Foram feitas escolhas. Em vez de pagar o INSS, optou-se por construir o Centro Administrativo. Em vez de quitar dívidas e garantir certidões, priorizou-se calçada de banqueiro na Rua Assis. Essas decisões explicam onde estamos hoje.”
Popó também destacou os impactos práticos dessa falta de prioridade:
“Quando se deixa de pagar o INSS, o município perde a certidão negativa e, com isso, deixa de receber emendas e convênios. É uma bola de neve que impede novos investimentos e sufoca quem vem depois.”
O vereador Tiago Braz concordou que a pandemia não pode justificar o aumento da dívida e defendeu planejamento e responsabilidade fiscal.
Álvaro Cagnani, por sua vez, afirmou que a cidade precisa rever gastos e resgatar o equilíbrio financeiro:
“A arte de administrar é difícil. Se não pagar o que é devido, a dívida cresce. É preciso priorizar o essencial — folha, previdência, serviços públicos — e rever obras caras que não trazem retorno imediato.”
Reeleição e obras inacabadas
O debate se aprofundou quando Tiago Braz associou o aumento da dívida ao modelo de reeleição de prefeitos, que, segundo ele, estimula promessas e inaugurações apressadas.
“Se for pegar o que o ex-prefeito deixou de obra inacabada, que o próximo prefeito vai ter que terminar, passa de um bilhão de reais”, afirmou.
O vereador destacou ainda que o rombo nas contas ocorreu principalmente nos últimos quatro anos da administração passada.
“As obras paradas, os contratos sem lastro e o endividamento mostram que a reeleição acabou custando caro para Poços”, criticou.
Críticas ao vice-prefeito e uso das redes sociais
Tiago Braz também comentou as declarações do vice-prefeito Eduardo Januzzi, que havia criticado o Ministério Público e o Legislativo em outro programa. O vereador classificou a fala como “antidemocrática” e defendeu mais respeito entre os poderes.
“Tem que tomar cuidado com o que se fala, principalmente quando se ocupa o cargo de vice-prefeito. Falar contra o Judiciário e o Legislativo é perigoso”, disse.
Ele também citou o caso da vereadora Pastora Mel, que foi atacada após cobrar a entrega de uma obra.
“Depois do vídeo dela, a obra andou. O Executivo deveria agradecer pela cobrança, não tentar desmerecer”, completou.
Álvaro Cagnani endossou o alerta e pediu cautela no uso das redes sociais.
“Tem que respeitar os poderes e ter paciência para ouvir críticas. Combater fake news é válido, mas atacar quem aponta erros é um tiro no pé”, afirmou.
Promotor responde a acusações do vice-prefeito
Encerrando o programa, o promotor Glaucir Antunes Modesto respondeu diretamente às declarações do vice-prefeito, Eduardo Januzzi, que havia acusado o Ministério Público de perseguição política contra o ex-prefeito Sérgio Azevedo.
“Estou há quase 38 anos no Ministério Público. Já dei pareceres favoráveis e contrários a todos os partidos. Não existe perseguição política alguma. Se houve perseguição ao ex-prefeito Sérgio Azevedo, ela partiu da atual administração”, afirmou.
O promotor explicou que o parecer jurídico contestado foi seguido pelo Judiciário e pediu respeito à instituição:
“Pode gostar ou não de mim, mas respeitem minha carreira e o Ministério Público. Falar que eu agi politicamente é injusto e desrespeitoso.”
Encerramento
O programa terminou com agradecimentos e uma reflexão de Felipe Popó, que resumiu o espírito do debate:
“O segredo do sucesso eu não sei, mas o do fracasso é querer agradar todo mundo. Nem toda crítica é maldade — às vezes, é apenas a verdade que precisa ser ouvida.”
O Programa Amigo Promotor é transmitido ao vivo todas as quintas-feiras, às 10h30, pela Rádio Comunitária Estúdio FM 87.9 e pela Sulminas TV e com reprise pela TV Poços.
Assista ao programa na íntegra:
Nossos canais de comunicação:



Deixe um comentário