Corredor de aplausos marca alta da UTI de jovem que teve 35% do corpo queimado após acidente com churrasqueira
Atualizado em 27/02/2026
Após 53 dias internado em estado grave, Yarrisson Felipe Magalhães é transferido para a enfermaria da Santa Casa de Poços de Caldas
Um corredor de aplausos, abraços e lágrimas marcou a alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Yarrisson Felipe Magalhães, de 20 anos, nesta quinta-feira (26), na Santa Casa de Poços de Caldas. O jovem estava internado havia 53 dias após sofrer um acidente com churrasqueira que resultou em queimaduras em 35% do corpo.
Yarrisson deu entrada no hospital no dia 5 de janeiro, transferido de Varginha, em estado grave. Segundo a equipe médica, ele apresentava comprometimento importante das vias aéreas e precisou ser entubado logo na admissão, permanecendo sob cuidados intensivos desde então.
Quadro grave na admissão
O enfermeiro coordenador da UTI, Jean Carlos, relembrou a gravidade do caso.
“O Yarrisson veio proveniente da cidade de Varginha após um acidente ao acender uma churrasqueira. Ele queimou 35% da superfície corporal, com comprometimento importante das vias aéreas. Chegou bastante grave, debilitado, precisou ser entubado e permanecer sob cuidados intensivos. Hoje, completando 53 dias de internação, ele recebe alta da UTI para a enfermaria, pois já não necessita mais de cuidados intensivos”, explicou.
No momento da transferência, a equipe multidisciplinar organizou um corredor de aplausos. Ao lado da mãe, o jovem não conteve a emoção.
“Para toda a equipe, é uma grande felicidade acompanhar essa evolução. Ele está acompanhado da mãe, que também ficou muito emocionada. Após uma internação prolongada, esse momento representa alegria e esperança. Desejamos boas energias e uma excelente recuperação nessa nova fase do tratamento”, completou o enfermeiro.
Apoio psicológico foi fundamental
Durante todo o período de internação, o acompanhamento psicológico foi considerado essencial tanto para o paciente quanto para os familiares. A psicóloga Roberta Figueiredo, que atua na UTI e no Centro de Queimados, explicou que o suporte começou ainda nos primeiros dias.
“Foram muitos dias de internação. No início, como ele estava bastante grave e entubado, realizei o acompanhamento dos familiares. Como a família é de Três Corações, havia grande dificuldade para visitas frequentes, então organizamos conferências para acolher e aproximar os familiares. Eles estavam muito sensibilizados pelo acidente”, relatou.
Com a evolução clínica, após cirurgias plásticas e outros procedimentos, Yarrisson precisou passar por uma traqueostomia, já que parte do pulmão foi bastante prejudicada e ele ainda necessitava de suporte respiratório.
Fortalecimento emocional e nova etapa
Segundo a psicóloga, a partir desse momento foi possível intensificar o acompanhamento direto com o paciente.
“No começo, ele estava mais resistente, o que é comum em pacientes grandes queimados, devido ao sofrimento físico e ao trauma da situação. Mas, ao longo do processo, construímos um vínculo significativo, que contribuiu muito para sua evolução. Ele sempre demonstrou clareza sobre o que havia acontecido e sobre a necessidade de um tratamento prolongado. Trabalhamos o fortalecimento emocional durante toda a internação”, destacou.
A profissional também ressaltou que a presença de um familiar na UTI foi essencial para o enfrentamento do período crítico. Agora, transferido para a enfermaria, Yarrisson inicia uma nova fase do tratamento, com expectativa de alta hospitalar nas próximas semanas.
“A expectativa é que, em breve, ele possa retornar para casa”, finalizou Roberta.
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